O Comando Vermelho, alvo de uma operação do Gaeco, na deflagração da Operação Bloodworm, no dia 5 deste mês, tinha uma estrutura montada para a expansão da organização criminosa no Estado, que agia com seus membros do ‘Conselho dos 13', de dentro do presídio Gameleira II, em

Os membros do ‘Conselho dos 13' tinham como presidente detento do Rio de Janeiro, que era o 01. Ele tinha mais de 30 anos de condenação por tráfico de drogas, furto, roubo e porte ilegal de arma. O 02 da lista era o vice-presidente, preso na Gameleira e marido da chefe do RH da facção criminosa em e copeira da ALMT ( do Estado de Mato Grosso).

O vice-presidente tem mais de 44 anos de condenação por homicídio, falsa identidade, roubo e furto. Na sequência da lista, vem o 03 que seria o porta-voz do Comando Vermelho, com mais de 20 anos de condenação, e logo em seguida temos o 04, filho da chefe do RH, que seria o tesoureiro do Comando Vermelho, com mais de 13 anos de condenação.

Desde os últimos meses do ano de 2021, os membros agem para estruturar a organização criminosa no Mato Grosso do Sul tentando aumentar o seu alcance, sendo que para isso, teve início a filiação do maior número de membros para aumentar o poder bélico do Comando Vermelho no Estado. 

A estratégia da facção criminosa era aumentar o alcance com o cometimento de crimes, como roubos, sequestros e tráfico de drogas ilícitas e, ainda, do pagamento de contribuições de seus integrantes, conforme instituído em “regulamento” próprio. A contribuição pedida aos membros era de R$ 50 para ajudar os ‘irmãos'.

Em comunicado no grupo de WhatsApp denominado ‘Tropa do MS', era informado como seria feita a venda nas ‘lojinhas' – as bocas de fumo, e sobre as contribuições para o Comando Vermelho conseguir se fixar no Estado que era descrito como grande rota do tráfico de drogas.

“Visionando o Desenvolvimento e o Bom Funcionamento de Nossa ORGANIZAÇÃO* * CV.MS Pedimos a Todos irmãos e Companheiros CV.MS que Procurarem o Conselho do Estado ou Até Mesmo o Responsável da Sua Quebrada C.V Para Adquirir a Nossa Mercadoria, Assim Almejaremos o Nosso Crescimento no ESTADO Juntamente Com* *a* *Nossa* *Ética* *do* *CV.MS* *Precisamos do apoio de todos nesta luta.* “, dizia parte da mensagem enviada ao grupo.

(Reprodução)

Estrutura do Comando Vermelho

O Comando Vermelho tinha no topo a célula ‘Progresso': responsável por fomentar a parte financeira com o tráfico de drogas, que seus membros comercializavam no interior dos presídios e pela traficância nas chamadas “lojinhas” – bocas de fumo pelas quais inclusive os integrantes da alta cúpula recebem aluguéis – de propriedade da organização criminosa.

Outra forma de captação de recursos era através de crimes, especialmente roubos contra agências e caixas eletrônicos bancários, sendo que, para tanto, os criminosos se utilizam de equipamentos sofisticados e de alto impacto.

Em seguida temos o ‘Paiol': responsável por atuação ininterrupta no comércio ilegal de armas de fogo e artefatos bélicos. Os integrantes deste setor também ficavam responsáveis pela guarda dos materiais bélicos e pela distribuição dentre seus membros quando determinados a cumprirem execuções e confrontarem membros de facções criminosas consideradas inimigas, sendo a mais conhecida o PCC.

Logo abaixo temos o ‘Disciplina': que tem a incumbência de controlar ações praticadas por seus membros e de realizar o julgamento e atribuir possíveis punições contra aqueles que praticarem ações não contempladas em seu próprio “estatuto”.

O quadro também tem a finalidade de monitorar e exterminar membros de facções criminosas consideradas rivais, além de realizar o monitoramento, planejamento e execução de ações atentatórias contra membros do Poder Judiciário, Ministério Público e agentes públicos. 

Expansão do Comando Vermelho em MS

Segundo a denúncia do Gaeco, a “organização criminosa expandiu seus tentáculos e estabeleceu bases territoriais em diversos Estados da Federação, implantando sua estrutura organizacional e hierárquica, o que fez com que seus líderes passassem a exercer grande influência negativa perante outros membros e novos indivíduos cooptados a ingressar na aludida facção, desencadeando ações para fomentar a estrutura bélica e o setor financeiro do grupo criminoso. É importante ressaltar que atualmente, além do Rio de Janeiro, os Estados com a dominância de ações criminosas praticadas pelo Comando Vermelho estão localizados nas regiões Norte (Acre, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima e Amazonas), (Alagoas e Ceará) e Centro-Oeste (Distrito Federal, Tocantins e Mato Grosso), sendo que, com relação ao Estado coirmão o Comando Vermelho tem dominância desde os anos 2000”.

Policial penal denunciado por organização criminosa

O MPMS (Ministério Público Estadual) ofereceu denúncia contra o policial penal, conhecido como ‘Contador do CV', e contra o advogado que negociava drogas para o Comando Vermelho em Mato Grosso do Sul. Os dois e outros integrantes da facção criminosa foram alvos da Operação Bloodworm, deflagrada no dia 5 deste mês, contra o Comando Vermelho, no Estado.

Na denúncia da 2ª Vara Criminal, oferecida nessa segunda-feira (22), o policial penal foi indiciado por integrar facção criminosa e corrupção passiva. O ‘Contador do CV' era o responsável por deixar entrar na Gameleira de segurança máxima celulares para os presos. Ele tinha encontros com a chefe do RH do Comando Vermelho, no Estado, onde recebia propinas para fazer o serviço.

Na denúncia do Gaeco é apontado que o policial penal, que foi preso no dia da operação, tem estreita ligação com o filho da chefe do RH do Comando Vermelho, que está preso na Gameleira, sendo o 04 do ‘Conselho dos 13'. O agente negociaria com os presos a entrada de celulares para o uso dos detentos.

Grupo dos Gravatas 

O advogado também alvo da operação fazia parte do grupo ‘gravatas' da facção. Ele teve ligações interceptadas onde foi descoberto que ele negociava drogas para a facção. O advogado foi denunciado por organização criminosa, corrupção ativa e associação para o tráfico. 

O grupo dos ‘gravatas' era composto por quatro advogados, sendo dois advogados de Campo Grande e um estagiário de Dourados. Uma outra advogada de Várzea Grande, no Mato Grosso, exercia grande influência dentro da facção criminosa, sendo chamada para momentos críticos e solução de questões da facção.

Um dos advogados em Campo Grande teve as ligações interceptadas, nas quais ele conversa com a chefe do RH do Comando Vermelho sobre o valor que seria vendido o quilo da droga. Nas conversas, a droga era chamada de ‘feijão' para não levantar suspeitas. O valor estava sendo negociado de R$ 600 a R$ 700.

Em uma das conversas da chefe do RH com o advogado, ele demonstra preocupação com o valor repassado ao traficante para a negociação da droga. “DONA XXX, uma pergunta que, QUE A SENHORA ACHA QUE DÁ PARA FAZER COM AQUELA QUESTÃO DO DO XXX é, EU ACHO QUE EU PASSEI OS VALORES PARA A SENHORA, que a senhora acha que dá para fazer ali? ATÉ PORQUE EU E A SENHORA PRECISAMOS GANHAR ALGUMA COISA TAMBÉM, NÃO É? Vamos ganhar junto é diferente, entendeu?”.

Chefe do RH do Comando Vermelho era copeira na ALMT

A denúncia do Gaeco traz que a copeira seria responsável pelo setor de ‘Cartório de MS', ou seja, ela recrutava os novos membros para a facção, controlando o gerenciamento dos integrantes, como também tinha influência no setor ‘Progresso' que trata da parte financeira da facção com contribuições dos faccionados. 

A copeira ainda participaria do setor ‘Disciplina', onde eram aplicadas as punições aos transgressores. O Gaeco aponta a terceirizada da Assembleia Legislativa do Mato Grosso como atuante no setor ‘Gravatas' ligado aos advogados da facção. 

A mulher teria também atuado na cooptação de policiais penais para a introdução de produtos ilícitos na Gameleira II. A denúncia ainda revela que a copeira tem marido e filho presos em Mato Grosso do Sul.

Operação Bloodworm

A operação foi deflagrada no dia 5 deste mês. Foi descoberto que agentes policiais penais e advogados estavam a serviço da facção criminosa. Segundo informações, o MPMS (Ministério Público Estadual) investigou por cerca de 15 meses e foi possível descobrir investidas tímidas no Estado, para estruturar e expandir a facção em Mato Grosso do Sul.

Ao todo, foram cumpridos 92 mandados de prisão preventiva e 38 mandados de busca e apreensão, em Campo Grande, Ponta Porã, Coxim, Dourados, Rio Brilhante, Sonora, São Gabriel do Oeste, e Dois Irmãos do Buriti, além do Rio de Janeiro, Goiânia, Brasília, Paulo de Faria, Várzea Grande, Cuiabá, Sinop, Cáceres, Marcelândia, Primavera do Leste, Vila Bela da Santíssima Trindade e Mirassol d'Oeste, no Mato Grosso.

O uso de celulares e as ações de “pombo-correio” feitas por advogados que integravam a facção – os gravatas – permitiam o contato entre os faccionados presos e seus comparsas em liberdade, a fim de traçar o planejamento de crimes como roubos, tráfico de drogas e comércio de armas, que foram reiteradamente praticados e comprovados durante a investigação, cujo proveito serviu para o fortalecimento do Comando Vermelho MS.