A Justiça Federal manteve a prisão dos irmãos empresários, ligados à facção Comando Vermelho, detidos durante a deflagração da Operação Sanctus, em Dourados, a 225 quilômetros de Campo Grande. A advogada alvo da operação teve a prorrogação do uso da tornozeleira eletrônica por mais 90 dias.

De acordo com a decisão da manutenção da prisão dos irmãos, nesta sexta-feira (12), pela 5º Vara Federal, a prisão se faz necessária por, “O cárcere cautelar é imprescindível para cessar as atividades do grupo criminoso, notadamente porque diligências realizadas no curso das investigações demonstraram que o grupo criminoso estava plenamente operacional. Além disso, subsiste gravidade em concreto das condutas imputadas, notadamente pelo grande volume de transações relacionadas à atividade de tráfico de drogas, além da manutenção de arsenais de armas de fogo, com fuzis e outras armas de uso restrito, a reforçar o alto grau de periculosidade da organização. Outrossim, a medida é imprescindível por conveniência da instrução criminal e para assegurar a futura aplicação da lei penal, considerando que o grupo criminoso apresenta atuação internacional, centralizada na fronteira Brasil-Paraguai, com estrutura logístico-operacional permanente instalada no país vizinho.”, diz trecho da decisão.

Para a advogada foi determinado, “uso de tornozeleira eletrônica, sendo neste momento, não verifico alteração dos fundamentos da decisão proferida.”, fala. No início do mês, os irmãos foram denunciados pelo Ministério Público Federal. 

Irmãos denunciados pelo MPF

A dupla é acusada de liderar esquema ligado a facções criminosas do tráfico internacional de drogas que operam principalmente no Brasil e no Paraguai. Juntos com os irmãos também foi denunciada a filha de um promotor do Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul e mais 5 pessoas que atuam em Dourados.

Segundo a denúncia, os irmãos empresários coordenavam a logística do tráfico de drogas e promoviam a ‘lavagem’ do dinheiro obtido com a atividade ilícita, fazendo circular elevados valores pelas contas da filha do promotor, que é advogada. As operações eram feitas com dinheiro em espécie, para dificultar o rastreamento da origem e do destino dos valores.

Agente PRF ameaçado

A Operação Sanctus, deflagrada pela PF, foi motivada a partir de ameaças a um agente da PRF (Polícia Rodoviária Federal). Em decorrência das investigações feitas pela Polícia Federal e dos prejuízos causados ao grupo criminoso, um agente da PRF passou a ser alvo da organização.

Dados levantados pela operação mostram que dois pistoleiros foram contratados para matar o policial. O plano só não foi concluído porque a PF descobriu a intenção dos ‘empresários’.

As ameaças foram testemunhadas por familiares do agente, que chegaram a ver o momento em que um dos empresários passou em frente à casa do PRF em uma Amarok preta com celular direcionado para a residência, fazendo imagens para passar aos pistoleiros.

A investigação da PF descobriu que a organização criminosa era responsável por enviar grandes quantidades de drogas para cidades da região Sudeste do País.

O ‘negócio extremamente lucrativo’ é liderado pelos irmãos, que são ligados ao criminoso ‘Samura’, um dos líderes do CV (Comando Vermelho) na região de fronteira.

Tanto o faccionado do CV quanto os ‘empresários’ são de Capitán Bado, na fronteira com Coronel Sapucaia e já estavam monitorados pela PRF, que realizou apreensões de cargas de cocaína ligadas à organização em Dourados e região.