A Justiça negou o pedido de prisão domiciliar do policial civil, Hugo César Benites, preso na deflagração da Operação Snow, feita pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), que descreveu a organização criminosa como altamente articulada e estruturada com logística sofisticada e divisão de tarefas delineadas. 

Hugo e o policial Anderson César dos Santos Gomes eram parte da organização e transportavam cocaína em viaturas da Polícia Civil, o chamado ‘Frete Seguro’, já que as viaturas não eram paradas nas rodovias. A cocaína saía de Ponta Porã com destino a Campo Grande, de onde era levada para outros centros no Brasil.

O pedido da defesa para prisão domiciliar de Hugo dizia que ele necessitava de uma operação de urgência, “tem obesidade grau 1 e diagnóstico de esteatose hepática e litíase biliar, demandando intervenção cirúrgica em caráter de urgência; iv) é o único responsável por sua família; v) possui dois filhos portadores de doenças graves”. O pedido ainda trazia que Hugo havia se entregado voluntariamente e tinha residência fixa.

Mas, a residência fixa foi questionada, já que o policial morava no Paraguai. O pedido foi indeferido pela magistrada Eucélia Moreira Cassal, no dia 15 deste mês. Hugo César Benites estava no Paraguai quando foi deflagrada a Operação Snow, no dia 26 de março deste ano. O investigador se entregou para não ser expulso do país vizinho. 

Anderson César já estava preso depois de ser flagrado transportando cocaína para o grupo, que, segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), é altamente articulado e estruturado com logística sofisticada e divisão de tarefas delineadas. 

‘Alugavam’ viaturas por R$ 80 mil para carregar cocaína

As investigações revelaram que em uma incineração de drogas feita em Dourados, nos dias 3 e 4 de maio de 2023, parte da cocaína foi apreendida pela Defron (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira). O invólucro da cocaína incinerada era o mesmo que os policiais civis descarregaram na casa no Jardim Pênfigo, em Campo Grande, no dia 4 de maio. 

No dia 4 de maio, a viatura de Ponta Porã com os policiais passou pelo posto da PRF (Polícia Rodoviária Federal) por volta das 3h08, em Dourados, e às 6h26 no posto de Sidrolândia. Após descarregar a droga em Campo Grande, os policiais fizeram o caminho de volta, chegando a Ponta Porã por volta das 18h17.

Equipes do Batalhão de Choque chegaram a ir até a casa na Rua Retiro Novo, mas parte da quadrilha já tinha ido embora com a carga de cocaína, que foi carregada em um Ford Fiesta, de cor vermelha. Os policiais cooptados pela organização criminosa chegaram a receber, em 21 meses de ‘trabalhos’ para o grupo, o valor de R$ 960 mil, sendo R$ 480 mil para cada um. Por transporte, eles chegavam a receber R$ 80 mil.

Campo Grande era ‘QG’ da cocaína

A quadrilha tinha Campo Grande como entreposto para guardar a cocaína que era distribuída para outros estados. A droga era escondida em casas nos bairros Tijuca, Coophavila e Jardim Pênfigo. A quadrilha tinha como líder Joesley da Rosa, que tinha duas empresas usadas para ‘branquear’ cargas de drogas que saíam de Campo Grande com destino a São Paulo. 

Abaixo de Joesley vinha Valdemar Kerkhoff Júnior, que acabou fuzilado junto do irmão Eder Kerkhoff, no dia 27 de junho de 2023, como ‘queima de arquivo’, na mesma linha do organograma vinha Douglas Santander, conhecido como ‘Dodô’, preso pelo assassinato de Cristian Alcides Ramires, conhecido como ‘Galo’. 

Logo abaixo de Douglas vem Mayk Rodrigues e em seguida no organograma constam Eric Marques, Paulo César e os policiais civis Anderson César e Hugo Benites.