Lembrando o Duque de Caxias

Aristóteles Drummond
| 01/08/2022
- 11:30
Aristóteles Drummond
Aristóteles Drummond

O mês de agosto tem histórico rico na política republicana.  Nossa história vem sendo marcada até hoje por fatos ocorridos neste mês.

Em 1954, começou com o atentado a Carlos Lacerda em que perdeu a vida o major-aviador Rubens Vaz, o que levou, 15 dias depois, à morte trágica de Getulio Vargas.  Foi ainda em agosto que Jânio Quadros surpreendeu o Brasil com sua renúncia, que, na verdade, foi uma tentativa frustrada de obter mais poderes. E foi em 31 de agosto de 2016 que o afastou a então presidente Dilma Rousseff.

O mês marca ainda uma data muito cara aos nossos militares do Exército, o Dia do Soldado, escolhido por ser o nascimento do Patrono do Exército, Marechal Luís Alves de Lima e Silva, Duque de Caxias.

Este notável brasileiro não foi apenas o competente militar que debelou movimentos separatistas, com grandeza e generosidade, sem deixar cicatrizes nos derrotados, mas foi Chefe de Governo e por mais de uma vez ministro do Império.  Estadista reconhecido, foi senador e o exercício da autoridade com bom senso e elegância o fizeram merecedor das homenagens que o tornaram imortal em nossa história. Ser “Caxias” é ser correto, educado, elegante, preparado, estudioso e respeitador.

Caxias marca desde então a formação cívica, ética e moral de nossos militares. Depois de uma desastrada Proclamação da República, sempre foram fiéis à vontade popular, obedecidas na eleição direta dos presidentes Hermes da Fonseca e Eurico Gaspar Dutra e nos cinco do chamado período militar, de 1964 a 1985,todos eleitos pelo Congresso Nacional.

Os militares têm uma tradição de desambição e compromisso democrático. A Revolução de 30 colocou no governo Getulio Vargas, que representava as forças que deram início ao movimento, depois eleito indiretamente e assumindo na emergência dos anos 1937 e da guerra que se seguiu, com respaldo na sociedade e apoio militar.

Em 1945, na redemocratização, colocaram no poder o presidente do STF, José Linhares, para promover a eleição e convocar a constituinte. Em 1954, assumiu o vice de Vargas e, no ano seguinte, o presidente do Senado Nereu Ramos para a posse de JK. Em 1964, assumiu o presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli, até que o Congresso elegesse o Marechal Castelo Branco, como fizeram com os quatro seguintes. Promoveram ainda a abertura e generosa anistia, além de darem posse ao eleito pela oposição.

Os mal-intencionados e ativistas de esquerda tentam atribuir a possibilidade de uma intervenção militar no processo eleitoral deste ano. Não existe esta hipótese.

Os militares garantem a e a ordem interna. Claro que a fidelidade à democracia não exclui a responsabilidade quanto à paz econômica e social, em caso de graves perturbações no futuro. Especialmente neste momento que o continente convive com um assalto ao poder pela via eleitoral de forças do obscurantismo, que vêm infelicitando muitas nações amigas, golpeando as instituições democráticas e provocando o caos na economia.. O Brasil não está indefeso. Nem os militares se omitiriam. O pensamento de Caxias prevalece e as tentativas de infiltração e divisão  fracassaram . Mas sempre em acordo com a vontade das forças vivas da nacionalidade, sem aberrações ideológicas e sem afastar o processo democrático. Como sempre fizeram, desde o Império. 

Caxias vive no coração dos patriotas!

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