A Unidade Guaicuru vai ganhar uma nova mostra, a primeira virtual, a partir deste sábado (21), por meio do projeto Unidade Guaicuru Viva. A exposição é permanente e poderá ser acessada pelo site www.unidadeguaicuruviva.com.br. Ela é composta de 69 obras, das décadas de 1980 e 1990, que fazem parte de acervos públicos e particulares.

Importante movimento artístico-cultural de Campo Grande, e do Brasil e encabeçado por Henrique Spengler, a Unidade Guaicuru foi um movimento que buscava a identidade sul-mato-grossense no início dos anos 1980 e estendeu suas atividades até o início dos anos 2000.

Ele e outros expoentes do campo cultural encontraram essa identidade na história dos povos originários que viviam na região, os guaicurus, daí o nome do movimento.

Jonir Figueiredo em 2021, durante a gravação de seu depoimento para o projeto, com obra ao fundo de Henrique Spengler

Exposição

“Nessas obras eles tratam de questões indígenas, preservação da natureza, denunciam a caça às onças e jacarés para exportação de couro, assuntos que tinham a ver com questões da época e que são relevantes até hoje, nos âmbitos social, político e artístico. O regionalismo, com raras exceções, se tornou uma reinterpretação do , uma alusão ao Pantanal bucólico. Com seus trabalhos, conseguiam falar sobre nossa fauna, flora, história, raízes indígenas e tecer críticas também”, afirma a idealizadora do projeto, Caroline Garcia.

O interesse de realizar a pesquisa sobre o assunto e montar a exposição virtual veio a partir de sua curiosidade por este momento histórico. “Existem várias histórias diferentes sobre o movimento Unidade Guaicuru, foram tantos artistas emblemáticos que fizeram parte… Temos a curiosidade de saber quem eram eles, o que os motivava e cada vez mais fui me deparando com a grandiosidade deste movimento, não só para a arte, mas também para a política cultural, era um potente ativismo”, reflete a idealizadora.

Henrique Spengler. Sem título, guache sobre papel, 32 x 44 cm. Acervo Memorial Henrique Spengler/UFMS

A partir de então, a classe começa a ter mais contato com a iconografia Kadiwéu, últimos remanescentes dos guaicurus. Ela é identificada pela abstração geométrica, utilização de cores, pintura do couro, entre outras singularidades. 

“Esse casarão era um local com grande efervescência cultural. Eu, que na época estava como presidente do cineclube Campo Grande, exibia filmes no salão da frente, a Cristina Mato Grosso ensaiava com seu grupo de nos fundos e outros diversos artistas passavam por lá. Muito do movimento surgiu ali, era um espaço vivo”, conta Paulo Paes, professor de Artes Visuais da UFMS.

Adilson Schieffer, 1983. “Composição II”, 40×32 cm, serigrafia sobre papel (Acervo Caroline Garcia)

Não é só saudosismo

Na exposição virtual, parte dessa história será retratada por meio das obras, entrevistas exclusivas com artistas que vivenciaram o movimento, documentos históricos, reportagens de jornais, entre outros materiais.

“Projetos de memória não são simplesmente por saudosismo. Toda vez que mergulhamos na história fortalecemos nossa identidade, refletimos a respeito, valorizamos o que é nosso e contribuímos com as novas gerações. Além disso, temos que mostrar a importância da arte e da cultura na vida das pessoas e no desenvolvimento de território, e que os artistas têm a prática da coletividade, da união, de questionar e apontar caminhos mais humanistas para sociedade”, pontua Caroline.

Serviço

Adilson Schieffer, Cleir, Mary Slessor, Ilca Galvão, Miska Thomé, Isaac de Oliveira entre diversos outros artistas também terão suas obras expostas e o site será um espaço em constante atualização.

A exposição poderá ser conferida gratuitamente a partir de sábado (21) por meio do site www.unidadeguaicuru.com.br. No site ainda haverá outros materiais que servem de pesquisa sobre o período.