A primeira edição do mercado de pulgas de Campo Grande reuniu antiguidades na entrada do Parque dos Poderes neste domingo (3). A feira com estilo francês rendeu garimpo e aumentou a coleção de relíquias de quem passou por lá.

É o caso da professora Elaine Peelizza, que compareceu à feira junto da mãe. “Estava passeando e vi a feira. Fiquei encantada, adoro feira de antiguidade”, disse.

Poucos minutos na feira foram suficientes para a família garantir uma relíquia. “Minha mãe já encontrou, comprou uma travessa antiga”. Com a travessa em mãos, a felicidade estava estampada no rosto da mãe de Elaine. “Eu tenho as outras, eu tenho as maiores”, contou ao Midiamax.

O conjunto de travessas foi presente da irmã de 92 anos e as peças estão na família desde a infância. “Em uma coloco o macarrão, na outra o tutu de feijão e nessa vai ser a salada”, adiantou o destino da relíquia garimpada. Sobre o mercado de pulgas, Elaine disse que vai “torcer para que dê certo e que seja semanal”.

As antiguidades também fizeram famílias acordarem cedo no domingo para conferir as exposições. Romário Mourin é músico e aproveitou a manhã de folga para procurar alguma peça que despertasse interesse.

“É muito legal, mais pelo antiquário, pelas coisas antigas, do que em si pelas roupas, porque esses assuntos antigos é raro encontrar”, destacou sobre a feira. Romário espera que o mercado alcance um público maior.

“Você não tem lojas que são dessa temática fácil de achar, então é bem legal por esse incentivo de as pessoas trazerem as suas bancas e de coisas antigas, desde livros, LPs, enfim, tudo no geral”, comentou.

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Mãe e filha garimparam travessa para aumentar a coleção de relíquias. (Dândara Genelhú, Midiamax)

Peças com mais de 40 anos de história

Moedor de carne com mais de 40 anos de história e que virou vaso de flor, ventilador que passou por gerações da família há pelo menos 35 anos e diversos celulares antigos fazem parte da coleção de Leonildo Donizete Baratella.

“Sempre gostei de antiguidades, já vem de família, como eu comecei a comprar muito cedo, acabou acumulando muita coisa. Então passei a comprar e vender, se a pessoa tem algo para oferecer, a gente conversa”, explicou como entrou no ramo.

Leonildo é tatuador, mas expõe antiguidades em feiras por Campo Grande. Com o mercado de pulgas, ele espera um novo público e interessados em trocas. “Pode vir e a gente conversa”, garantiu.

Mercado de pulgas é um encontro de diversas peças e também objetivos pessoais. Para a feirante Flávia Araújo Santos, as vendas começaram em 2016 para se desfazer do acervo da família.

“É acervo de família e a gente está na expectativa de sair do estado, e são muitas peças. Então, foi uma forma de tentar ir passando para frente as peças. Achar um novo lar nas peças”, afirmou.

Entre as peças que Flávia destaca, estão as canecas de porcelana. “Têm canecas aqui antes da divisão do estado, tem pratas. Mas muitas peças já foram vendidas, já foram bastante cristais”, disse.

Comerciante de uma loja de antiguidades, José Carlos de Goes levou algumas relíquias para exposição na primeira edição do mercado de pulgas. Ele comentou que o evento tem potencial de trazer novos públicos para os expositores.

“É uma coisa que, assim, não tem na cidade, pelo menos as feiras que eu participo, que eu já fui, você mistura muita coisa, né? Aqui essa proposta é mercado de pulgas, é uma coisa diferente para a cidade, senão acaba virando mais uma feira igual as outras”, justificou a opinião.

O comerciante da Arco da Velha disse que a localização do mercado de pulgas deve ajudar na manutenção do evento. “É um espaço legal, você vê muita gente passando, muita gente curiosa, então pela localização também eu acho que vai vingar muito”.

O local também tem oportunidade de renovar o armário, já que alguns brechós participam da primeira edição do mercado. A terapeuta Rosa Otto vende roupas, que são convertidas para auxílio de animais em situação de abandono.

“Nosso projeto aqui já tem mais de um ano, que é para vender as roupas para comprar ração para os pets na rua”, explicou. Ela comentou que também estão abertos para trocas. “A gente já até faz, por ser uma questão mais voltada para os animais, várias pessoas já chegaram em outras feiras também com a gente, trazendo outras roupas e daí a gente fez trocas”, disse.

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Peças são expostas em loja fixa durante a semana. (Dândara Genelhú, Midiamax)

Uma vez ao mês

Uma das organizadoras da feira, Dora Alves destaca que a feira será realizada todo primeiro domingo do mês, sempre no mesmo local. Na entrada do Parque dos Poderes, perto do Corpo de Bombeiros.

Dona de uma coleção com mais de 32 mil discos de vinil, Dora tem grandes expectativas para o evento. “Tenho mais de 100 pessoas inscritas para o próximo evento”, adiantou ao Jornal Midiamax.

No entanto, a próxima edição será realizada em fevereiro. José Roberto Almeida é o idealizador do projeto, o aposentado ficou encantado com a cultura de trocas e antiguidades que existe fora do país.

“Eu comecei a assistir alguns programas na TV, de canais até de outros países, e aí achei interessante aquela coisa de troca, de surgir produtos que têm memória de antiguidade ou até mesmo de algum valor cultural, artístico, cultural”, lembrou. Com a realização da primeira edição do mercado de pulgas em Campo Grande, ele disse que é “muito legal ver já um sucesso que está bastante expositores e vai se criando essa cultura de vir aqui atrás dessas novidades”.