Laudo do exame feito pela frentista que acusou de estupro o policial do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), Israel Giron Arguelho Carvalho, não teria apontado indícios de lesões sexuais que inicialmente configurem crime. No entanto, a Polícia Civil, através da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), sustenta que o laudo não descarta o estupro. Isso porque o crime sexual pode ocorrer mesmo quando não há a conjunção carnal.

ERRATA: Inicialmente, esta reportagem afirmou que o resultado do laudo indicaria que não houve estupro no caso investigado pela Polícia Civil. No entanto, de acordo com o artigo 213 do Código Penal, qualquer ato libidinoso a que alguém for obrigado a ser submetido contra sua vontade é considerado estupro.

“Art. 213.  Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso”.

Suspeito de cometer o estupro, o militar foi afastado do Bope e preso no dia 11 de agosto. O policial, que foi liberado há poucos dias, foi encontrado morto na manhã desta terça-feira (17). A suspeita é de que ele tenha cometido suicídio.

Informações apuradas pelo Jornal Midiamax indicam que o exame feito pela frentista no Imol (Instituto Médico Odontológico Legal) não aponta indícios de conjunção carnal.

No entanto, a delegada da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), responsável pelas investigações, afirma apenas que o caso está com o poder judiciário e que por este motivo não pode comentar o assunto.

A advogada, Alana Oliveira Mattos Boiko de Figueiredo, responsável pela defesa do militar, se limitou a dizer que não pode falar sobre o caso sem que a família autorize.

Um policial ouvido pela reportagem, mas que preferiu não se identificar comentou o caso. “No presídio relatam que ele falava que ela ofereceu ficar com ele na corrida e ele ficou, mas que não foi estupro”, relatou.

Denúncia de estupro

Conforme a denúncia registrada pela mulher, o caso aconteceu no dia 8 de agosto deste ano, depois que a frentista saiu do trabalho, por volta das 22 horas.

À polícia, a mulher disse que estava caminhando quando foi abordada pelo policial, que dirigia um veículo Fiat Mobi. A frentista contou que o militar estava armado, a obrigou a entrar no carro e depois a levou para o lugar onde teria cometido o crime.

Em depoimento ela afirmou que depois de ser estuprada, ela a deixou fugir, no entanto, a ameaçou dizendo que sabia onde ela morava.

Conforme a frentista, depois de ser liberada, ela ligou para o chefe e relatou o fato. O patrão entrou em contato com a Polícia Militar que atendeu a ocorrência. A mulher foi levada para a Deam, onde registrou o boletim de ocorrência.

*Matéria atualizada às 9h de 18 de outubro de 2023 para correção de informação.