Iniciada em 24 de fevereiro de 2022, a guerra na Ucrânia matou milhares de pessoas, obrigou outros milhões a deixarem suas casas, reduziu cidades inteiras a escombros e suscitou receios de que o confronto possa se tornar um conflito aberto entre a Rússia e a OTAN. Abaixo, uma visão dos principais eventos em um ano de conflito:

2022

FEVEREIRO

Em 24 de fevereiro, o presidente russo Vladimir Putin lança uma invasão da Ucrânia pelo norte, sul e leste. Ele diz que a “operação militar especial” visa à “desmilitarização” e à “desnazificação” do país para proteger as pessoas de etnia russa, impedir a adesão de Kiev à OTAN e manter o país na “esfera de influência” da Rússia. A Ucrânia e os países ocidentais dizem que se trata de um ato ilegal de agressão contra um país com um governo democraticamente eleito e um presidente judeu cujos familiares foram mortos no Holocausto. As tropas russas logo chegam aos arredores de Kiev, mas suas tentativas de capturar a capital e outras cidades do nordeste do país enfrentam forte resistência. O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy grava um vídeo do lado de fora de seu quartel-general para mostrar que permanece e se mantém no controle.

MARÇO

Em 2 de março, a Rússia reivindica o controle da cidade de Kherson, ao sul. Nos primeiros dias de março, as forças russas também tomam o restante da região de Kherson e ocupam uma grande parte da região vizinha de Zaporizhzhia, incluindo a Nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa. O exército russo acaba ficando preso perto de Kiev, e seus comboios, que se estendem ao longo das rodovias que levam à capital ucraniana, tornam-se presa fácil para a artilharia e os drones da Ucrânia. Em 16 de março, a Rússia ataca um na estratégica cidade portuária de Mariupol, onde civis se abrigavam, matando centenas de pessoas em um dos ataques mais letais da guerra. Moscou anuncia a retirada das forças de Kiev e outras áreas em 29 de março, dizendo que se concentrará no centro industrial de Donbas, a leste, onde separatistas apoiados pela Rússia combatem forças ucranianas desde 2014, após a anexação ilegal da Crimeia.

ABRIL

A retirada russa de Kiev revela centenas de corpos de civis em valas comuns ou abandonados pelas ruas da cidade de Bucha, muitos deles com sinais de tortura, cenas que levam lideranças mundiais a dizerem que a Rússia deve ser responsabilizada pelos possíveis crimes de guerra. Em 9 de abril, um ataque de mísseis russos em uma estação de trem na cidade de Kramatorsk, a leste, mata 52 civis e fere mais de 100. Intensas batalhas acontecem na disputa por Mariupol, no mar de Azov, e ataques aéreos e bombardeios de artilharia russos reduzem grande parte da cidade a ruínas. Em 13 de abril, o cruzador de mísseis Moskva, nau capitânia da Frota Russa do Mar Negro, é atingido por mísseis ucranianos e afunda no dia seguinte, prejudicando o orgulho nacional.

MAIO

Em 16 de maio, os ucranianos que defendiam a gigantesca siderúrgica Azovstal, o último reduto ucraniano em Mariupol, aceitam se render às forças russas depois de um cerco de quase três meses. A queda de Mariupol isola a Ucrânia da costa de Azov e assegura um corredor terrestre da fronteira russa até a Crimeia. Em 18 de maio, Finlândia e Suécia apresentam seus pedidos de adesão à OTAN, um forte golpe para Moscou em relação à expansão da aliança militar.

JUNHO

Mais armas ocidentais são enviadas para a Ucrânia, inclusive lançadores múltiplos de foguetes HIMARS fornecidos pelos EUA. Em 30 de junho, tropas russas recuam da Ilha das Serpentes, localizada ao largo do porto de Odesa, no Mar Negro, que fora capturada nos primeiros dias da invasão.

JULHO

Em 22 de julho, Rússia e Ucrânia, com mediação da Turquia e da ONU, chegam a um acordo para desbloquear o fornecimento de grãos retidos nos portos ucranianos do Mar Negro, encerrando um impasse que ameaçava a segurança alimentar mundial. Em 29 de julho, um ataque de mísseis atinge uma prisão em Olenivka, uma cidade a leste controlada pela Rússia, onde soldados ucranianos capturados em Mariupol estavam detidos, matando pelo menos 53 pessoas. Ucrânia e Rússia debatem responsabilidade pelo ataque.

AGOSTO

Em 9 de agosto, fortes explosões atingem uma base aérea na Crimeia. Mais explosões atingem uma subestação de energia e depósitos de munição no local uma semana depois, demonstrando a vulnerabilidade da península no Mar Negro anexada por Moscou, que a Rússia vinha usando como um centro de abastecimento na guerra. O principal oficial militar ucraniano reconheceu posteriormente que os ataques na Crimeia haviam sido lançados pelas forças de Kiev. Em 20 de agosto, Darya Dugina, filha do ideólogo nacionalista russo Alexander Dugin, morre em uma explosão de carro-bomba nos arredores de Moscou, que as autoridades russas atribuem à Ucrânia.

SETEMBRO

Em 6 de setembro, as forças ucranianas lançam uma contra-ofensiva surpresa na região de Kharkiv, no nordeste, rapidamente obrigando a Rússia a recuar de grandes áreas que detinha há meses. Em 21 de setembro, Putin ordena a mobilização de 300 mil reservistas, uma medida impopular que leva centenas de milhares de homens russos a fugirem para países vizinhos para evitar o recrutamento. Ao mesmo tempo, a Rússia organiza às pressas “referendos” ilegais nas regiões ucranianas de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia, sobre a possibilidade de se tornarem território russo. Os votos foram basicamente descartados como farsa pela Ucrânia e pelos países ocidentais. Em 30 de setembro, Putin assina documentos para anexar as quatro regiões, em uma cerimônia no Kremlin.

OUTUBRO

Em 8 de outubro, um caminhão carregado de explosivos explode na ponte que liga a Crimeia ao território continental da Rússia, um ataque que Putin atribui à Ucrânia. A Rússia responde com ataques de mísseis às usinas de energia de Ucrânia e outras instalações importantes de infraestrutura. Após a primeira onda de ataques em 10 de outubro, o bombardeio continua de forma regular nos meses seguintes, resultando em apagões e racionamento de energia em todo o país.

NOVEMBRO

Em 9 de novembro, a Rússia anuncia a saída da cidade de Kherson sob uma contra-ofensiva ucraniana, abandonando o único centro regional que fora capturado por Moscou, uma retirada humilhante para o Kremlin.

DEZEMBRO

Em 5 de dezembro, os militares russos dizem que a Ucrânia teria usado drones para atingir duas bases de bombardeiros de longo alcance nos confins do território russo. Um outro ataque acontece no final do mês, destacando a disposição da Ucrânia para aumentar a aposta e revelando as falhas nas defesas russas. Em 21 de dezembro, Zelenskyy visita os Estados Unidos em sua primeira viagem ao exterior desde o início da guerra. Ele se reúne com o presidente americano para garantir os sistemas de defesa de mísseis aéreos Patriot e outras armas, e discursa ao Congresso.

2023

JANEIRO

Em 1º de janeiro, poucos instantes depois do Ano Novo, dezenas de soldados russos recém-mobilizados são mortos por um ataque de mísseis ucranianos na cidade de Makiivka. O Ministério da Defesa da Rússia diz que 89 soldados foram mortos, enquanto as autoridades americanas estimam em centenas o número de mortos. Depois de meses de ferozes combates, a Rússia declara a captura de Soledar, uma cidade de mineração de sal, em 12 de janeiro, embora Kiev não reconheça o fato até alguns dias depois. Moscou também aperta sua ofensiva para tomar o reduto ucraniano de Bakhmut. Em 14 de janeiro, quando a Rússia lança uma nova onda de ataques às instalações de energia da Ucrânia, um míssil russo atinge um prédio de apartamentos na cidade de Dnipro, matando 45 pessoas.

FEVEREIRO

Em 20 de fevereiro, Joe Biden, presidente dos EUA, faz uma visita surpresa a Kiev, onde se reúne com o presidente ucraniano em uma notável e provocadora manifestação de solidariedade.