Polícia

Família que usava agronegócio para ‘maquiar’ tráfico de cocaína é alvo da PF em MS

Eles usavam empresa para transporte e lavagem de dinheiro

Renata Portela e Marcos Morandi Publicado em 07/12/2021, às 07h24

Casa em Dourados é alvo da operação
Casa em Dourados é alvo da operação - (Foto: Marcos Morandi)

Nesta terça-feira (7), a Polícia Federal cumpre mandados em Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, contra uma empresa de agronegócio familiar usada para o tráfico internacional de cocaína. Irmãos gêmeos que gerenciam os negócios ilícitos são alvos da operação que cumpre 37 mandados, além da apreensão de 122 bens.

Em MS são cumpridos mandados em Dourados, Ponta Porã, Maracaju e Deodápolis, sendo que em Dourados são cumpridas duas prisões. Equipes da Polícia Federal estão desde o início da manhã em um escritório de contabilidade e também em residência no Jardim Mônaco em Dourados, a 225 quilômetros de Campo Grande.

De acordo com a PF, a operação é denominada Geminus e foi deflagrada para desarticular organização criminosa dedicada ao transporte de cocaína, de MS para RS. São cumpridos 11 mandados de prisão preventiva e 29 de busca e apreensão, além do sequestro de 52 imóveis e 70 veículos, entre automóveis, jet skis, caminhões, carretas e tratores, e o bloqueio de valores em contas bancárias de 33 pessoas físicas e jurídicas envolvidas.

Os bens a serem sequestrados estão estimados em R$ 50 milhões. A investigação apurou que organização criminosa, comandada por núcleo familiar estabelecido nos municípios de Deodápolis (MS) e Viamão (RS), utilizava o agronegócio e outras atividades econômicas formais como fachada para ocultar os valores obtidos com o tráfico internacional de drogas, principalmente de cocaína.

O grupo transportava a droga oculta em caminhões, a partir da fronteira do Mato Grosso do Sul, para uma propriedade rural no município de Viamão (RS), de onde era distribuída para traficantes locais do Rio Grande do Sul, principalmente das regiões de Porto Alegre e Vale dos Sinos. Durante as investigações, iniciadas em agosto de 2019, a Polícia Federal apurou que a organização criminosa movimentou 5 toneladas de cocaína em um ano.

Os valores obtidos com o tráfico de drogas eram inseridos na economia formal através de simulação de prestação de serviço de transporte, declaração de produção de grãos inexistente, atividade pecuária na região de Deodápolis, empresa de locação de máquinas e equipamentos para a construção e outras aquisições de bens móveis e imóveis em nome de terceiros.

A operação foi denominada Geminus, pois dois integrantes do alto escalão da organização investigada são irmãos gêmeos idênticos, sendo que um deles gerencia os negócios ilícitos no Rio Grande do Sul e o outro no Mato Grosso do Sul. Os crimes investigados na Operação Geminus são tráfico internacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Locais dos mandados de prisão:

Porto Alegre/RS: 01

Capão da Canoa/RS: 01

Taquara/RS: 02

Dourados/MS: 02

Maracaju/MS: 01

Deodápolis/MS: 02

Florianópolis/SC: 01

Camboriú/SC: 01

Locais dos mandados de busca e apreensão:

Porto Alegre/RS: 02

Viamão/RS: 01

Capão da Canoa/RS: 02

Taquara/RS: 02

Parobé/RS: 01

Florianópolis/SC: 01

Camboriú/SC: 02

Itajaí/SC: 01

Ponta Porã/MS: 02

Dourados/MS: 09

Maracaju/MS: 02

Deodápolis/MS: 04

Jornal Midiamax