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Teatro

Ele se chama Raimundo e seu último espetáculo vai salvar uma trupe de teatro

Rabugento, mas carinhoso como todo avô, Raimundo é um Fusca azul 1979 e tem muitas histórias pra contar. Integrante do espaço Sucata Cultural de Dourados, a 228 quilômetros de Campo Grande, ele vai protagonizar seu último ato e permitir que o grupo teatral continue levando arte ao povo. Mas, como um automóvel pode realizar tal […]
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Rabugento, mas carinhoso como todo avô, Raimundo é um Fusca azul 1979 e tem muitas histórias pra contar. Integrante do espaço Sucata Cultural de , a 228 quilômetros de , ele vai protagonizar seu último ato e permitir que o grupo teatral continue levando arte ao povo.

Mas, como um automóvel pode realizar tal proeza?

Ele se chama Raimundo e seu último espetáculo vai salvar uma trupe de teatro
A trupe. | Foto: Divulgação

Raimundo não é apenas um meio de condução da trupe douradense. Ele pode até ser confundido com uma pessoa, porque é assim que o carrinho é tratado por João Rocha, Társila Bonelli, Antonio Júnior e Junior de Oliveira, que formam o Sucata Cultural.

“Ele é o nosso carro, é um participante da trupe. Ele é a figura de liberdade dos artistas. É uma das figuras mais fortes dentro do espaço”, descreve João.

Com o Fusquinha, o Sucata Cultural leva arte de Dourados para outros cantos, como Caarapó, Vila Vargas e até a Campo Grande. Assim, Raimundo assume até outras funções nas apresentações artísticas: cenário, ator, sonoplasta e, é claro, alegria ambulante.

“Quando tem evento, ele fica lá fora, numa rampa. Os outros tem placa, a gente coloca o Raimundo pra fora, todo iluminado, aí as pessoas sabem que é quando vai ter espetáculo. Serve de divulgação. Ele é o carro mais conhecido de dourados.”

Sacrifício

O Raimundo, que foi adquirido há cerca de um ano e meio, será rifado por pura necessidade, o que será um sacrifício para os artistas do Sucata Cultural. Seu último ato será em benefício da arte. O Sucata Cultural precisa adquirir equipamentos de iluminação e sonorização para o espaço e oferecer apresentações de qualidade ao público.

“Pretendemos reunir recursos suficientes para o projeto mais básico, que é o mínimo das necessidades que um precisa”, afirma João, que espera arrecadar R$ 20 mil com a rifa do Raimundo. Segundo ele, para equipar um teatro, gasta-se em média R$ 300 mil. “Vamos fazer o mínimo do mínimo, de maneira muito criativa, como artistas que somos, para deixar o espaço funcionando”, adiciona.

Para João, a ação é um sintoma que a cultura vive, sem apoio e investimentos do poder público. “Quando nos desfazemos de um bem, não de valor, mas que se tornou parte de nós, que é o Raimundo, mostra que o artista tem que ser criativo, mas é uma maneira de demonstrar quem não mostra o respeito e não dá subsídio mínimo para os artistas poderem manter seu trabalho. Acaba dando uma vergonha”, lamenta o artista.

Ele se chama Raimundo e seu último espetáculo vai salvar uma trupe de teatro

“Não precisa de muito, a gente precisa do mínimo. Não queremos ser sustentados pelo estado, uma vez que nunca fez nada por nós. Mas tem que garantir o acesso da população mais carente à arte”, acrescenta.

Além de ser um espaço físico para apresentações culturais, o Sucata Cultural oferece também aulas e oficinas de dança, circo e teatro para crianças. Com o valor das entradas, que tem o preço máximo de R$ 10,00 e as mensalidades pagas pelos pais, o grupo não consegue se manter.

“Os pais são investidores e donos do espaço. A população que paga e tem direito a ter acesso. O Sucata veio com essa ideia e deveria ser apropriado pelo poder público. Como se fosse: ‘vocês têm coragem de abrir, vou dar o mínimo’. Esse dinheiro que o governo paga não é um dinheiro jogado fora. Tem muita gente que não tem acesso à arte. Tudo isso mostra um descaso e falta de respeito com artista, mas, principalmente, com a população”, defende.

Raimundo rifado

O propósito da rifa do Raimundo não é o lucro, enfatiza João. O valor levantado será usado para a compra dos equipamentos, o que será reportado aos que ajudarem. “Estamos fazendo um trabalho focado, consciente e transparente. Não queremos ganhar dinheiro. Vamos comprar os equipamentos, postar o que foi comprado e os valores para quem comprar, saber pra onde o dinheiro está indo”, explica João.

Para quem ficar com o Fusca, a trupe pede que cuide dele como se fosse alguém da família. “O Raimundo é um carro muito carinhoso, bacana. Tem esse nome em homenagem ao meu avô, que era velho e rabugento, mas tem muito carinho. Então queremos que a pessoa tenha amor pelo carro. Ele tem uma história, já andou por muitos lugares e vai com todos os problemas de um carro de quarenta anos. Não é um carro dentro da estética do belo contemporâneo, mas cada risquinho conta uma história”, define.

No dia 18 de outubro o Sucata Cultural estará em Campo Grande para apresentações e trará o Raimundo, que vai passar por diversas casas de teatro com a divulgação da rifa e dos espetáculos. Interessados podem ter mais informações pelo telefone fixo do espaço (67 3032-6404) ou pelo celular: 99825-4684.


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