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Jovem que fala com canguru em ‘Pega Pega’ terá transtorno psicótico

Personagem ainda será diagnosticada

Guilherme Cavalcante Publicado em 09/06/2017, às 14h38

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Personagem ainda será diagnosticada

Bebeth (Valentina Herszage), a filha rebelde de Eric (Mateus Solano), chamou a atenção nos primeiros capítulos de Pega Pega ao criar uma amizade insólita com um fantoche. O que despertou ainda mais curiosidade, e virou assunto nas redes sociais, é que o canguru de pelúcia interage com a adolescente. O mistério será desvendado em breve na trama das sete com a revelação do transtorno psicótico que acomete a personagem.

De acordo com a sinopse da novela, Bebeth será diagnosticada ao longo da história com psicose reativa breve, um problema que pode ser desencadeado por um forte trauma ou predisposição. “O que favorece o aparecimento são traumas graves, algo que desencadeia, ou então a pessoa ter características de personalidade que predisporiam o quadro”, explica Adriano Segal, doutor em psiquiatria pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. “Esse transtorno pode acontecer mais de uma vez ao longo da vida”.

Jovem que fala com canguru em 'Pega Pega' terá transtorno psicótico

No segundo capítulo, exibido nesta quarta-feira (7), a canguru apareceu com o documento de Márcio (Jaffar Bambirra), que foi roubado inconscientemente pela filha de Eric.

Cura de Bebeth

A principal característica do transtorno, no entanto, é o desaparecimento dos sintomas em, no máximo, um mês. Se a personagem apresentar alucinações ininterruptamente durante toda a trama, por exemplo, não será fiel ao quadro de psicose reativa breve da vida real.

“O transtorno tem que durar mais do que um dia e menos do que um mês nos critérios de diagnóstico atuais. E com uma restituição completa ao padrão de funcionamento anterior, que é para diferenciar de esquizofrenia e de alguns quadros de transtorno bipolar”, esclarece Segal.

“Se durar mais do que um mês é um erro. A autora tem a liberdade artística, claro, mas, na verdade, para ser chamado de transtorno psicótico breve, tem que ter no máximo um mês de duração”, completa o especialista.

Portanto, a cura de Bebeth poderá ser mostrada com o fim abrupto das alucinações, sem sequelas. Mas, como o problema pode se repetir em um mesmo paciente, nada impede que a personagem tenha outras crises posteriores.

“O tratamento medicamentoso é necessário para cessar os sintomas, mas a psicose reativa breve desaparece sozinha”, afirma Segal. “A duração é curta e a pessoa volta ao que ela era antes”, completa.

Confusão virtual

Enquanto o diagnóstico de Bebeth não vem à tona, o público de Pega Pega parece estar confuso com a canguru que ganha vida. “Será que a mãe da Bebeth foi morta por um animal selvagem, por isso o canguru de imaginação?”, questionou Vitor Silva no Twitter. “Gente, a menina tem uma pelúcia possuída, tipo [a boneca do cinema] Annabelle”, arriscou Nancy Ducca.

Outros espectadores acertaram que a explicação para as aparições são problemas psicológicos, mas não desvendarem a psicose reativa. “Gente burra criticando o fato de a menina ver um canguru. Não perceberam que ela tem um transtorno?”, escreveu Lara Dias Rezende. 

Por fim, há aqueles que ainda não decifraram o mistério da filha de Eric, mas aprovaram a abordagem da novela. “Estou gostando de Bebeth e o canguru. Não é apenas um bichinho que ganhou vida, essa relação vai ser explicada”, especulou Diego Rocha. “Bebeth é uma personagem complexa, não é simplesmente uma menina que fala com canguru, como alguns estão especulando”, disse Alan Holanda.

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