Foi concluído o inquérito do assassinato do estudante de mestrado, Danilo Cézar de Jesus Santos, de 29 anos, morto com um mata-leão, após sair de uma boate na região central de Campo Grande. O corpo foi encontrado no dia 8 deste mês, em um terreno baldio.

O inquérito foi concluído na última sexta-feira (17), e enviado ao MPMS (Ministério Público Estadual). O autor foi indiciado por homicídio qualificado, por motivo torpe e ocultação de cadáver. 

No inquérito, a polícia refez os passos de Danilo, após conversar com amigos que relataram que alguns moradores de rua teriam dito que viram Danilo saindo na companhia do autor após deixar a boate. Quando preso por equipes da DEH (Delegacia Especializada de Homicídios), o autor mostrou onde estaria o corpo de Danilo.

A polícia agora aguarda laudos dos pedidos de exames de sexologia para confirmar a relação entre Danilo e o autor de 27 anos, conhecido como ‘Maranhão’. Os exames devem demonstrar a dinâmica de como o crime ocorreu. Ainda no inquérito, o delegado relata que “há divergências apresentadas pelo autor, que na realidade, seria omissão do que levou o autor e a vítima até o local”. 

O delegado ainda diz que “Danilo teria sido levado até o terreno baldio para afastar qualquer possibilidade de ser reconhecido na região”. Em depoimento, o autor contou que não tinha intenção de matar Danilo, mas apenas desmaiá-lo. 

Caminho feito por Danilo e o autor

Imagens de câmeras de segurança

Imagens de câmeras de segurança mostram momentos depois ‘Maranhão’ andando sozinho sem a companhia de Danilo. Em outras imagens, tanto Danilo como autor são vistos andando pelas ruas até que desaparecem.

A vítima teve o celular roubado pelo suspeito, que foi localizado após o corpo da vítima ser encontrado no terreno baldio, três dias após o crime. Há linha de investigação no sentido de que ambos tenham seguido até o terreno para se relacionarem, quando houve a reação do autor, num possível arrependimento. Ainda serão ouvidas outras testemunhas do caso.

Quem era Danilo

Aluno do mestrado em Antropologia pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), bolsista CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), pesquisador da fronteira de Mato Grosso do Sul e um dos nomes que contribuiu para transformar o Banho de São João, em Corumbá e Ladário, como patrimônio imaterial nacional. Esta é apenas uma parte do currículo acadêmico de Danilo Cezar de Jesus dos Santos, jovem de 29 anos que foi assassinado no dia 5 de março, em Campo Grande.

Danilo mobilizou no fim de semana uma rede de buscas entre amigos, parentes e colegas da universidade, que compartilhavam a foto do jovem e pedidos de ajuda para localizá-lo. O aluno de Mestrado, que sonhava com Doutorado e queria mudar a vida financeira da mãe empregada doméstica.