Fevereiro é o mês mais difícil para a Marisilva Moreira da Silva, de 50 anos, de Wesner Moreira da Silva, 17, morto após agressão em lava-jato onde ele trabalhava. O crime aconteceu no dia 3 de fevereiro. Wesner lutou muito pela vida até que no dia 14 do mesmo mês, não resistiu. São 6 anos de luta para que os agressores do filho sejam julgados.

O processo está parado e a última movimentação foi uma intimação do Ministério Público e uma certidão de relação, ambas em fevereiro de 2021.

“Não temos notícia de nada. Vai fazer 6 anos já e não movimentou nada. Só nos falam que tem que esperar o juiz assinar para marcar a data, estamos esperando há 6 anos. Não é fácil, estou vivendo um dia após o outro. Quando tem movimento [o processo] dá uma esperança, mas está parado”, reclama a mãe que clama por Justiça.

Como diz a frase mais usada por mães “A dor de um filho é multiplicada na mãe”, Marisilva diz que ainda se sente sem coração. “Meu coração para quando imagino a dor que ele sentiu. É minha carne. Meu coração ficou lá no CTI, desde quando mataram ele. Não quero mais nada, só que julga esse caso para tirar meu coração do CTI e começar a viver um pouco. Não tem remédio para essa dor, é orar para Deus tocar no coração para que saia esse julgamento”, diz.

A mãe relembra que prometeu para o filho, ainda em leito, que iria correr atrás de Justiça por ele e é o que pretende para que o caso não caia em esquecimento. Ela estuda fazer nova caminhada e manifestações. “Vou para cima de novo com mais garra ainda porque o que fizeram foi crueldade muito grande, tamanha maldade. Peço para Deus tirar esse sentimento do meu coração”, lamenta, bastante emocionada.

Wesner faria 24 anos no dia 7 de junho deste ano. Na época, o adolescente, que trabalhava no local onde sofreu a agressão, sonhava em servir o Exército, já tinha até se alistado e aguardava ser chamado.

Thiago Giovanni Demarco Sena, dono do lava-jato, e Willian Henrique Larrea, funcionário do local, nem chegaram a ser presos. Na época, logo após a morte, a polícia pediu a prisão preventiva dos dois envolvidos, o que foi negada pelo juiz Carlos Alberto Garcete. Ele alegou que o delegado Paulo Sérgio Lauretto não trouxe “fundamentação quanto à concreta necessidade da prisão preventiva dos envolvidos”.

Durante as investigações, que duraram três meses, 12 pessoas foram ouvidas e o parecer anexado ao inquérito contrariou versão dos agressores e da própria vítima, de que a mangueira do compressor de ar estaria por cima da roupa no momento em que a lesão foi provocada, porém, na análise do delegado, Wesner teria omitido a informação porque estava constrangido.

Mãe fez protesto cobrando por Justiça em frente ao Fórum

Crime

O crime aconteceu no dia 3 de fevereiro de 2017. Na noite do dia 2 de fevereiro, Wesner afirmou para mãe que pegaria carona com Thiago Giovanni Demarco Sena, 23 anos, um dos acusados pelo crime. “Ele falou, mãe me acorda bem cedo que o Thiago vai vir me buscar para ir ao serviço. No outro dia, quando o Thiago estava batendo na porta, senti até uma coisa ruim, mas meu filho foi”, conta Marisilva.

Segundo a peça acusatória, na data de 3 de fevereiro de 2017, por volta das 10 horas, no Lava Jato, localizado na Avenida Interlagos, na Vila Morumbi, a introduziu uma mangueira de ar no ânus de Wesner, causando-lhe ferimentos e em seguida sua morte.

Wesner teria pedido para Willian que comprasse um refrigerante e o mesmo questionou: “De novo? Agora toda hora Coca-Cola!”, e passou a bater na vítima com um pano utilizado para limpar carros, em tom de brincadeira.

Ainda conforme o processo, Wesner pediu para que ele parasse, mas não foi atendido. Em certo momento se afastou, mas foi imobilizado por Willian que o levou até Thiago, que por sua vez, com a mangueira de compressor de ar, retirou a bermuda e cueca da vítima e introduziu o equipamento em Wesner.

Imediatamente o adolescente começou a passar mal e vomitou, sendo levado ao Centro Regional de Saúde do Bairro Tiradentes e, posteriormente, ao Hospital Santa Casa, onde permaneceu internado até dia 14, quando morreu. O laudo apontou que o óbito foi causado por ruptura do esôfago e choque hipovolêmico por hemorragia torácica aguda maciça.

Quando a mãe ficou sabendo, o filho já estava no hospital. “Estava muito inchado, irreconhecível”, relata. “Fiquei esperando ele melhorar, quando um dia me contou o que aconteceu. Falou que eles sempre faziam esse tipo de brincadeira com ele e na última vez, um deles laçou ele com pano molhado e o outro colocou a mangueira”, lembra a mãe.