Polícia

‘Se mais um morrer, responsabilidade é de quem criou a Lei’, diz delegado após execução de policiais na viatura

Com a voz embargada e tristeza nítida ao falar, que o delegado titular da Derf (Delegacia Especializada de Roubos e Furtos), Reginaldo Salomão foi categórico ao dizer que “Se mais um policial morrer, a responsabilidade é de quem criou a Lei”. Na última terça-feira (9), dois policiais civis foram assassinados com tiros na cabeça em […]

Thatiana Melo Publicado em 12/06/2020, às 07h00 - Atualizado às 10h31

Policiais foram mortos com tiros na cabeça (Reprodução)
Policiais foram mortos com tiros na cabeça (Reprodução) - Policiais foram mortos com tiros na cabeça (Reprodução)

Com a voz embargada e tristeza nítida ao falar, que o delegado titular da Derf (Delegacia Especializada de Roubos e Furtos), Reginaldo Salomão foi categórico ao dizer que “Se mais um policial morrer, a responsabilidade é de quem criou a Lei”. Na última terça-feira (9), dois policiais civis foram assassinados com tiros na cabeça em uma viatura descaracterizada.

A Lei citada por Salomão, é a de Abuso de Autoridade 13.869 de setembro de 2019, que proíbe revista e algemas para pessoas conduzidas como testemunhas a delegacias, “Se fosse eu no carro, também tinha morrido”, falou o delegado que afirmou que também não teria revistado e nem algemado Ozéias Silveiras Morais, que foi colocado na viatura descaracterizada pelos policiais Antônio Marcos Roque da Silva, de 39 anos e Jorge Silva dos Santos, 50 anos, que acabaram executados com tiros na cabeça, sem que pudessem reagir.

O delegado-geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, Marcelo Vargas, disse nesta quarta-feira (10), que foi um ‘ato covarde’ a morte dos policiais. Vargas também culpou a Lei do Abuso de Autoridade, pelo assassinato dos investigadores Jorge e Marcos.

Salomão falou sobre o preconceito com que foi tratado o policial na Lei. “Sempre faz a lei com preconceito contra a polícia. Preconceito contra aquele que se expõe para defender a sociedade”, disse. Salomão lembrou dos colegas – ‘irmãos’ – que perderam a vida cumprindo o trabalho. O delegado ressaltou, que “Vamos continuar cumprindo a lei. Tudo que for feito, será dentro da lei”.

Jorginho como era chamado pelos colegas, Jorge Silva dos Santos, nas palavras de Salomão era uma pessoa fantástica, um policial com índole irretocável e grande parceiro, assim como, também foi descrito Antônio Marcos que acabou deixando dois filhos.

Sobre a morte dos policiais, Salomão contou que antes dos assassinatos tinha falado ao telefone com um dos investigadores que tinha informado a ele sobre a condução de dois homens, sendo um na condição de testemunha até a delegacia. “Eu ainda disse que seria eu quem tomaria o depoimento dos conduzidos”, falou. Mesmo que Ozéias tivesse confessado o crime do roubo das joias, eu teria ouvido e teria de ter liberado ele, já que havia passado o lapso temporal para flagrante, e não havia mandado de prisão contra ele.

Na quarta (10), os policiais assassinados receberam diversas homenagens ao longo dia em todo o Estado. O corpo de Jorge foi velado Capela da Pax Nippon, e de lá seguiu até o cemitério Jardim da Paz, sob escolta da PRF (Polícia Rodoviária Federal) e Batalhão de Trânsito da Polícia Militar. Familiares, amigos e colegas policiais acompanharam o cortejo com muitos aplausos em demonstração de respeito.

Assassinato policiais

Os policiais civis foram mortos com tiros na cabeça quando faziam a condução dos dois homens, na terça-feira (9). Eles estavam em uma viatura descaracterizada e Ozéias não estava algemas e levava em uma pochete uma arma. Após o crime, a dupla fugiu em um veículo Honda HR-V, e Willian foi preso pelo Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Bancos, Assaltos e Sequestros) na região do Guanandi. Já Ozéias foi morto em uma troca de tiros com a polícia na madrugada de quarta (10), no bairro Santa Emília.

Jornal Midiamax