Polícia

Ex-comandante da PMMS é liberado de usar tornozeleira para fazer cirurgia

Ele foi preso em maio acusado de extorsão

Renata Portela Publicado em 03/08/2021, às 14h18

Coronel foi preso em flagrante
Coronel foi preso em flagrante - (Arquivo, Midiamax)

Nesta segunda-feira (2), foi publicada decisão que libera o ex-comandante da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul), coronel José Ivan de Almeida, de usar tornozeleira eletrônica por três dias. Monitorado pelo aparelho após ganhar liberdade provisória em maio deste ano, ele pediu a autorização para fazer um procedimento cirúrgico.

A decisão é da juíza Eucelia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal de Campo Grande. Conforme a magistrada, o pedido de urgência feito pela defesa comprova documentalmente a necessidade de cirurgia pelo acusado, que deve colocar um marca-passo. Assim, foi autorizada a suspensão da utilização da tornozeleira por três dias.

Após o procedimento, o coronel deve voltar a usar o equipamento, com a devida comunicação ao Juízo, e também deve restringir a permanência nesse período ao hospital indicado e à residência.

Quebra de sigilo telefônico

Em junho deste ano, foi deferido pedido da quebra do sigilo telefônico dos celulares do coronel Ivan, além de Reginaldo Freitas Rodrigues e Patrick Samuel Georges Issa. Conforme a magistrada Eucelia Cassal, o pedido foi feito para buscar identificação de outros envolvidos nos fatos e também a ligação entre os acusados.

Ainda segundo a juíza, a análise é relevante e necessária, já que o conteúdo obtido nos celulares poderá demonstrar elementos informativos que contribuirão para a elucidação do crime. Por fim, segundo a juíza, estão demonstrados os requisitos legais para a quebra de sigilo de dados, que foi deferida.

Entenda o caso

Um empresário procurou o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) para denunciar a extorsão praticada por Ivan e Reginaldo, identificados como ‘braço armado’ de Patrick, que seria o responsável pelo dinheiro. Na denúncia, o empresário diz que passou a sofrer ameaças desde 2020 quando teria feito negócios com Patrick, no valor de R$ 80 mil, mas que passaram a ser extorquidos e pagar valores muito elevados de cobrança pelo empréstimo.

No pedido feito pelo delegado Fabio Peró, do Garras (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) é informado que a quebra do sigilo telefônico se faz necessária para o aprofundamento das investigações, sendo que o MPMS (Ministério Público Estadual) opinou pelo deferimento da quebra dos sigilos.

Ameaças feitas de ‘pendurar família’

Segundo os relatos dos sócios, em uma das reuniões que tiveram com Flávio Jamil Georges, o ‘Flavinho’, ainda em 2020, este teria dito que os empresários precisavam dar um jeito de pagar Patrick, que era uma pessoa muito ‘problemática’, sendo que os dois entraram em contato com Patrick para tentar a negociação dos valores que já ultrapassavam os R$ 281 mil.

Em uma das reuniões, segundo a vítima, o coronel Ivan teria se apresentado como ‘Diogo’ e que seria advogado de Patrick, sendo descoberto depois que, na realidade, se tratava do ex-comandante da PMMS. Já quando foi até a casa da vítima fazer a cobrança, o coronel Ivan teria dito: “vim aqui para pendurar você, pendurar sua filha e sua mulher”.

Eles queriam levar a camionete da vítima que estava na garagem como forma de pagamento da dívida dos sócios a Patrick. Outro ‘cobrador’ que estava junto do coronel ainda teria dito, “você sabe o que acontece quando mexe com esse pessoal”. Patrick já havia dito anteriormente para a vítima, que “defunto também paga a conta”.

Prisão

O coronel já teria participado de outra extorsão dias antes e uma segunda tentativa de extorsão no dia em que foi preso em flagrante pelo crime. A vítima tinha câmeras na casa e acabou filmando a extorsão praticada pelo coronel e pelo ex-policial civil Reginaldo, fazendo a denúncia ao Garras e Gaeco.

Com isso, os policiais conseguiram prender a dupla em flagrante. José Ivan é aposentado e recebe R$ 32 mil do Governo. Ele é apontado como braço armado do esquema de extorsão agindo com ameaças e coagindo as vítimas, que eram coagidas há pelo menos 1 ano.

Durante a prisão do coronel, as equipes fizeram buscas na casa do militar, onde teria sido apreendido um revólver calibre .38. Na casa de Patrick, também teriam sido apreendidas armas de fogo.

Jornal Midiamax