Polícia

Morto em troca de tiros estava com tornozeleira até o Natal e usou droga com jovem em parque

Adolescente sobrevivente prestou depoimento e retornou para Unei após 28 dias

Graziela Rezende Publicado em 31/12/2021, às 15h20

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Guarda Municipal/Divulgação

O adolescente de 17 anos, envolvido no roubo de um carro que resultou na morte do outro assaltante, nessa quinta-feira (30), em Campo Grande, prestou depoimento na Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (Deaij) e, em 20 minutos, contou todos os detalhes da ação criminosa para a polícia.

No depoimento, ele contou à delegada Daniela kades, titular interina da unidade policial, que estava no Parque das Nações Indígenas com o suspeito, horas antes do crime. Eles então teriam usado pasta-base de cocaína e decidiram seguir rumo ao bairro Tiradentes, onde um deles morava. 

Durante o caminho, no entanto, o suspeito teria dito ao adolescente que ia parar e então atravessou a rua. “O adolescente alegou que não sabia. Falou que o homem só parou e disse que ia fazer uma fita. Em seguida, houve o assalto, a troca de tiros e o adolescente fala que encontrou com a viatura da polícia, até que houve o acidente”, explicou Kades ao Jornal Midiamax. 

O adolescente, que já possui 7 antecedentes criminais por tráfico de drogas, comentou que tinha saído da Unei há 28 dias. “Ele saiu e já estava cometendo crime. Da mesma forma, ele contou que o outro envolvido estava de tornozeleira, até pouco antes do Natal”, disse a delegada. 

Adolescente foi apreendido escondido em galpão - Foto: Divulgação/ GCM

Desde ontem, a delegada fala que a polícia está atuando para qualificar o suspeito morto. “Acredito que, pela digital, logo ele será identificado. A vítima o reconheceu por fotografia e o adolescente também falou o apelido dele, bem como verificamos uma tatuagem no braço que pode ajudar a identificá-lo”, comentou. 

Sobre a ação criminosa, Kades fala que a polícia deve ter acesso a imagens de câmeras do condomínio, onde mostram a abordagem dos suspeitos. 

Homem tentou atirar, diz polícia

Foi identificado inicialmente como sendo um homem de 36 anos, o homem morto em confronto com a Polícia Militar na tarde de quinta-feira, na BR-163 entre Campo Grande e o distrito de Anhanduí. Ele teria roubado um carro na região central da cidade e fugia, acompanhado de um adolescente de 17 anos que acabou apreendido.

Conforme apurado pelo Midiamax, consta no registro o nome Balbino Baiano. Não foram encontradas passagens relacionadas ao suspeito, que morreu ferido com tiro no peito após tentar atirar contra os policiais militares e a arma falhar. Os agentes revidaram os disparos e, ferido, o homem ainda foi socorrido e levado para uma unidade de saúde, mas não resistiu.

Roubo e fuga

O assalto teria acontecido no início da tarde, quando a dupla roubou o Ford Ka branco. Na fuga, o motorista fazia zigue-zague pela estrada, tentando tirar os outros veículos da pista, bem como tentando provocar um acidente, segundo relato da Polícia Militar.

Foi feito um cerco e a ação contou com equipes da 6ª CIPM (Companhia Independente da Polícia Militar), 10º Batalhão, Batalhão de Choque, PRF (Polícia Rodoviária Federal) e Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais). Equipe da PM percebeu que o suspeito fazia as manobras na pista e parou com a viatura na pista, montando uma barreira.

Mesmo assim, o motorista ainda tentou jogar o carro contra a equipe, que atirou duas vezes. Os disparos atingiram a frente do carro e o motorista só parou já nas margens da pista. Os ocupantes do carro desceram e correram para um matagal. O homem de 36 anos foi abordado e atirou contra os policiais, mas a arma falhou.

O suspeito foi atingido por disparos após os policiais revidarem e foi levado para a UPA, mas não resistiu. O adolescente foi encontrado escondido em um galpão, por equipe da Guarda Civil Metropolitana. Ele foi levado para a Deaij (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude) e não teria dado declarações sobre o fato.

O caso foi registrado como roubo majorado pelo concurso de pessoas, homicídio decorrente de oposição à intervenção policial e roubo majorado pelo emprego de arma.

Jornal Midiamax