Polícia

5 anos depois, denúncia aponta Fahd Jamil como mandante das mortes de Betão e Celin

Pistoleiro e policial foram encontrados carbonizados em camionete

Renata Portela Publicado em 30/04/2021, às 15h47

Dupla foi encontrada carbonizada na carroceria da Hilux
Dupla foi encontrada carbonizada na carroceria da Hilux - (Arquivo)

Na última semana, poucos dias após sua prisão, Fahd Jamil, de 79 anos, foi denunciado como mandante das mortes de Alberto Aparecido Roberto Nogueira, o ‘Betão’, e o policial civil Anderson Celin Gonçalves da Silva. Os dois foram encontrados carbonizados na traseira de uma camionete em Bela Vista, a 324 quilômetros de Campo Grande, em abril de 2016.

A denúncia inicial apontava apenas Oscar Ferreira Leite Neto, o Oscarzinho, como autor do duplo homicídio. Desaparecido desde 2017, ele é considerado foragido após mandado de prisão ser expedido em abril de 2020, com validade até 2060. Agora, foi feito aditamento da denúncia, apontando mais três pessoas como autoras no crime.

O aditamento é assinado por um promotor de Bela Vista e um promotor do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), datado de 23 de abril. Além de Oscar, constam na denúncia Fahd Jamil, Melciades Aldana e Gabriel de Rossi dos Santos. Na peça, a acusação cita a Operação Omertà e o desmembramento das investigações de série de execuções.

Dupla execução

De acordo com a denúncia, no dia 21 de abril de 2016, por volta das 6h10, na Rodovia MS-384 em Bela Vista, Oscarzinho e Gabriel teriam agido a mando de Fahd e Melciades. Assim, executaram Betão, apontado como conhecido pistoleiro naquela região, e o investigador Celin. Após o crime, Oscarzinho ainda teria destruído e ocultado os cadáveres das vítimas.

Segundo apurado pela acusação, Oscarzinho estava muito eufórico dias antes dos crimes, pois Betão e Celin, que eram amigos dele, iriam para a fronteira depois de aproximadamente 3 anos sem irem ao local. Eles teriam viajado até Bela Vista para pescar com os denunciados, mas também para “fazer um trabalho”, relacionado a uma cobrança.

No dia 20, Oscarzinho e Gabriel teriam ido até o pesqueiro em Caracol, com as vítimas. Em seguida, Gabriel foi para a casa do pai, adiantar os preparativos do churrasco, e uma hora depois as vítimas chegaram. Após todos deixarem a residência, Oscarzinho e Gabriel atiraram em Betão e Celin e colocaram os corpos na carroceria da Hilux prata.

O veículo foi deixado nas margens da rodovia e incendiado. Um terceiro envolvido no caso, Guilherme Gonçalves Barcelos, chegou a confessar que teria envolvimento no crime, mas afirmou que o autor dos disparos foram Oscarzinho e Gabriel. Guilherme chegou a ser preso, mas acabou cometendo suicídio em uma cela do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros).

A investigação apontou que os denunciados teriam agido por motivo torpe, a mando de Fahd Jamil, para vingar a morte do filho Daniel Alvarez George, tendo como intermediário na execução Melciades Aldana, atualmente foragido pela Omertà. Foi apurado que Oscarzinho tinha relação íntima com Betão e até mesmo o chamava de pai, bem como a vítima o chamava de filho.

Além disso, no curso das investigações o Gaeco identificou que Melciades, o ‘Mariscal’, havia pesquisado várias vezes no Google nomes de pessoas que seriam ou foram assassinadas por grupo liderado por Fahd. A partir da morte de Betão, Alciades começou a pesquisar o nome dele no Google, desde a noite do dia 20. No entanto, só no início da manhã do dia 21 os corpos foram encontrados e os fatos noticiados.

É apontado pelos promotores que momentos antes de pesquisar pelo nome de Betão ainda no dia 20, Melciades checou notícias policiais em sites da região. Desta forma, o entendimento é de que ele agiu como intermediário nos homicídios, concluindo que ele tinha plena consciência das execuções.

Retaliação

Para a acusação, fica claro que Betão já não frequentava a região de fronteira, compreendendo Ponta Porã, Caracol e Bela Vista, por medo de vingança pela morte de Danielito, filho de Fahd. Foi constatado ainda que Gabriel esteve com as vítimas até o momento da execução, depois seguiu para Ponta Porã, onde chegou às 23h11 e confirmou as mortes aos mandantes.

A denúncia resulta do que foi apurado no âmbito da terceira fase da Omertà, em que mandados foram cumpridos nas propriedades de Fahd. Ele permaneceu foragido desde então, mas se entregou à polícia no dia 19 de abril. Os acusados passam a ser denunciados pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpe, também por meio que impossibilitou a defesa da vítima, além da ocultação de cadáver imputada a Oscarzinho.

Jornal Midiamax