Aparecida Anuanny Martins de Oliveira foi assassinada aos 18 anos de idade, em 6 de março de 2007. O crime, que agora completa 18 anos, só teve desfecho em 2019, quando Eduardo Dias Campos Neto foi condenado.

A jovem vivia em com a família e se mudou para Campo Grande aos 14 anos, junto com um primo. Foi na Capital que ela conheceu Eduardo e os dois começaram a namorar e logo foram morar juntos.

Já aos 15 anos, Aparecida engravidou. Quando aguardava o julgamento de Eduardo, irmã da vítima lembrou que o do casal foi marcado por brigas e agressões.

Ainda segundo ela, Eduardo proibia a vítima de ir até a casa da família e até mesmo de manter contato com outras pessoas. Aparecida não podia nem trabalhar.

Foto: Henrique Arakaki/Arquivo Midiamax

Certa vez, passou o dia na casa da irmã e ao fim da tarde Eduardo passou para buscá-la. Neste dia, a jovem foi agredida pelo namorado, na frente da irmã.

“Foi a primeira agressão que eu vi. Ele foi buscar ela e na frente da casa a puxou pelo cabelo e jogou em cima do carro”, contou a irmã de Aparecida no julgamento.

Depois disso, a família soube que Eduardo teria levado Aparecida até o Inferninho, onde fez ameaças de morte. Em outra ocasião, a irmã lembrou de ter visto a vítima com vários hematomas no braço por conta de agressões do namorado.

Crime anunciado

Ainda naquele dia 4 de outubro de 2019, quando Eduardo era julgado pelo assassinato, a irmã de Aparecida contou que o casal estava separado no dia do crime. A jovem tinha voltado a morar com a mãe em Anhanduí.

Assim, no dia 3 de março de 2007, um sábado, ele pediu que o filho fosse passar o fim de semana com ele, então a mãe da vítima levou a criança. Segundo a irmã de Aparecida, Eduardo chegou a ligar para a vítima dizendo que a criança estava com febre.

Ele teria feito isso na tentativa de fazer a jovem ir até o apartamento dele. Aparecida só foi ao apartamento de Eduardo no domingo, dia 4, quando almoçou com ele e a criança.

Depois, Aparecida foi embora e Eduardo teria procurado a ex-cunhada, dizendo que queria retomar o relacionamento com a vítima e pedindo ajuda. Ele teria dito: “Se ela não for minha, não vai ser de mais ninguém. Eu mato ela”.

A vítima retornou ao apartamento na segunda-feira de manhã, dia 6 de março, quando os dois discutiram e ela foi assassinada. Familiares contaram que as ameaças já tinham acontecido outras vezes, mas que eles não acreditavam que Eduardo seria capaz de cometer tal crime.

“Erramos por não termos denunciado”, disse uma prima de Aparecida no dia do julgamento. Após o crime, Eduardo conseguiu fugir para o Paraguai, onde permaneceu por 10 anos.

Pedido de desculpas

Foto: Henrique Arakaki/Arquivo Midiamax

Eduardo chorou diante do júri e confirmou o homicídio, chegando a pedir desculpas. A todo momento ele dizia que “não tinha a intenção de matar” a vítima.

Nos autos do processo consta que ele matou a ex-namorada asfixiada, após dar um golpe de mata leão nela. Porém, afirmou que apenas segurou a vítima, que o agredia.

Segundo o acusado, o casal não estava separado no dia do crime e a vítima teria dormido fora de casa, chegando no outro dia de manhã. Em briga, a vítima teria agredido Eduardo com um tapa o que, segundo ele, o fez “perder a cabeça”.

Após matar a jovem asfixiada, ele escondeu o corpo no sofá-cama do apartamento, que só foi encontrado três dias depois. No plenário, o acusado pediu desculpas pelo crime e se disse arrependido ao júri.

Prisão e julgamento

Eduardo fugiu para o Paraguai após o crime e lá constituiu família. Ele contou que trabalhava em uma fazenda e em meados de 2015 descobriu que estava com câncer no osso.

Como precisou ir ao território brasileiro para exames, acabou reconhecido e preso em agosto de 2017, quando o processo foi retomado.

Desde então, ele aguardava o julgamento em domiciliar, por conta do tratamento do câncer. Em 2019, Eduardo foi condenado pelo homicídio de Aparecida, a cumprir mais de 20 anos de prisão.

No entanto, em 2021 foi expedida guia de recolhimento definitiva, após a defesa ter entrado com recurso. A decisão da 3ª Câmara Criminal foi de extinguir punibilidade sobre o crime de ocultação de cadáver, reduzindo a pena final para 18 anos de reclusão.

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