O juiz Roberto Ferreira Filho, da 1ª vara criminal de Campo Grande, ordenou, nesta quarta-feira (22) a soltura de Eltom Pedro de Almeida, acusado de envolvimento no crime organizado e obstrução da justiça, no âmbito da Operação Omertà, deflagrada em abril do ano passado pelas equipes do Garras, Gaeco e Batalhão de Choque da PM.

A decisão vem na esteira de um recurso da defesa, que alega ausência de provas contra Eltom. Além disso, os defensores afirmam que o réu faz parte do grupo de risco do novo coronavírus e tem um filho com necessidades especiais que “precisa da presença do pai”.

O magistrado entendeu que “apesar da gravidade concreta dos crimes apontados, da análise da denúncia da suposta organização criminosa, verifica-se que o requerente
Eltom, em tese, compõe o núcleo de apoiadores ao lado de outros doze acusados, ou seja, não possui posição de destaque, nem posição privilegiada na hierarquia da
organização”.

O juiz acrescentou que as “supostas funções” de Eltom na organização, “não são referentes à aquisição, transporte ou porte de armas de fogo, tampouco o
requerente é relacionado a atividades violentas, diferente de outros supostos integrantes da mesma organização, que são apontados como responsáveis por
homicídios, intimidação de testemunha, tráfico e porte ilegal de armas de fogo”.

Eltom está preso preventivamente desde 27 de setembro do ano passado, e agora deve ficar em prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica.

Operação Omertà

Na primeira fase da Omertà, o empresário Jamil Name, Jamil Name Filho, além de policiais civis e guardas municipais foram presos por suspeita fazerem parte de suposta milícia armada.

As investigações tiveram início em abril de 2019, com o objetivo de apoiar as investigações dos homicídios de Ilson Martins Figueiredo, Orlando da Silva Fernandes e Matheus Coutinho Xavier, conduzidas pelo Garras.

Na segunda fase da Operação Omertà, em março de 2020 foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão em cinco cidades de Mato Grosso do Sul e em João Pessoa, na Paraíba.

Em seguida, foi deflagrada nova fase após descoberta de suposto plano contra autoridades, entre elas promotor de Justiça do MPMS (Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul) que atua no Gaeco.