O policial civil, Anderson César dos Santos Gomes, preso por integrar uma quadrilha que usava viaturas da Polícia Civil para transportar cocaína de Ponta Porã para Campo Grande, tem patrimônio milionário que inclui casas de luxo e caminhonetes, segundo a denúncia do Gaeco  (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).

Hugo César Benites, outro policial, preso durante a deflagração da Operação Snow, no dia 26 de março deste ano, fazia o chamado ‘frete seguro' junto de Anderson para a quadrilha. O grupo chegou a alugar uma residência na Rua Retiro Novo, no bairro Jardim Pênfigo para ‘esconder' a droga que vinha para a Capital.

Durante uma das viagens dos dois policiais, imagens de câmeras de segurança da casa mostram a viatura entrando na garagem da residência e em seguida descarregando fardos pretos onde estavam a droga. Nas imagens, Valdemar Kerkof aparece ajudando a dupla de policiais a descarregar a viatura. Ele chega a olhar para as câmeras de segurança da casa.

O veículo usado pelos policiais pertence a 1º Delegacia de Ponta Porã. Pelas imagens, os policiais chegam a casa no dia 4 de maio de 2023, e retiram da viatura cerca de 10 caixas com drogas. A residência usada pela quadrilha era alugada  para festas e eventos.

Anderson César dos Santos é investigador de 1º classe e recebe cerca de R$ 9 mil de remuneração. Segundo o Gaeco, o policial tem um patrimônio milionário, com uma casa em uma bairro de luxo em Ponta Porã avaliada em cerca de R$ 2 milhões, além de uma caminhonete Amarok avaliada em R$ 160 mil. 

A esposa do policial, que é professora da rede estadual da cidade e recebe cerca de R$ 2 mil, tem um Jeep Compass avaliado em R$ 246 mil. O casal ainda tem uma filha, professora convidada da rede estadual, com  dois veículos em seu nome no total de R$ 108 mil. 

No final de 2022, policial foi denunciado pela por patrimônio incompatível com sua renda. “têm padrão de vida, a priori, incompatível com a renda lícita por eles recebida”, informando ainda que há “indícios de incompatibilidade dos rendimentos lícitos auferidos pelo policial Anderson”, segundo trecho da denúncia.

Anderson já tinha sido preso em setembro de 2023 com uma carga de cocaína avaliada em R$ 40 milhões. Já o policial Hugo foi alvo de outra investigação, segundo a denúncia do Gaeco, “O envolvimento do Investigador de Polícia Judiciária HUGO CESAR BENITES com o narcotráfico não é nenhuma novidade. Ele já foi alvo de investigação do GAECO/ há alguns anos e atualmente responde ação penal na Comarca de pela prática dos crimes previstos no artigo37 da Lei 11.343/2006 e 317, caput, do Código Penal (Ação penal n. 0801842-73.2022.8.12.0010).”.

“Merece ser anotado que não há nenhuma dúvida de que o material transportado na viatura policial era droga, mais do que isso, cocaína. O Trabalho do Setor de Operações e de Inteligência do GAECO bem revelou a absoluta semelhança de invólucros de cocaína incinerados nos dias 03 e 04 de maio de 2023, na região de Dourados, a primeira pela Polícia Federal, a segunda pela Polícia Civil, com aqueles descarregados pelos policiais civis em Campo Grande, não se podendo descartar que provinham de um mesmo fornecedor ou ainda que foram desviados por agentes públicos de uma apreensão ou do respectivo depósito onde aguardavam para serem queimados.”, segundo a denúncia do MPMS.

Operação Snow

A operação foi deflagrada contra um grupo criminoso de tráfico de cocaína que cooptava policiais para a organização que usavam viaturas para fazer o transporte da droga. 

Uma das maneiras utilizadas pelo grupo para trazer a droga de Ponta Porã até Campo Grande, de onde saía para outros estados, era o chamado “frete seguro”, por meio do qual policiais civis transportavam a cocaína em viatura oficial caracterizada, já que, como regra, não era parada, muito menos fiscalizada por outras unidades de .

O grupo transportava a droga oculta em meio a uma carga lícita, o que acabava por dificultar a fiscalização policial nas rodovias, principalmente quando se tratava de material resfriado/congelado, já que o baú do caminhão frigorífico viajava lacrado.

A organização ainda fazia a transferência da propriedade de caminhões entre empresas usadas pelo grupo e os motoristas, para assim chamarem menos a atenção em eventual fiscalização policial. Ainda segundo o Gaeco, foi possível identificar mais duas toneladas de cocaína da organização criminosa, apreendidas em ações policiais.

Lista dos presos na operação

  • Hugo Cesar Benites – policial civil;
  • Rodney Gonçalves – empresário com passagens de tráfico de drogas em ;
  • Jucimar Galvan – empresário preso durante a operação com arma em casa;
  • Adriano Diogo Veríssimo – motorista de caminhão com passagem por ;
  • Anderson Cesar dos Santos – auxiliar administrativo com passagem por roubo;
  • Bruno Ascari – motorista de caminhão;
  • Ademar Almeida Ribas;
  • Ademilson Cramolish Palombo – estava envolvido no caso do garagista Alma, desaparecido. Ademilson devia mais de R$ 160 mil a Carlos Reis de Medeiros, que nunca teve o corpo encontrado;
  • Douglas Lima de Oliveira, acusado de matar em outubro de 2022 Cristian Alcides Lima Ramires;
  • Darli Oliveira Santander – empresária;
  • Eric do Nascimento Marques;
  • Fábio Antônio Alves da Silva;
  • Fernando Henrique Souza dos Santos – motorista entregador e passagens por tráfico, sendo preso pela Denar em outubro de 2023;
  • Frank Santos de Oliveira – preso com arma em casa durante a operação;
  • Joesley da Rosa – motorista de caminhão
  • Luiz Paulo da Silva;
  • Márcio André Rocha Farias – auxiliar de vendas;
  • Mayk Rodrigo Gama – passagens por furtos de carros em vários bairros da cidade;
  • Natoni Lima de Oliveira;
  • Paulo Cesar Jara Ibarrola;
  • Welington Souza Lima, conhecido como ‘Garganta', com passagens por furtos.