Uma pistola, celulares e um tablet do filho do deputado estadual, Neno Razuk (PL) foram apreendidos durante a operação Sucessione, deflagrada pelo Gaeco, na manhã desta terça-feira (5) contra o jogo do bicho, em Campo Grande. Quatro assessores do deputado foram presos.

O advogado do deputado e de mais dois presos na operação, Rhiad Abdulahad, disse ao Jornal Midiamax da convicção da inocência dos clientes, “Certeza como cristalino de água de rocha que não são eles que exploram o jogo do bicho.”, disse Rhiad.   

Rhiad ainda disse que vai se inteirar sobre a denúncia, mas reiterou que os clientes são inocentes. Todos os presos foram levados para o Gaeco onde devem ser ouvidos. 

Um dos assessores parlamentares do deputado, o major aposentado Gilberto Luiz dos Santos, também é alvo da operação. Foram cumpridos mandados contra 10 alvos, sendo mandados de busca e apreensão e de prisão. Dourados também é alvo da operação que teve apoio do Garras e de equipes do Batalhão de Choque. 

O Midiamax tentou contato com o deputado por telefone, além da direção do PL em Mato Grosso do Sul, mas nenhuma ligação foi atendida até a publicação deste texto.

A operação é contra o jogo do bicho e estaria ligado a roubos de malotes de grupos rivais que estavam atuando em Campo Grande

Roubo de malotes

Três boletins de ocorrência foram registrados por roubo destes malotes, e duas das três vítimas teriam reconhecido o sargento da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) como autor dos assaltos.

Nas três ocasiões, segundo os registros, o sargento teria usado uma pistola, ameaçado e intimidado os apontadores, na tentativa de fazê-los mudar de lado. Citando o nome do suposto interessado em assumir o jogo do bicho em Campo Grande, o policial da reserva sempre deixada um ‘recado’ ameaçador.

Na casa onde as máquinas foram apreendidas, uma pistola foi encontrada. A investigação das máquinas encontradas está a cargo do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado). Além do sargento, um major aposentado da Polícia Militar também foi flagrado na residência.

A disputa pelo jogo do bicho em Campo Grande, que estaria sob o comando de um grupo de outro estado, teria envolvimento de servidores públicos da Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul). O grupo rival teria assumido a Capital logo após a Operação Omertà desmantelar o grupo que mantinha a contravenção em Campo Grande. 

Este grupo rival, logo após assumir, teria ‘comprado’ rivais para que não se instalassem na Capital. Agora, o grupo que lidera a região de fronteira de Mato Grosso do Sul tenta tirar do grupo rival o controle do jogo do bicho campo-grandense. 

700 máquinas apreendidas no Monte Castelo

Junto com as 700 máquinas do jogo do bicho, os policiais do Garras flagraram dois colegas: um oficial e um praça da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul.

Ambos aposentados, foram liberados no mesmo dia do flagra e negaram qualquer envolvimento com o jogo do bicho. Não é a primeira vez que a influência do crime organizado na Sejusp provoca mal-estar entre servidores que não ‘entram no esquema’.

Os equipamentos seriam parte final do plano para assumir o território do jogo do bicho. As máquinas passaram a figurar como protagonistas no lugar das antigas bancas que ficavam em calçadas de ruas da cidade, onde podia ser encontrado o apontador das apostas com facilidade para quem fazia suas apostas. 

Agora, o esquema de contravenção estava mais modernizado e mais fácil de ser ‘tirado’ dos olhos da polícia. A operação de apostas e impressão de bilhetes cabia na palma da mão, já que podia ser feita até por aplicativos instalados em celulares.