Os quatro detidos, entres eles uma grávida, nesta quarta-feira (29), na favela Cidade de Deus, no bairro Dom Antônio, em Campo Grande, tiveram fiança arbitrada pela Justiça durante audiência de custódia, nesta sexta-feira (30).

Foi determinada pela Justiça fiança de R$ 100 para cada um que foi detido durante a desocupação da área invadida, na antiga favela. Eles vão responder por invasão de propriedade em liberdade e injúria. Eles foram detidos e levados para a delegacia depois de atirarem pedras em equipes da guarda municipal e resistir a ordem de retirada dos barracos.

Foram feitas três tentativas de se acabar a ocupação da Cidade de Deus até que, na manhã de quarta-feira (29), equipes da GCM providenciaram a remoção dos invasores que, há 3 dias, chegaram ao local –no qual está previsto o plantio de árvores para concluir as ações ambientais do aterro sanitário.

Houve tumulto e foi necessário o uso de bombas de efeito moral e de balas de borracha, já que os guardas alegam terem sido recebidos a pedradas. Entre os ocupantes, houve relatos de agressões a uma gestante e uma criança. Quatro pessoas foram detidas. Logo após a GCM sair, os invasores voltaram a erguer os barracos. A guarda nega ter cometido agressões.

Justiça determina fiança de R$ 100 para cada detido em desocupação da Cidade de Deus
(Leonardo França, Midiamax)

Segundo informações da Prefeitura desde segunda-feira (27)  havia uma tentativa de negociação para a saída dos invasores, reforçando o caráter ambiental reservado para a área. Diretor-presidente da Amhasf (Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários), Enéas Netto reforçou ter identificado, entre os incentivadores da ocupação, moradores do Residencial José Teruel 2, criado justamente para abrigar ex-moradores da Cidade de Deus.

Em razão disso, os termos de compromisso entre a agência e os moradores, que previam a entrega de imóveis em construção para eles no bairro, serão suspensos até que sejam apuradas todas as circunstâncias da invasão, incluindo os seus responsáveis. Netto reforçou que táticas como a de participar de ocupações a fim de tentar forçar a obtenção de imóveis públicos não será aceita, e que os invasores serão excluídos por 4 anos dos projetos habitacionais do município.