Polícia

Dono de agência filmou ao menos três vítimas escondidas durante ensaios fotográficos

Judiciário ainda não autorizou busca e apreensão de materiais

Renata Portela e Marcos Tenório Publicado em 05/01/2022, às 15h21

Casos são investigados na Deam
Casos são investigados na Deam - (Arquivo, Midiamax)

Segue em investigação o caso de um fotógrafo e dono de uma agência de modelos de Campo Grande, acusado de fazer filmagens de maneira oculta das modelos e outros clientes. O caso veio à tona após uma modelo procurar a delegacia em 6 de dezembro, mas outras duas vítimas também já denunciaram o homem, que ainda não foi ouvido.

Segundo a delegada Ana Paula Trindade, da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), além da modelo um casal, de 21 e 28 anos, também denunciou que teria sido vítima do homem ao fazer um ensaio de grávida. Uma terceira vítima ainda procurou a polícia, mas registrou a denúncia na Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente).

Ainda conforme a delegada, há suspeita de que, além das vítimas adultas, o homem também tenha filmado crianças e adolescentes, já que ele fazia os ensaios fotográficos na agência. O autor, até o momento, não foi ouvido. Isso porque o pedido para que seja expedido mandado de busca e apreensão contra ele ainda não foi deferido pelo Poder Judiciário.

Há suspeita de que, sabendo da repercussão do caso, o acusado já tenha se livrado do material. A modelo que revelou o caso conseguiu filmar do computador do acusado as imagens em que ela aparece se trocando e a prova já configuraria o crime de registro não autorizado de intimidade sexual.

Relembre as denúncias

No dia 6 de dezembro, a modelo de Campo Grande acionou a Polícia Militar após perceber que estava sendo filmada no provador da agência. Em desabafo nas redes sociais, ela contou que foi até a agência para renovar as fotos do portfólio.

“Nunca tive motivos para desconfiar dessa agência”, declarou. Após aproximadamente cinco trocas de roupas, depois de fazer várias fotos, ela desconfiou de um notebook que estava na sala de provador. Segundo a vítima, o aparelho estava ligado, tocando música.

No entanto, ela percebeu a luz verde da câmera ligada, quando foi olhar o notebook e encontrou o aplicativo da câmera, que estava aberto e gravando a vítima. Ela contou ainda que tudo tinha sido gravado, desde a hora que ela chegou. “Deu para ver o dono da agência ajeitando a câmera, pelas gravações”, afirmou.

A modelo chamou a irmã que também estava na agência e elas gravaram as imagens pelo celular, como prova do ocorrido. Em seguida, acionaram a assessora, que chamou a Polícia Militar. “Passamos medo, porque só estávamos nós e o dono da agência”. Os policiais conduziram o homem para a Deam, onde foi registrado boletim de ocorrência. A modelo ainda declarou que iria fazer fotos com a filha naquele dia. “Podia ter trocado as roupas dela ali sem perceber, graças a Deus não deu tempo”, disse.

Já a jovem de 21 anos contou que ela e o marido decidiram fazer o ensaio da gravidez e procuraram a agência, que fica na Rua Rui Barbosa, em junho. No ensaio, ela percebeu o notebook com a tela apagada e a luz da câmera piscando e questionou o dono da agência, que é o fotógrafo. Ele disse que o notebook estava ligado para tocar música. Na hora da troca de roupa, eles perguntaram onde ficava o banheiro e o suspeito disse para eles trocarem ali mesmo no local das fotos, que ele fecharia uma cortina.

O casal acabou aceitando e se trocou, sem a presença do fotógrafo, mas com o notebook apontando em direção a eles. Por fim, o fotógrafo ainda pediu para tirar uma foto com eles, fato que deixou as vítimas desconfortáveis e desconfiadas. O casal procurou a polícia após a denúncia da modelo, mas não conseguiu as imagens.

Jornal Midiamax