Polícia

MS descarta pedir ajuda ao Exército e Força Nacional e 8 especializadas vão reforçar segurança na fronteira

Policiais que participam da Operação Hórus serão enviados para faixa da fronteira após homicídios

Danielle Errobidarte Publicado em 13/10/2021, às 17h18

Em um dos ataques, quatro pessoas foram mortas
Em um dos ataques, quatro pessoas foram mortas - (Foto: Reprodução/ ABC Color)

O Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública), descarta pedir auxílio da Força Nacional e do Exército para reforçar as forças de segurança na região da fronteira com o Paraguai, após a série de homicídios ocorridos desde o último fim de semana. Policiais de oito especializadas trabalharão em conjunto com a Polícia Paraguaia.

Segundo o secretário Antônio Carlos Videira, policiais do Bope (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar), Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Bancos Assaltos e Sequestros), Batalhão de Choque, DOF (Departamento de Operações da Fronteira), Polícia Rodoviária Estadual, Defurv (Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos), Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) e PMA (Polícia Militar Ambiental), que participam da Operação Hórus, do Ministério da Justiça, serão enviados para as cidades-gêmeas.

Quanto ao pedido de envio da Força Nacional e Exército, o secretário afirmou que não tem pretenção de solicitar, pelo menos por enquanto. "As mortes foram em território paraguaio e nossas forças policiias reforçam a segurança de Ponta Porã até Sete Quedas".

As cidades que receberão o efetivo são Coronel Sapucaia, fronteira com Capitán Bado, Ponta Porã, fronteira com a cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero e Paranhos, com Ypejhú, e Sete Quedas, fronteira com Pindoty Porã.

Ainda conforme o secretário, o único homicídio ocorrido no lado brasileiro - do vereador de Ponta Porã Farid Afif - é investigado pela DEH (Delegacia Especializada de Homicídios). "A princípio, o homicídio do vereador não tem nenhuma ligação com os quatro homicídios ocorridos em Pedro Juan Caballero", afirmou em referência ao atentado ocorrido no sábado (9), que vitimou a filha do governador do Departamento de Amambay, Haylée Carolina Acevedo, de 21 anos.

As equipes permanecerão na linha internacional por tempo indeterminado e operam em sintonia com a Polícia Nacional Paraguaia.

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(Foto: Reprodução/ Capitan Bado)

Mortes de policiais

Os policiais Hugo Ronaldo Acosta, de 32 anos, foi executado na noite desta terça-feira (12) em Pedro Juan Caballero com 36 tiros de pistola 9mm. De acordo com o médico Marcos Pietro, o policial teve traumatismo craniano, pois a maioria dos tiros atingiu a sua cabeça — ele também foi ferido no abdômen, tórax e braços. Hugo morreu no local antes do socorro. A arma do policial foi levada por um desconhecido.

os pistoleiros estavam em uma camionete no bairro San Juan Neuman quando cercaram o policial, que estava em um Voyage sem placas. Ele estava trabalhando na 10ª Comissaria. Logo após o assassinato, uma camionete Toyota de cor azul foi encontrada incendiada. O carro estava com queixa de roubo do dia 11 de setembro. 

Na manhã do mesmo dia (12), o suboficial da polícia paraguaia Pastor Miltos morreu após ser atingido por tiros no departamento de Amambay, no Paraguai. O policial estaria ligado ao suplente de deputado Carlos Rubén Sánchez Garcete, conhecido como Chicharô, morto fuzilado com centenas de tiros no dia 7 de agosto deste ano, durante briga pelo domínio territorial em Capitán Bado, divisa com a cidade sul-mato-grossense Coronel Sapucaia.

Ameaças à servidores de penitenciária

Momento antes de Hugo Ronaldo ser morto, a Polícia Nacional investigava um ataque contra uma residência. Além dos tiros disparados contra a casa que fica no Jardim Aurora, cuja identidade dos moradores não foi revelada, um bilhete com ameaças foi deixado nas proximidades.

A mensagem, que seria dirigida a uma pessoa identificada como Riki — que seria servidor da Penitenciária Regional de Pedro Juan Caballero — era a seguinte: “Para de oprimir a população lá dentro porque vms pegar vcs como pegamos anteriormente os compañeros seus”. 

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(Foto: Edcarlos/ Porto Murtinho Notícias)

Ameaças e pichações

A entrada da cidade de Porto Murtinho, a 454 quilômetros de Campo Grande, amanheceu, nesta quarta-feira (13), com pichações de ameaças a policiais militares pela facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Entre o fim de semana e terça-feira (12), sete pessoas foram assassinadas na fronteira, entre elas o vereador Farid Afif e a filha do governador de Amambay. 

A pichação diz que um cabo da PM e um sargento são safados e faz ameaças aos dois militares. Em contato com o sargento, ele disse para o Jornal Midiamax, que há 1 mês cerca de oito postes próximos 300 metros de onde mora também foram pichados com as iniciais da facção.

O sargento ainda relatou que nunca sofreu um atentado nos 30 anos de carreira, mas que já comunicou a chefia imediata sobre a pichação e que vai registrar um boletim de ocorrência sobre o fato. "Agora é ficar em alerta", disse o militar que foi responsável por várias prisões de membros da facção criminosa, na cidade.

Vereador baleado e um morto

Na manhã desta quarta-feira (13), atentado a tiros matou Juan Bosco Gómez, na manhã desta quarta-feira (13), em Capitán Bado, na fronteira com Coronel Sapucaia, e ocorreu enquanto as vítimas tomavam tereré na calçada de uma residência. As outras duas vítimas foram o vereador paraguaio Ismael Valiente - precisou ser transferido para um centro de saúde devido à gravidade dos ferimentos - e um homem de 84 anos, identificado como Hermenegildo López. Ele foi ferido com dois tiros na perna e o estado de saúde é considerado estável. Já o vereador Ismael Valiente foi atingido com tiro no braço e no rosto.

Conforme o ABC Color, os pistoleiros chegaram à residência e, sem dizer uma palavra, dispararam vários tiros contra eles, de pistolas calibre 9 mm. Após o ataque, eles fugiram rapidamente do local. O vereador seria o alvo dos pistoleiros.

Após serem atendidos no Centro de Saúde de Capitán Bado, a morte de Juan Bosco Goméz foi confirmada pela Polícia Nacional. Ele foi atingido na cabeça e no tórax. Até o momento, não existem informações sobre o que teria motivado o ataque.

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Vereador paraguaio está em estado grave (Foto: Reprodução)

Vereador morto 

O vereador Farid Afif (integrante do então partido DEM, que se transformou no União Brasil), foi morto no final da tarde da última sexta-feira (8), em Ponta Porã, a 346 quilômetros de Campo Grande. 

Imagens de câmeras de segurança mostram o momento da execução e, conforme o registro dos vídeos, Afif pedalava pela Rua Paraguai, quando, em frente a uma concessionária de veículos, foi surpreendido pelo pistoleiro que se aproximou de moto, por trás, e começou a atirar. A vítima ainda tentou correr para o estabelecimento para se proteger, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Na sequência, o atirador segue caminho e foge. Ele realizou os disparos de uma distância tão curta que sequer precisou descer da moto para cometer a execução. Em outro trecho das imagens, é possível ver pessoas correndo assustadas. Antes de ser morto, o vereador chegou a fazer um vídeo incentivando as pessoas a pedalar.

Após o ocorrido, a Câmara Municipal de Ponta Porã emitiu uma nota de pesar: “É com imenso pesar que esta Casa de Leis comunica a morte do Vereador Farid Afif, ocorrido nesta data, 08 de outubro. Neste momento de dor e luto, rogamos a Deus, que conforte os corações de seus familiares e amigos”.

O prefeito Helio Peluffo Filho (PSDB) lamentou o assassinato de Afif, seu líder no Legislativo. "Ele era um agente público. Estamos chocados, é hora de reconfortar e apoiar a família, a Câmara está em luto. Falei com ele hoje às 16h, ele está com um amigo em comum. Mandou uma foto, estava de bicicleta", disse o prefeito. Ainda não há informações sobre autoria e motivação do crime.

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4 pessoas morreram em chacina (Foto: Reprodução)

4 mortos em chacina

Pelo menos 100 disparos de diversos calibres foram feitos contra um SUV Trailblazer, na noite de sábado (9) em Pedro Juan Cabellero. Morreram na hora Kaline Reinoso, anos, Osmar Vicente Álvarez Grande, o 'Bebeto', Rhannye Jamilly e Haylée Carolina Acevedo Yunis, filha do governador do Departamento de Amambay. 

O subcomandante da Polícia Nacional do Paraguai, coronel Gilberto Fleitas, afirmou ao ABC Color que não há relação da chacina com outros ataques acontecidos na fronteira, em referência à morte do vereador de Ponta Porã Farid Affif, também no sábado (9).

Conforme apurado pela Futura Fm, de Amambay, a residência fica na colônia Cerro Cora'i, e está há uma quadra da fronteira. Segundo o chefe policial da operação, todos são brasileiros. 

O atentado que matou quatro pessoas estaria relacionado a um conflito interno entre 'Bebeto' - Osmar Vicente Álvarez Grance -, uma das vítimas, e um grupo dedicado ao narcotráfico no Brasil. "Seria mais uma questão interna ligada ao mercado brasileiro. Haveria um confito com esta pessoa, Bebeto", afirmou.

A caminhonete foi localizada em uma estrada vicinal na Colônia Virgen de Caacupé, após moradores acionarem a polícia. Chegando ao local, os policiais verificaram que o veículo tinha características similares ao que teria sido utilizado no atentado e foi identificado durante as investigações.

O diretor da polícia de Amambay Carlos Miguel López Russo, foi pessoalmente ao local do achado. A caminhonete tem placa brasileira e trata-se de uma Toyota Hilux, ano 2014/2015, da cidade de Bauru-São Paulo.

O veículo foi encontrado horas depois de membros da equipe de investigação afirmar que tinham fortes indícios para esclarecimento do crime, mas que não daria maiores informações para não atrapalhar o andamento.

Carro furtado

O carro utilizado pelas vítimas da chacina tem placas da cidade de Navegantes, em Santa Catarina, e registro de furto. O veículo foi atingido por pelo menos 100 tiros fuzil de vários calibres.

Trata-se de uma Chevrolet Trailblazer, ano e modelo 2016. A suspeita é de que o carro era dirigido por Osmar Vicente Álvarez Grance, vulgo 'Bebeto', que seria o alvo do atentado.

Já a caminhonete Toyota Hilux encontrada incendiado em uma estrada vicinal na Colônia Virgen de Caacupé, não tem registro de roubos ou furtos, e tem placas de Várzea Paulista-SP.

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6 pessoas foram presas. (Foto: Reprodução/ ABC Color)

Operação prendeu 6 brasileiros

Seis brasileiros foram presos nesta segunda-feira (11) durante operação que apura a chacina ocorrida na fronteira,a Polícia Nacional Paraguaia. Além disso, foram apreendidos três carros, outros três documentos de veículos, celulares, joias e 74 gramas de maconha.

O nomes dos presos foram divulgados pelo site local Capitán Bado: Hywulsson Foresto, Juares Alvers da Silva, Luis Fernando Armani e Silva Simões, Gabriel Veiga de Souza, Farley José Cisto da Silva Leite Carrijo e Douglas Ribeiro Gomes.

Os veículos apreendidos também são brasileiros, sendo um Fiat Uno cinza, um Volkswagen não identificado na cor branca e um Fiat Polo cinza.
Os mandados de busca e apreensão e prisão foram expedidos pelo juiz criminal do Segundo Turno da Comarca de Amambay, Juan Martín Areco Torraca, para que fossem cumpridos apreensão de veículos de procedência duvidosa, suposta posse de maconha, entrada em domicílio e elementos processuais de quádruplo homicídio. Os presos foram transferidos para o Departamento de Investigações de Amambay.

Policiais paraguaios prenderam, nesta terça-feira (12), uma pessoa que está sendo acusada de vigiar e entregar as vítimas para os criminosos.Derlis Javier López Arce aparece nas imagens de câmeras de segurança sinalizando para os ocupantes da camionete de onde os pistoleiros desceram e mataram as quatro vítimas e feriram outras duas pessoas.

Em uma coletiva de imprensa, representantes do Ministério do Interior e da Delegacia de Investigações disseram que Derlis e outro preso identificado como Júlio César Centurion Cantallupi teriam participação na chacina, mas apontaram Arce como a pessoa que aparece nas imagens mostrando para os assassinos que as vítimas estavam se dirigindo para a SUV, onde foram mortas com dezenas de tiros.

Jornal Midiamax