Lembra dela? A famosa sucuri que acasalou com 4 machos e foi alvo de ataques machistas em Mato Grosso do Sul virou uma estrela internacional. O espetacular registro do acasalamento, feito pelo guia sul-mato-grossense Vilmar Teixeira, repercutiu e atraiu o interesse de um dos maiores cinegrafistas de vida selvagem do mundo.

“Hoje quem tá aqui com a gente é o Cristian Dimitrius, famoso cineasta em filmagem de aventura. Ele está registrando o acasalamento da imensa ‘vovózona’.”, contou o guia ao Midiamax.

Renomado cinegrafista e fotógrafo da vida na natureza, Cristian venceu o Emmy Awards em 2013 e também foi apresentador do quadro Domingão Aventura no extinto programa Domingão do Faustão, da TV Globo.

Honrado com a visita em sua “casa”, o pai das sucuris registrou o momento em que Dimitrius filmava a imensa sucuri acasalando com seus parceiros, formando o conhecido “bolo” de cobras. “Olha o tanto de machos sobre ela. Aproximadamente 6 metros”, confirmou o vencedor do Emmy.

“Depois de acasalar, ela fica prenha por 7 meses e libera seus filhotes. Esse acasalamento dura aproximadamente três semanas”, informou Vilmar Teixeira ao Jornal Midiamax.

Confira o momento em que Cristian gravava a sucuri que Vilmar chama de “vovózona”:

Famoso acasalamento de sucuris

Poucos dias após avistar os machos se aproximando de uma sucuri fêmea para o acasalamento em grupo em uma região alagada de Bonito, Mato Grosso do Sul, Vilmar se emocionou ao encontrá-las, finalmente, acasalando, e considerou o momento histórico.

Conhecido como “pai das sucuris” ou “Velho do Rio da vida real”, ele conversou com o Jornal Midiamax e comentou o avistamento. “Meses atrás, eu tinha citado que aquela fêmea possivelmente ia acasalar em setembro e, justo na data exata que eu falei, deu certinho, encontrei ela ‘namorando'”, inicia.

“A grande fêmea e os machos em volta dela. Tinham 4 sucuris macho e ela fica bem tranquilona. Antes, a fêmea emite um cheiro e eles vêm atrás”, narra o sul-mato-grossense durante o registro. Assista ao flagra:

https://www.youtube.com/watch?time_continue=270&v=z-JOtYNphK0&feature=emb_title

“Dias antes, consegui fazer o registro deles se reunindo, fazendo o ritual de aproximação dela. Peguei os dias antes e durante o acasalamento, então foi um momento muito histórico”, comenta Vilmar.

“Fiquei feliz e alegre por ver a natureza seguir o seu ciclo. É um sinal que está dando certo, a cobra está se reproduzindo, a natureza está fluindo. Não tem intervenção humana entre esses atos aí. É um momento histórico sim, muito mágico, momento de avistar ela acasalando”, relata o guia ao MidiaMAIS.

Emoção

Mesmo convivendo com esses animais em seu dia a dia e ajudando na preservação da espécie, o “pai” das sucuris se emociona com o registro. “Eu fico maravilhado em avistar esses animais dessa forma. São animais silvestres, é raro ver. Trago essas imagens para as pessoas que não têm condições de vir conhecer”, afirma.

“Quem trabalha nesse ramo de preservação do meio ambiente, quando se depara com uma imagem dessa fica vibrante e emocionado com o encanto da natureza”, finaliza ele.

Ataques machistas

Nem as sucuris escapam do machismo da sociedade. O alvo da vez é uma fêmea em período de reprodução que acasalou com 4 machos em Mato Grosso do Sul.

A prática do sexo em grupo é comum para a espécie, que pode chegar a copular com até 12 machos de uma só vez. O flagra do acasalamento mais recente pelo guia turístico Vilmar Teixeira, no Rio Formoso, em Bonito, e chocou os sul-mato-grossenses mais conservadores que desconhecem como funciona a reprodução das sucuris.

“Safada”, “quenga”, “biscat*”, “gulosa”,biscat* véia”, “depois vai querer exame de DNA”, “Que sucuri quente, um não é suficiente”, “danada”, “cachorra” e “galinha” foram alguns dos comentários preconceituosos e considerados machistas por parte da população, que se manifestou nas mídias sociais diante da notícia do acasalamento.

https://youtu.be/Gw-1s5rOlEA?t=247

As opiniões causaram choque e escancararam o julgamento para com a fêmea de uma espécie animal, da mesma forma como acontece com os seres humanos.

Apesar de surpreender pela quantidade de sucuris machos fazendo sexo com uma única fêmea ao mesmo tempo, o comportamento faz parte da natureza dessas majestosas rainhas do Pantanal.

Além de tudo, a fêmea ainda pode matar algum de seus parceiros e devorá-lo após o ato sexual, prática que é denominada como canibalismo sexual de sucuris.

Veja abaixo outro acasalamento de sucuris. O vídeo abaixo, registrado por Daniel De Granville, flagrou uma fêmea copulando com 10 machos:

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