Vai a julgamento no Tribunal do Júri Claudecir dos Santos Oliveira, vulgo “Henrique”, acusado de matar a tiros Osvaldeci Rodrigues, de 53 anos, no dia 24 de julho de 2022 em Naviraí, a 342 km de Campo Grande. O motivo do crime seria vingança, pois em menos de dois meses antes do crime, a vítima atropelou e matou o irmão do réu, Claudemir dos Santos Oliveira, 31 anos.

O acidente aconteceu no dia 1º de junho do ano passado. Claudemir foi atropelado pelo ônibus, conduzido por Osvaldeci, que estava bêbado e fugiu do local, mas acabou sendo preso. Dias depois, o homem foi solto, mas acabou morto assassinado no dia 24 de julho. No local do acidente, o réu compareceu e, abalado e transtornado com a situação, prometia vingar a morte do irmão.

O réu nega o crime. Em juízo, ele disse que teve o nome imputado ao crime por ser irmão da vítima que morreu atropelada por Osvaldeci. Disse ainda que no dia do acidente de seu irmão, foi até o local e ficou em choque, mas não sabe quem poderia ser o autor do crime contra Osvaldeci. Afirmou que não possuía arma calibre 9mm, apenas um revólver calibre 38.

Contou ao juiz que não fugiu. Havia ido para Iguatemi, mas voltaria no final de semana para assinar o regime aberto. No dia dos fatos, voltou sua rotina normal, após o café, foi “assinar”, e sua mulher o levou até a barbearia, quando por volta do meio-dia um colega foi até o local contar sobre a morte de Osvaldeci, sendo que umas pessoas também foram la dizer que o suspeito era “o irmão do rapaz [atropelado]”, fato que o deixou desesperado, e procurou seu advogado.

Ante o exposto, com fundamento no art. 413 do Código de Processo Penal, PRONUNCIO o réu Claudecir dos Santos Oliveira, já qualificado nos autos, a fim de que seja submetido a julgamento pelo Egrégio Tribunal do Júri, pela prática do crime de HOMICÍDIO QUALIFICADO POR MOTIVO TORPE EMEDIANTE RECURSO QUE IMPOSSIBILITOU A DEFESA DA VÍTIMA, estando incurso nas sanções do artigo 121, § 2º, incisos I e IV, do Código Penal“, diz a decisão do juiz Paulo Roberto Cavassa de Almeida.

O réu chegou a ser transferido para Dourados e atualmente permanece no Ptran (Presídio de Trânsito de Campo Grande).

Ameaça e mudança de versão

A autoria foi confirmada pelo filho de Osvaldeci no dia do crime. O homem estava na casa com a esposa e crianças, quando “Henrique” chegou em um Corolla, pulou o muro, fez sinal de silêncio para eles e disse que o “problema não era com eles”, em seguida foi em direção ao banheiro dos fundos onde a vítima estava e disparou sete vezes.

O casal foi claro na época em identificar Claudecir como autor dos disparos.

Enquanto a polícia fazia buscas e apreensão, foi avisada por vizinhos de Claudecir que ele havia saído às pressas com a família dois dias antes da ‘batida’ da polícia na casa.

Houve informações de que o réu estaria coagindo testemunhas. O filho da vítima e a esposa prestaram novo depoimento e mudaram a versão dos fatos, voltando atrás e dizendo que não tinham certeza de que Claudecir era realmente o autor dos disparos. Durante depoimento, foi constatado que as testemunhas estavam bastante nervosas e assustadas e aparentavam estar inventando versões.

Em juízo, o casal continuou a afirmar a versão de que não tinham mais certeza do autor do crime.

Ao juiz, policiais que participaram da apuração do crime informaram que o filho de Osvaldeci havia dito que estava sendo ameaçado pelo réu, que é dono de alguns pontos de drogas na cidade e membro de facção criminosa.

Após a nova versão dos familiares da vítima, a defesa do acusado tentou por várias vezes absolvição.

Assassinato de Osvaldeci

À polícia, no dia do crime o filho de Osvaldeci contou que pela manhã o pai chegou em casa, na avenida Pantanal, quando o autor pulou o muro e encurralou o homem dentro do banheiro. Ele foi atingido por sete tiros de pistola 9mm.

O filho ainda contou à polícia que antes dos disparos, o autor pediu para que ele tirasse as crianças de perto.

Morte no trânsito

Em 1º de junho, Claudemir foi atropelado pelo ônibus, conduzido por Osvaldeci. O motorista teria fugido do local, mas acabou seguido por testemunhas que chamaram a Polícia Militar. Ele confessou o acidente, mas disse que não parou porque o local era pouco iluminado.

Ainda no relato do motorista, ele não teve tempo de evitar o acidente. O ônibus colidiu contra a motoneta que Claudemir pilotava e o rapaz morreu no local. Ainda foi constatado que o motorista do ônibus estava alcoolizado, sendo preso em flagrante por homicídio culposo.

No entanto, o motorista acabou solto e, em 24 de julho, foi executado em casa. Ele já estava sendo ameaçado pelo irmão de Claudemir e, no dia do crime, teria sido abordado pelo suspeito dentro de casa.