O relatório do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) sobre as mensagens trocadas entre o padrasto e a mãe de Sophia OCampo, morta aos 2 anos, em janeiro deste ano, em , revelam torturas e até ameaças feitas pelo padrasto sobre quebrar o pescoço da menina.

Em agosto deste ano, foi determinado ao Gaeco que fizesse a recuperação das mensagens enviadas pelo casal antes da morte de Sophia. No relatório enviado à Justiça, nesta terça-feira (31), são descritos torturas e espancamentos cometidos pelo padrasto contra a menina. 

Em uma das mensagens recuperadas pelo Gaeco, o padrasto conta que bateu de cinto tanto em Sophia como no filho, “foram chicotadas cabulosas”. As agressões foram porque as não queriam comer, sendo colocadas em pé em volta do carrinho do outro bebê até que comessem. 

A mãe de Sophia em resposta diz: “deixa ela sem comer, deixa passar fome”. Mas o padrasto afirma que vai fazer ela comer: “ela vai comer, vai comer, está de palhaçada comigo”. Ele ainda diz que o cinto estalou quando bateu nas crianças, e que se fosse cinto de couro teria sangrado os dois. 

Em outra mensagem do dia 26 de julho de 2022, o padrasto fala que bateu novamente em Sophia com chineladas, depois que a menina teria brigado com o filho dele. Já em agosto de 2022, o homem diz que vai quebrar o pescoço de Sophia.

A mãe da menina em outra ocasião diz: “vou tacar a Sophia na parede”. E o padrasto da menina responde para a mulher: “pega o celular e diz que vai ligar para mim, ameaça ela”. Ainda em agosto de 2022, a mãe de Sophia questiona o marido sobre uma marca de mordida no braço da menina, e ele responde: “sabe que não controlo a mordida, ela é macia demais”.

No dia 16 de novembro, em mais uma mensagem enviada do padrasto da menina para a mãe de Sophia, ele fala que deu uma surra na criança, e que percebeu que ela ficou com um galo na cabeça e estava com a boca sangrando. 

Caso Sophia (Reprodução, Processo)

Denúncia de maus-tratos

A nova denúncia de maus-tratos foi oferecida pelo promotor Marcos Alex Vera, no dia 9 de setembro deste ano, por tortura. O promotor fala em sua decisão sobre o padrasto de Sophia, “ciente da ilicitude e reprovabilidade de sua conduta, submeteu a menor impúbere Sophia de Jesus Ocampo, sua enteada, com 02 (dois) anos de à época dos fatos, a qual estava sob sua guarda, poder e autoridade, com emprego de violência, a intenso sofrimento físico, como forma de aplicar-lhe castigo pessoal, produzindo-lhe as lesões corporais descritas às fls.do Prontuário ”.

Já em relação à mãe da menina, o promotor discorre que “a genitora da vítima, ciente da ilicitude e reprovabilidade de sua conduta, e tendo o dever legal de impedir o resultado, se omitiu em face da tortura praticada pelo co-denunciado contra a vítima Sophia de Jesus Ocampo”. 

A denúncia de tortura contra o padrasto e a mãe de Sophia veio após um episódio em que a menina teve a perna quebrada a chutes pelo autor e que foi presenciada pelo filho dele que prestou depoimento falando sobre os fatos. “Foi meu pai, meu pai que chutou ela pra rua, chutou ela duas vezes, aí deixou ela machucada”.

Ainda segundo a denúncia, a mãe de Sophia deixou a menina com a perna quebrada e sentindo dor por um dia todo, só a levando para atendimento médico no dia seguinte. Quando a criança foi atendida, a mãe teria relatado que a filha havia caído no banheiro. De acordo com a denúncia, as agressões contra Sophia eram habituais.

“Pelo prontuário médico da vítima, bem como pelos demais depoimentos, reunindo indícios suficientes para o oferecimento de denúncia”, diz o promotor. E por último fala o MPMS: “Deixa o Ministério Público de apresentar proposta de Suspensão Condicional do Processo e de Acordo de Não Persecução Penal ANPP, ante a ausência do requisito objetivo”.

Morte de Sophia

A menina, que já havia passado por diversas internações, morreu em janeiro deste ano. As investigações mostraram que Sophia foi levada pela mãe a uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), já sem vida. A mulher chegou ao local sozinha e informou o marido sobre o óbito.

Uma testemunha afirma que depois de receber a informação sobre a morte de Sophia, o padrasto teria dito a frase: “minha culpa”.

Uma das contradições apontadas na investigação é o fato da mãe ter afirmado que antes de levar a filha para atendimento médico, a menina teria tomado iogurte e ido ao banheiro.

A versão é contestada pelo médico legista que garantiu que com o trauma apresentado nos exames, a criança não teria condições de ir ao banheiro ou se alimentar sozinha. A autópsia também apontou que Sophia pode ter agonizado por até seis horas antes de morrer. O padrasto e a mãe da menina são acusados do crime e estão presos.

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