Polícia

‘Jogo começa agora’: Gaeco diz que presos na Omertà planejam atentado e quer medida cautelar

Nesta terça-feira (1º), o MPMS (Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul), por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), alegou que presos na Operação Omertà estariam planejando atentado contra a vida de um delegado que atua nas investigações. Os promotores entraram com pedido de medida cautelar. O documento […]

Renata Portela Publicado em 02/10/2019, às 12h19 - Atualizado em 03/10/2019, às 09h49

Operação prendeu integrantes de milícia armada em Campo Grande (Foto: Marcos Ermínio, Midiamax)
Operação prendeu integrantes de milícia armada em Campo Grande (Foto: Marcos Ermínio, Midiamax) - Operação prendeu integrantes de milícia armada em Campo Grande (Foto: Marcos Ermínio, Midiamax)

Nesta terça-feira (1º), o MPMS (Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul), por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), alegou que presos na Operação Omertà estariam planejando atentado contra a vida de um delegado que atua nas investigações. Os promotores entraram com pedido de medida cautelar.

O documento trata do “reforço da necessidade de manutenção da prisão preventiva” de Jamil Name e Jamil Name Filho, presos no último dia 27 mediante cumprimento de mandados durante a Operação Omertà. No texto, o Gaeco afirma que o empresário teria chegado a chamar desembargadores de ‘analfabetos’ quando foi informado do mandado de busca e apreensão cumprido em sua casa na última sexta-feira.

Ainda conforme o Gaeco, após tomar conhecimento de que seria preso preventivamente, o empresário teria gritado “o jogo só começa agora” e ainda se despedido da esposa dizendo “até amanhã”, dando a entender que seria solto em menos de 24 horas.

“Fez isso para realçar o seu poder político e econômico aos presentes, com nítido viés intimidatório”, diz o documento.

Por fim, os promotores reforçam a importância de que seja mantida a prisãouma vez que o Gaeco teria a informação de que “presos custodiados no Centro de Triagem estariam articulando um possível atentado contra a vida” de um delegado que participou das investigações.

A defesa de Jamil Name e Jamil Name Filho nega qualquer envolvimento dos dois com o arsenal flagrado em uma casa no Monte Líbano e com crimes de pistolagem atribuídos à suposta milícia armada investigada na Omertà.

Operação Omertà

O Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assalto e Sequestros) e o Gaeco, com apoio dos Batalhões de Choque e o Bope (Batalhão de Operações Especiais) da Polícia Militar, cumpriram mandados de prisão preventiva, prisão temporária e 21 mandados de busca e apreensão, nas cidades de Campo Grande e Bonito.

A Operação Omertà tem como foco uma organização criminosa voltada à prática dos crimes de milícia armada, porte ilegal de armas de fogos de uso restrito, homicídio, corrupção ativa e passiva, entre outros crimes.

As investigações do Gaeco tiveram início em abril deste ano, com o objetivo de apoiar as investigações dos homicídios de Ilson Martins Figueiredo, Orlando da Silva Fernandes e Matheus Coutinho Xavier, conduzidas pelo Garras desde 26 de abril de 2019. A partir das investigações, foi descoberta organização criminosa que seria chefiada por Jamil e Jamil Filho.

Matheus Coutinho Xavier foi assassinado em frente à sua casa com 7 tiros de fuzil na cabeça, e na época de sua execução, no dia 9 de abril, foi levantado que a arma usada no crime poderia ter ligação com o armamento usado na execução de Ilson Figueiredo, que foi assassinado em junho de 2018.

Armamento pesado

O armamento avaliado em pelo menos R$ 200 mil foi apreendido em maio deste ano, em uma casa no bairro Monte Líbano. As armas foram enviadas para a Polícia Federal de Brasília para passar por perícia. Os laudos da PF indicaram que o arsenal apreendido teria vindo de três países, México, Filipinas e Estados Unidos da América. O guarda municipal Marcelo Rios foi preso após ser identificado como proprietário do arsenal.

Contrato do imóvel onde as armas foram encontradasacabou ligando a investigação a Jamil Name. O contrato foi assinado em 16 de maio de 2016 pelo empresário e o filho e aponta que a casa teria sido entregue a um casal como ressarcimento após desistência de negociação de outro terreno em 2015.

Jornal Midiamax