Polícia

Defensoria Pública pede à Justiça que solte Nando e comparsa

Justificativas serão apresentadas em plenário durante julgamento

Clayton Neves Publicado em 15/01/2018, às 16h54

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Justificativas serão apresentadas em plenário durante julgamento

A Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul pediu nesta segunda-feira (15) a revogação prisão preventiva de Luiz Alves Martins Filho, o ‘Nando. Ele é suspeito de pelo menos 16 assassinatos, sendo os corpos enterrados, no Jardim Veraneio em um cemitério clandestino. O pedido estende-se também a Jean Marlon Dias Domingues.

Conforme a denúncia feita pelo Ministério Público Estadual, Jean e  Nando, teriam executado por asfixia Lessandro Valdonado de Souza no dia 1º de agosto de 2016. Além da morte ter agravante por ter sido cometida por motivo torpe e de maneira que dificultou a defesa da vítima, a dupla responde pela ocultação do cadáver.

No documento, a Defensoria leva em consideração o fato de os dois suspeitos terem negado o crime e afirma que as justificativas serão apresentadas em plenário durante julgamento.

“Por fim, requer-se a revogação do decreto de prisão preventiva proferido em desfavor dos mesmos, determinando-se o recolhimento do respectivo mandado e a expedição do necessário alvará de soltura, ou ainda que seja analisada a adequação de medida cautelar diversa da prisão ao presente caso”, diz a petição.

Investigação

A Polícia Civil iniciou as investigações em setembro de 2016, após a morte de ‘Leleco’, Leandro Aparecido Nunes Ferreira, de 28 anos, morto a tiros no dia 2 por dois rapazes que em uma motocicleta. Durante as investigações do homicídio, a polícia concluiu que a vítima tinha envolvimento com o grupo responsável por um esquema de exploração sexual e tráfico, há aproximadamente 3 anos.

Segundo a polícia, as vítimas tinham envolvimento com drogas e assim foram atraídas por Nando. Elas se prostituíam e faziam programas sexuais com o criminoso para receberem drogas como pagamento e sustentarem o vício.

Conhecido e temido no bairro, Nando passou quatro anos cometendo homicídios e explorando sexualmente as vítimas, sem ser denunciado. Segundo a polícia, ele enforcava ou estrangulava as vítimas porque não gostava de ver sangue e depois as enterrava de cabeça para baixo.

Em setembro foram presos ‘Nando’, o cabeça da quadrilha, Rudi Pereira da Silva, com quem ainda foram encontrados 70 galos utilizados em rinhas e Diego Vieira Martins, que é sobrinho de ‘Nando’. Os três ainda têm envolvimento no tráfico de drogas.

Além dos três foram presos Jeová Ferreira Lima e Jeová Ferreira Lima Filho, Andreia Conceição Ferreira, Ariane de Souza Gonçalves, Talita Regina de Souza e Jean Marlon Dias Domingos.

Mortes

‘Café’, que não teve o nome divulgado, foi morto por Jean, Michel e Nando e localizado em uma das primeiras escavações. Ele devia dois fretes no valor de R$ 170 para Nando.

‘Alemão’, morto há 4 anos por Jean, Nando e uma terceira pessoa ainda não identificada e também já foi encontrado. Ele vendeu para um integrante do grupo criminoso uma TV e usou o dinheiro para comprar drogas. Ao descobrirem que o aparelho era furtado, os criminosos mataram o rapaz.

Bruno Santos da Silva, o ‘Bruninho’, foi assassinado em 2013 por Nando e localizado pela polícia na semana passada. Em 2009 ele teria agredido um sobrinho de Nando, que o estrangulou por vingança.

Ana Cláudia Marques, de 37 anos, era mãe de 6 filhos e foi assassinada em setembro de 2015 por dívidas de drogas com o grupo. Ela foi localizada no dia 23 de novembro de 2016 e enterrada no último dia 19 de agosto de 2017.

Flávio Soares Correa, morto em abril de 2015, com 25 anos. Foi assassinado por Jean e Nando porque praticava furtos no bairro e era considerado ‘afeminado demais’ pelos criminosos.

No dia 24 de novembro foram encontrados, Jhennifer Luana Lopes, a Larissa, morta em março de 2016, aos 16 anos, por Nando e Michel porque praticava furtos e Lessandro Valdonado de Souza, de 13 anos, que foi assassinado porque flagrou uma traição da cunhada Talita.

Outra vítima encontrada foi identificada como Aline Farias Silva, de 22 anos. Ela foi morta por furtas objetos no bairro para comprar drogas. A famÍlia só conseguiu realizar o enterro um ano e seis meses após a morte. O sepultamento ocorreu no dia 29 de julho de 2017.

Jhennifer Lima da Silva desapareceu aos 13 anos. Foi enforcada por Wagner, Jean e Nando, porque praticava furtos no bairro para conseguir manter o vício em entorpecentes. Foi convidada a usar entorpecentes pelo trio e assassinada.

Alex da Silva Santos, assassinado em março de 2016 aos 18 anos. Wagner e Nando cometeram o assassinato por ele ter furtado ferramentas no valor de R$ 70. Eduardo Dias Lima, o ‘Eduardinho’, de 15 anos, que foi assassinado em 2015 por furtar garrafas de Nando.

Aline Farias Silva, de 22 anos, foi morta por Nando e Michel porque estava cometendo furtos na região para trocar produtos por drogas.

Jhennifer Luana Lopes, a ‘Larissa’, foi assassinada aos 16 anos em março deste ano. Ela foi morta por Nando e Michel porque praticava furtos.

Em março deste ano, Vanderlei de Almeida Junior foi morto também por praticar furtos. Em 2013 Nando já teria tentado assassiná-lo.

Daniel de Oliveira Barros foi assassinado em março de 2014, com 28 anos. Nando o matou com golpes de chave de fenda no pescoço por praticar furtos no Danúbio Azul.

Jornal Midiamax