Os três membros de uma quadrilha que aplicava golpe do falso consórcio saiu da cadeia sob fiança de R$ 3.024. A já tinha feito 500 vítimas em Mato Grosso do Sul. A aconteceu na quarta-feira (31), por policiais da Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo).

Uma das integrantes presa pagou fiança de R$ 600 e os outros dois, um salário mínimo cada um. Eles estão proibidos de manter contato com as vítimas. A quadrilha atuava há cerca de 2 anos e tinha duas ramificações, sempre mudando de endereço para não ser encontrada. Uma das líderes do grupo veio de Corumbá para a Capital, e daí os dois grupos foram criados.

De acordo com o delegado Reginaldo Salomão, a quadrilha ostentava luxo em redes sociais, com viagens para resorts na Bahia, carros e roupas de luxo. Pelo menos quatro vítimas foram lesionadas em mais de R$ 60 mil reais. 

Uma das vítimas, de 43 anos, procurou a delegacia na manhã desta sexta para registrar um boletim de ocorrência contra o grupo criminoso. O homem contou que no dia 29 de agosto viu um anúncio na OLX, e foi até a empresa.

Lá ele foi atendido e comprou uma carta de crédito no valor de R$ 25 mil dando R$ 8 mil de entrada. O atendente pediu um prazo de sete dias para que o dinheiro fosse repassado à garagem, onde a vítima iria adquirir o carro. Mas, depois, ele percebeu que havia caído em um golpe praticado pela quadrilha.

Durante a prisão de três integrantes da quadrilha, a polícia apreendeu celulares, notebooks e documentos, inclusive uma agenda com mais de 100 nomes de possíveis vítimas dos estelionatários.

A polícia chegou até a quadrilha após uma grávida, que havia comprado uma carta de crédito e não recebido o carro no prazo, procurar a delegacia. Quando os policiais foram até a empresa para intimar a presença na delegacia e esclarecer os fatos perceberam se tratar de estelionatários.

Como a quadrilha agia

O grupo alugava salas, decorava de forma luxuosa, e anunciava no “Marketplace do Facebook” veículos e imóveis expostos à venda na internet, parcelados no boleto. Os interessados clicavam no anúncio e eram direcionados para a atendente via aplicativo de troca de mensagens WhatsApp. 

Quando a vítima comparecia para fazer negócio, os golpistas falavam que já havia sido vendido, mas que eles poderiam comprar uma carta de crédito e repassar o valor para a vítima, mediante entrada e parcelas, e que esse valor seria entregue no máximo em três dias.

A empresa utilizada pelo trio não está autorizada pelo Banco Central a atuar nesse mercado, e o local não possui autorização dos órgãos de controle para funcionar, de forma que o Procon/MS lacrou a empresa.

Autofinanciamento também foi alvo da polícia

No dia 19 de agosto, uma empresa foi lacrada pelo e Decon, indiciando os proprietários da empresa. Eles aplicavam o golpe do autofinanciamento que, na verdade, se trata de crime de estelionato. Pois a vítima é induzida a adquirir um consórcio como se fosse um financiamento ou a vítima efetua inúmeros pagamentos e os estelionatários se apropriam do dinheiro, mudam de endereço e o nome da empresa.

Após a assinatura do contrato, os vendedores ficavam “enrolando” a vítima, dizendo que estavam em contato com a “matriz” para agilizar a liberação do valor (que nunca era liberado). Quando a vítima solicitava o cancelamento e a devolução do valor pago, era informado que era preciso fazer uma solicitação por escrito e seria devolvido somente a metade do valor pago após alguns meses.

Em maio deste ano, duas empresas localizadas na Rua Abrão Júlio Rahe, em Campo Grande, foram interditadas e os proprietários e funcionários investigados por estelionato. As empresas são suspeitas de oferecerem financiamento de veículos e imóveis aos clientes e, ao invés disso, vendiam consórcios enganando as vítimas.

As vítimas, que registraram boletins de ocorrência por estelionato, contaram que eram atraídas por meio de anúncios nas redes sociais. Eram oferecidos financiamento de veículos e imóveis, e as vítimas pagavam um valor de entrada e assinavam o contrato, porém o contrato assinado, na realidade, era de consórcio.

Ainda de acordo com a polícia, após a assinatura do contrato os vendedores ficavam “enrolando” as vítimas, dizendo que estavam em contato com a matriz para agilizar a liberação do valor (que nunca era liberado).