Ainda chocada com o crime, a ex-namorada de Jheferson Luiz Nogueira da Paixão, de 31 anos, falou, na manhã deste domingo (23), sobre o relacionamento conturbado e ameaças de morte que sofria do rapaz assassinado a tiros no portão da residência dela, no bairro Mata do Jacinto, em Campo Grande.

Sem querer se identificar, a jovem relata que o foi rápido e o conheceu pelo Facebook, enquanto ele estava preso. Assim que foi solto, as agressões e ameaças passaram a ser constantes. Ela tentava sair do relacionamento, mas Jheferson estaria ameaçando a família.

“Em três meses, ele me batia, puxava a , fala ‘vou te matar, te judiar'. Eu tinha muito medo, ele falava que iria botar fogo na minha casa, que ia dar um tiro na minha cara. Tenho todos os prints de todas as conversas”.

A moça afirma que tentou se afastar, depois da primeira agressão, procurou a polícia e registrou um boletim de ocorrência, mas Jheferson teria insistido que iria melhorar, então a primeira queixa foi retirada.

“Na última agressão pediu para retirar [queixa], mas não retirei. Ele não podia chegar a 300 metros de mim. Eu tinha bloqueado ele, mas ele comprou outro chip. Me disse que ia acabar com tudo”.

Medo constante

Na noite de sábado, ela foi surpreendida com barulhos no portão, enquanto estava com amigas. Ela não saiu e, pouco depois, ouviu os disparos. Quando saiu no portão, viu ele ensanguentado. Acionou o socorro, mas Jheferson estava sem vida.

“Ele balançava, chutava o portão. Minha sorte é que estava trancado, se esse cara entra aqui… Só tinha mulheres, ele podia pegar uma faca e fazer algo, porque ele me falava que ia matar minha irmã na minha frente, matar minha ”.

A mãe lamentou a situação e disse que viviam amedrontadas pelas ameaças do rapaz. “Eu emagreci oito quilos de tanto que tinha medo. Pedia para Deus o livramento da minha filha”, conta.

Inimizades e ameaças

A ex esclarece que Jheferson estaria sendo perseguido e ameaçado de morte de inimizades do bairro Zé Pereira. Pelo site do Tribunal de Justiça, ele respondia por crimes de roubo e de tentativa de homicídio, contra o padrasto.

“Tentaram matar ele, ele tem muito inimigo lá. Ele me contou que matou o primo do cara que estava atrás dele, há três anos. Ele falava que já tinha matado nove pessoas e tentativa sete. Falava ‘não tenho medo de polícia, acha que vou ter medo da [lei] Maria da Penha? Eu te mato'. Por isso eu tinha muito medo dele”.