Nesta sexta-feira (24), cadetes do curso de formação de oficiais da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) participaram de simulação de morte em confronto. Os suspeitos seriam traficantes e um deles teria morrido ao trocar tiros com os policiais.

O comandante da da PMMS, coronel Franco Alan, explicou que o grupo de 54 cadetes está na última fase do curso de formação. A formatura deve acontecer em agosto, após dois anos.

Neste contexto, cada cadete fica responsável por um inquérito de crime militar. Isso porque esta fase do curso tem ênfase na parte prática, principalmente a parte jurídica, da polícia judiciária militar.

Coronel Franco Alan – Foto: Kísie Ainoã/Midiamax

Então, nesta sexta-feira teve início um dos inquéritos a ser instaurado, pela morte em confronto. Uma moradora da rua acionou a Polícia Militar via 190, avisando sobre tráfico de drogas no local, na Vila Romana, onde fica a Academia da PMMS.

Tudo foi combinado com a moradora e, assim, uma viatura foi ao local. Os dois suspeitos, sendo um homem e o outro um boneco, representavam os traficantes. A simulação foi como se o boneco tivesse atirado contra os policiais, que reagiram.

Foram feitos tiros de festim e o homem morreu no local. Então outras duas equipes da PM são acionadas, uma de apoio e a terceira, onde estavam os dois cadetes que registrariam o caso.

Ainda foi solicitado apoio da imprensa, para simular uma atividade real, com presença de jornalistas. Assim a área foi isolada e os procedimentos feitos normalmente.

Também participam da simulação o direto de ensino da PMMS, corregedor da PMMS, Ministério Público da Justiça Militar e do Tribunal do Júri e ainda a empresa de ferramentas tecnológicas da PMMS.

Os cadetes agora ficam responsáveis por elaborarem um relatório, com o que pode ser melhorado na atuação da PM no dia-a-dia. São esses pontos a preservação do local, o comportamento da polícia judiciária militar frente aos crimes militares e a atuação das tropas nas ruas.

Foto: Kísie Ainoã/Midiamax

25 mortes em confronto

Dados da apontam que Mato Grosso do Sul registrou 25 mortes em confronto com a polícia em 2023. Em fevereiro, o Midiamax lembrou que em uma semana 7 suspeitos morreram.

Em 7 de fevereiro, Kawan Adrian de Souza, de 19 anos, morreu durante cumprimento de mandado de busca em sua residência, em Santa Rita do Pardo. O rapaz teria reagido, pulado muros das residências e apontado arma para os policiais civis.

O mandado de busca e apreensão seria referente a um processo de ameaça contra um servidor público. Kawan tinha passagens por roubo, dano, ameaça e tráfico de drogas. Ele também seria integrante de uma facção criminosa.

Já na madrugada do dia 8, Adriano Ferreira da Luz Junior, de 20 anos, também morreu após apontar arma para policiais do Choque, em Campo Grande. Horas antes, ele foi autor de uma tentativa de homicídio contra o próprio primo, na Vila Nhanhá.

Durante diligências, os policiais conseguiram a localização de onde Adriano estaria e, ao chegarem na residência, atirou contra os militares. A motocicleta utilizada nos disparos feitos contra a casa do primo foi encontrada na varanda do imóvel.

Outro suspeito da tentativa de homicídio foi preso no local, utilizando tornozeleira eletrônica. Adriano chegou a ser socorrido para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento Comunitário) Universitário mas não resistiu.

Casal foi morto em casa de apoio do PCC

Horas depois, na noite daquele dia 8, outro caso envolvendo confronto com policiais terminou na morte de um casal. O caso aconteceu em Três Lagoas, em um local conhecido como ‘casa de apoio do PCC’.

Os dois mortos foram identificados como Luana Bonini dos Santos, de 33 anos, e Luiz Henrique Ferreira Lima, de 21 anos. Policiais militares faziam patrulhamento por volta de 21 horas na região, quando se depararam com Luana na frente da casa.

Quando viu os policiais, Luana jogou para dentro da casa um embrulho de cor azul e entrou para a residência. Os policiais constataram ao entrar na casa que se tratava de cocaína. Já dentro da residência, os policiais deram ordem de parada a Luana, que fez menção de pegar uma arma na cintura.

Neste momento, foi dada ordem para ela largar, o que não foi obedecido e tiros foram disparados. Luiz entrou no cômodo com uma arma em punho e ao tentar fazer disparos contra os policiais foi atingido por tiros. Os dois chegaram a ser socorridos, mas morreram na unidade de saúde. 

Autor já havia matado policial com tiro no rosto

No dia seguinte, em 9 de fevereiro, Diego Rodrigues Botelho, de 37 anos, conhecido como ‘Alemão’, foi morto com tiro no tórax em confronto com o Batalhão de Choque. Alemão estava em um VW Gol.

Ele ainda desobedeceu ordem de parada e só parou o veículo tempo depois. Diego teria demorado a descer do carro e quando saiu puxou uma arma que estava na cintura, apontando para os policiais. No carro foi apreendido um tablete de cocaína, além da arma que estava com ele, calibre .38.

Alemão já tinha sido condenado a 23 anos de em regime fechado pela morte do policial Sandro Vladimir Jesuino.

Fuga em alta velocidade e perseguição

Dois homens, identificados como Marcus Vinicius, de 24 anos, e Luan Espíndola, de 19, foram mortos na noite do dia 11 de fevereiro, durante troca de tiros com a Polícia Militar. Foram apreendidos dois revólveres, um calibre .38 e outro calibre .32.

No registro policial, consta que viatura fazia rondas no Bairro Universitário quando se deparou com o veículo Honda Civic onde estavam os suspeitos. Eles teriam apresentado comportamento atípico, se abaixado dentro do automóvel e feito manobras bruscas.

Após ordem e parada, os dois fugiram em alta velocidade, durante perseguição que se estendeu por quilômetros. De acordo com os policiais que participaram da ocorrência, em certo momento a dupla parou o carro, desceu e passou a atirar na direção dos PMs, que também atiraram.

Após a troca de tiros Marcos e Luan foram socorridos ainda com vida e levados na viatura da PM  até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Bairro Universitário, onde morreram. Conforme relato da PM, os dois mortos têm extensa ficha criminal.