Com dois remakes no ar e ao mesmo tempo, a atual grade de programação da TV Globo é inédita. Ao invés de contar com três novelas originais no horário nobre, apenas a faixa das 19 horas exibe uma produção escrita atualmente. Nos horários das 18h e 21h, a emissora veicula regravações de novelas que produziu em 1982 e 1993. Para os entusiastas de televisão, o cenário é preocupante e expõe vários problemas que podem comprometer o futuro dos folhetins no Brasil.

Isso porque a TV Globo é a maior produtora de novelas do país e parece ter desenvolvido um “costume” de regravar sucessos do passado. Com uma novela pior que a outra e fracassando ao seguir o ritmo de produções inéditas, o canal adorou o “hit” do remake de “Pantanal” (2022) e soltou o freio para novas versões de histórias antigas, como se esta fosse a fórmula mágica do sucesso.

Mas não é bem assim…

Ao invés de aprovar folhetins originais concebidos na atualidade, a emissora apostou com tudo na ideia de regravar obras antigas. Confiantes pelo sucesso dos títulos, a Globo não teve pudor em colocar o remake de “Elas por Elas” às 18h e, ao mesmo tempo, o remake de “Renascer” às 21h.

Sendo remakes, “Renascer” e “Elas por Elas” não são histórias totalmente inéditas para o público e têm boa parte de seus desenvolvimentos disponíveis na internet para o acesso de qualquer um. A ausência do ineditismo ainda prejudica a possibilidade do telespectador se surpreender com o que vem por aí, bem como o fato de, por serem adaptações, estas obras limitam os autores no processo criativo.

Mas, se o remake de “Pantanal” causou frisson entre os executivos da dramaturgia global, o de “Elas por Elas” tem provocado um sentimento oposto. A obra de 1982 de Cassiano Gabus Mendes, reescrita pelos autores Thereza Falcão e Alessandro Marson, é simplesmente o maior fracasso da faixa das 18 horas de todos os tempos, responsável pela menor audiência já alcançada no horário.

“Renascer”, por sua vez, acaba de estrear e ainda não consolidou um parâmetro para servir de bússola ao futuro dos remakes na Globo. Contudo, a trama tem um início promissor, com audiência superior às suas antecessoras nos primeiros capítulos.

Alerta, perigo

Ainda assim, fortes rumores publicados pela imprensa do entretenimento dão conta que a emissora já planeja vários outros remakes. “Vale Tudo”, clássico de Gilberto Braga do ano de 1988, já estaria sendo adaptada por Manuela Dias, autora de “Amor de Mãe” (2019). Além disso, “A Viagem”, clássico de Ivani Ribeiro de 1994, também estaria na mira para uma regravação.

Com tantas novelas sendo “refeitas” em detrimento da oportunidade para novas histórias, a TV Globo acende o alerta para o que aconteceu há alguns anos na Televisa, a maior produtora de novelas do México.

É que a emissora mexicana caiu na armadilha de regravar em looping as mesmas histórias e toda a grade era preenchida por remakes dos remakes. Isso porque, não contente em regravar uma novela de sucesso, a Televisa usava os mesmos roteiros e fazia novas adaptações das mesmas histórias, mudando apenas os títulos dos folhetins e os nomes dos personagens. Algumas novelas chegaram a ter mais de 5 versões.

O resultado foi o abismo da audiência. No fim das contas, o telespectador deixou de se interessar em ver sempre os mesmos roteiros com novos rostos.

Nostalgia e curiosidade são “armas”

No caso da Globo, é possível contar nos dedos as novelas inéditas que “deram certo” nos últimos anos. Com uma trama pior que a outra, o canal afugentou a audiência e vem tentando recuperar os telespectadores fujões usando a nostalgia e a curiosidade como principais armas.

É que, quando um remake estreia, os nostálgicos correm para dar uma espiada e as novas gerações ficam curiosas para ver a produção antiga repaginada com novos ares. O resultado tem sido positivo, em partes. “Éramos Seis”, da Tupi, regravada em 2019 e “Pantanal”, da Manchete, refeita em 2022, agradaram.

“Elas por Elas”, da própria Globo, atualmente reescrita para a faixa das 18h, não. O remake da obra de Cassiano Gabus Mendes era sucesso garantido para os executivos, mas não apresentou o resultado esperado, mostrando que regravar e atualizar sucessos do passado nem sempre é a fórmula do sucesso.

Ainda assim, com mais remakes à vista, as futuras safras de folhetins globais têm preocupado não apenas especialistas em televisão, mas a própria audiência, que já está de olho e faz previsões apocalípticas para a teledramaturgia brasileira. Veja:

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