Buscar boas histórias para contar faz parte do cotidiano de qualquer . Movido por essa paixão – e pelo amor por heavy metal – o jornalista Lucas Arruda decidiu explorar a história do gênero musical em com a produção do documentário ‘Barulho do Mato’. O , que tem o Dia do Rock como data prevista para lançamento, promete mexer com saudosismo aos amantes do rock ao mesmo tempo em que apresenta o estilo para a geração mais jovem.

A ideia surgiu há 3 anos, durante uma conversa entre Lucas e alguns amigos. Ele decidiu escrever o roteiro e inscrever no FIC (Financiamento de Investimentos Culturais), da FMCS (Fundação Municipal de Cultura de Mato Grosso do Sul). O resultado saiu em 2023 e, no fim do mesmo ano, o financiamento foi concedido. Na terceira semana de janeiro, as entrevistas enfim puderam começar.

Lucas Arruda, diretor do documentário (Reprodução, Carlota Philippsen)

“Campo Grande é uma cidade que tem pouca de sua memória documentada, não sei se é o reflexo de um estado jovem. E, na , senti que faltava um documentário que falasse sobre o Metal”, conta o jornalista.

“‘Cadê a história das bandas? Principalmente, as bandas antigas. Quem foi o primeiro a fazer? Como surgiu?’ A partir daí, conversei com alguns amigos do meio musical, como o Katástrofe [banda], com o Kão, artista que é do Punk, mas sempre esteve no rolê do Metal. E, aí foi nascendo o projeto até eu conseguir, agora, passar no edital e iniciar a produção”, explica.

O média-metragem deve fazer, baseado em entrevistas e pesquisa documental, um recorte do período de 20 anos – décadas de 1980 até 1990 – para mostrar as diversas nuances de estilo e influências de bandas nacionais e internacionais, para chegar aos nomes dos artistas do Estado que fizeram do Heavy Metal uma realidade na vida noturna daqui.

Alta Tensão, Black Church, Devastation, Necroterium, Sacrament, Krematory, Desejo Impuro, Katastrofe, Zero Tribe, Kreatures Dark, Haze são algumas das bandas que estão cotadas no roteiro de ‘Barulho do Mato’. “Ter relatos se torna urgente, pois já perdemos alguns músicos e produtores do período, tal como materiais em vídeo que retratavam a época”, pontua o diretor, Lucas Arruda.

Entrevista com Mark. (Reprodução, Cátia Santos)

Contato com o heavy metal

O jornalista explica que seu contato com o gênero musical começou ainda na infância, por influência da irmã mais velha. Já na adolescência, o heavy metal era a playlist fixa e insubstituível. E para Lucas, que admirava tantas bandas e artistas, foi uma grande alegria quando a profissão possibilitou contatos e amizades com quem, antes, eram apenas os ídolos.

Conforme foi conhecendo mais sobre as bandas e artistas sul-mato-grossenses, o jornalista foi percebendo que havia poucos registros sobre o gênero musical no estado e então, veio o desejo de mudar tal realidade.

“Sentia falta de mais conhecimento das bandas mais antigas, da primeira banda de heavy metal da cidade, do papel das tantas mulheres que fizeram e fazem história no metal da capital”, pontua.

Desafios

Mas, não é a familiaridade com o assunto que torna todo o trabalho mais fácil. Além do curto tempo que tem para finalizar o projeto por completo, ainda existe a novidade – e desafio – de dirigir e produzir um material que vai entrar para a história e memória da cidade, somada a responsabilidade de gerir toda a equipe que colabora com o documentário.

“A pesquisa é bem demorada. Achar material da época das bandas de metal também é bem difícil. Dirigir uma equipe tem seus desafios, mas são todos conhecidos e já trabalham com audiovisual, então isso ajuda muito”, pontua ele. “Como um bom jornalista, gosto de contar uma boa história. Então tem sido incrível conhecer e contar histórias de quem cresci assistindo em eventos”.

Lucas explica que a ideia é finalizar as gravações ainda em fevereiro e já emendar o processo de edição. Dando tudo certo com os prazos, o plano é fazer o lançamento na Plataforma Cultural, com o show da banda Katástrofe, que também fará parte do documentário.

“Contar a história desse estilo, dentro de um Estado com uma presença musical predominantemente sertaneja, será um desafio e tanto. Nesse sentido, a fotografia e a edição são muito importantes em um trabalho tão complexo como esse, pois elas ajudam a interligar as histórias que construíram o nosso heavy metal”.

Futuramente, o média-metragem entrará para os festivais e, só depois, estará disponível nas plataformas digitais.

‘Barulho do Mato’

As filmagens, inclusive, já começaram e teve como primeiro entrevistado Marco Aurélio dos Santos, mais conhecido no meio musical como Kão, artista que teve vivência intensa no cenário underground sul-mato-grossense e tem sido um colaborador fundamental no projeto para mapear as bandas que deram voz ao estilo.

Marco Aurélio – Kão (Reprodução, Aline Lira)

“O público vai conhecer bandas do estado de renome nacional, bandas que quase abriram de bandas internacionais, histórias engraçadas, marcantes, conhecer muitas mulheres que contribuíram com a cena, principalmente nos anos 90”, conta o diretor.

‘Barulho do Mato’ promete desvendar os desafios e as conquistas dos roqueiros em um estado onde o conservadorismo é muito forte. Desde os obstáculos logísticos até as barreiras culturais, o vídeo mergulha nas profundezas da cena do heavy metal no coração do Mato Grosso do Sul, explorando um repertório rico de influências, que deixou impacto duradouro no meio artístico.

“O documentário é fundamental para registrar histórias sobre a cena do Metal. As novas gerações poderão saber e entender como surgiu e quais foram as dificuldades que as bandas tinham para tocar e ensaiar, sem contar que é um registro de pesquisa e valorização artística”, afirma Kão que é ativista da e pode testemunhar bandas que extrapolaram a cena local. “Alta Tensão foi uma banda de renome tanto, aqui, no MS como no Brasil”. Também foram entrevistados os músicos Mark, da banda No Name, Enrique Gonçalves, da banda DxDxOx e a produtora cultural Ângela Finger.