O sargento aposentado flagrado no depósito onde 700 máquinas do jogo do bicho foram encontradas em Campo Grande é suspeito de ser autor de roubos cometidos contra apontadores do grupo rival que assumiu o jogo na Capital de Mato Grosso do Sul.

Três boletins de ocorrência foram registrados por roubo destes malotes, e duas das três vítimas teriam reconhecido o sargento da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) como autor dos assaltos.

Nas três ocasiões, segundo os registros, o sargento teria usado uma pistola, ameaçado e intimidado os apontadores, na tentativa de fazê-los mudar de lado. Citando o nome do suposto interessado em assumir o jogo do bicho em Campo Grande, o policial da reserva sempre deixada um ‘recado’ ameaçador.

Na casa onde as máquinas foram apreendidas, uma pistola foi encontrada. A investigação das máquinas encontradas está a cargo do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado). Além do sargento, um major aposentado da Polícia Militar também foi flagrado na residência.

A disputa pelo jogo do bicho em Campo Grande, que estaria sob o comando de um grupo de outro estado, teria envolvimento de servidores públicos da Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul). O grupo rival teria assumido a Capital logo após a Operação Omertà desmantelar o grupo que mantinha a contravenção em Campo Grande. 

Este grupo rival, logo após assumir, teria ‘comprado’ rivais para que não se instalassem na Capital. Agora, o grupo que lidera a região de fronteira de Mato Grosso do Sul tenta tirar do grupo rival o controle do jogo do bicho campo-grandense. 

Após a Omertà, um relatório foi entregue com uma lista de novos possíveis grupos que poderiam tentar entrar no Estado, no domínio do jogo do bicho. O relatório foi entregue ao Dracco, que cuida das investigações sobre organizações criminosas.

Laços de contravenção na Sejusp

Após a apreensão de 700 máquinas eletrônicas usadas pelo jogo do bicho em uma casa no bairro Monte Castelo, a Sejusp teria se tornado foco da medição de forças entre os grupos que estavam tocando o jogo do bicho descentralizado em Campo Grande e um grupo que tem se anunciado como ‘novos donos do negócio’.

Servidores relataram ao Jornal Midiamax supostas reuniões tensas e os corredores da Sejusp foram tomados por rumores de ‘pedidos’ para ‘cuidar das investigações’.

Além da mudança da unidade policial responsável pelo caso, até o suposto afastamento ou transferência de delegados estariam entre as medidas que supostamente atenderiam a um dos lados.

700 máquinas apreendidas no Monte Castelo

Junto com as 700 máquinas do jogo do bicho, os policiais do Garras (Delegacia de Repressão a Roubo a Banco, Assalto e Sequestros) flagraram dois colegas: um oficial e um praça da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul.

Ambos aposentados, foram liberados no mesmo dia do flagra e negaram qualquer envolvimento com o jogo do bicho. Não é a primeira vez que a influência do crime organizado na Sejusp provoca mal-estar entre servidores que não ‘entram no esquema’.

Os equipamentos seriam parte final do plano para assumir o território do jogo do bicho. As máquinas passaram a figurar como protagonistas no lugar das antigas bancas que ficavam em calçadas de ruas da cidade, onde podia ser encontrado o apontador das apostas com facilidade para quem fazia suas apostas. 

Agora, o esquema de contravenção estava mais modernizado e mais fácil de ser ‘tirado’ dos olhos da polícia. A operação de apostas e impressão de bilhetes cabia na palma da mão, já que podia ser feita até por aplicativos instalados em celulares.