Desde a última segunda-feira (8), o BPMTran (Batalhão de Polícia de Trânsito) conta com reforço de um drone nas fiscalizações, em Campo Grande. O objetivo é ampliar a visão dos policiais e qualquer condutor que for flagrado cometendo autos de infração de trânsito será notificado. Nas ruas da cidade, a novidade ainda divide opiniões.

Motoentregadora há cerca de um ano, Elisangela Campos, de 26 anos, passa a maior parte do dia fazendo entregas nas mais diferentes regiões da cidade. Para ela, a nova inspeção pode fazer com que o trânsito fique mais seguro.

“Acho que vai ajudar. Tem muitos condutores que fazem conversões erradas, que ficam no celular, não prestam atenção no trânsito e acabam provocando acidentes. Acho que essa fiscalização vai contribuir para que fiquem mais atentos”, defende.

Essa também é a opinião da autônoma Ana Paula Alencar Coutinho, de 24 anos. “Sabendo que os drones estão fazendo esse controle, vai ter mais respeito no trânsito. Tem muita imprudência e acho que agora vai melhorar”, afirma.

Para o vendedor Luiz Vinícius, de 25 anos, a fiscalização também vai inibir crimes que vão além do trânsito. “Com o drone dá pra ampliar e pegar vários lugares com infrações e vai prevenir até assaltos”, destaca.

Enquanto alguns acreditam que a nova forma de inspeção vai contribuir, outros encaram as fiscalizações por imagens aéreas como forma de arrecadação. “É uma palhaçada isso. Não sabem mais o que inventar para tirar dinheiro da população. Por que eles não fazem isso para acabar com a criminalidade? Multar as pessoas não vai deixar o trânsito mais seguro”, diz o corretor George Alts, de 50 anos.

Lucas Batista de Araújo, de 29 anos, trabalha há 4 de motoentegador. Ele também discorda das fiscalizações por drone. “Acho errado. Me parece que é muito mais uma forma de aumentar a arrecadação, que de fato melhorar o trânsito. As multas não vão fazer com que as pessoas se comportem melhor. O que teriam que fazer mesmo é melhorar as sinalizações nas ruas, colocar mais agentes orientando no trânsito e oferecer palestras educativas. Multar, não vai resolver”, pontua.

Essa também é a opinião do motorista de aplicativo João Batista, de 33 anos. “Temos várias câmeras no centro da cidade e não fez efeito nenhum. Acho que é muito mais uma forma de arrecadação. Essas fiscalizações deveriam ser voltadas para vias rápidas, de maior público, não faz efeito no trânsito em geral”.

Presidente da Comissão de Trânsito da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Tulio Araújo, esclarece que a lei permite o uso de drones. “É uma novidade tecnológica que veio para auxiliar os órgãos de trânsito e tem regras a serem seguidas. Tem que ter placas indicando, assim como em radares. E, como em qualquer outra multa, o cidadão pode recorrer e não é diferente com a chegada dos drones”, explica.

Divulgação de locais de fiscalização por drones é liberada

As fiscalizações tiveram início na última segunda-feira (8) e o equipamento vai atuar de maneira permanente e fará parte da rotina de trabalho do Batalhão de Polícia de Trânsito. Dessa forma, logo uma lista com os nomes das ruas onde ocorrem as fiscalizações por drone foi divulgada em diversos grupos de WhatsApp. Com a repercussão, surgiu a dúvida se essa prática seria crime, como ocorre no caso das blitz.

Em entrevista ao Jornal Midiamax, a tenente do BPMTran, Thais Lechuga, esclarece que não há crime na divulgação da lista sobre os pontos de fiscalização por drones. Segundo ela, o controle por imagens aéreas se assemelha a dos radares e há placas sinalizando que o BPMTran está fiscalizando naquele local. A informação é obrigatória e prevista em lei.

Por enquanto, apenas um drone é utilizado, mas já existe processo de aquisição de mais aparelhos. Mesmo com um único equipamento, já no primeiro dia foram realizadas 187 notificações. A Polícia não divulgou novos balanços e informou que o levantamento será realizado apenas no fim do mês.