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Para ‘fugir’ de pandemia, médico escreve poema e busca refúgio na literatura de MS

Literatura foi refúgio de Marcos durante os piores momentos da pandemia de Covid-19

Nathália Rabelo Publicado em 20/10/2021, às 17h23

Marcos Estevão dos Santos Moura escreveu livro "Távola de Palavras e Silêncios"
Marcos Estevão dos Santos Moura escreveu livro "Távola de Palavras e Silêncios" - Foto: Raquel de Souza

A poesia tem o poder de transformar e salvar vidas. Hoje, quarta-feira (20), é comemorado o Dia do Poeta, data que homenageia os responsáveis por descrever universos através dos versos. Mas você conhece o poder da literatura na vida de uma pessoa, desde escritores até leitores? O médico psiquiatra Marcos Estevão dos Santos Moura sabe muito bem essa experiência. Para enfrentar os piores momentos da pandemia de Covid-19 em Mato Grosso do Sul, ele escreveu poemas em busca de abrigo fora do mundo caótico ocasionado pela doença.

Segundo o especialista, o coronavírus afetava a saúde física. Já o medo e o isolamento geraram uma “pandemia” de saúde mental na sociedade. Na hora de se desligar do trabalho, ele teve a ideia de escrever poemas para expressar os sentimentos que, posteriormente, culminaram no seu sexto livro, denominado “Távola de Palavras e Silêncios”.

“Nos primeiros meses, o sofrimento humano foi muito grande, nós sentimos a dor, mas eu uso o que a gente chama de empatia, quem lê meus poemas pode dizer. Eu busco aquilo que o paciente traz e jogo na poesia, então a gente também pode sentir a dor do outro e colocar isso no papel”, resume Marcos Estevão. Na obra, o autor fala dos sentimentos gerados pela pandemia, de emoções humanas e também de temas diversos, como o Pantanal, as amizades e a própria arte.

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Livro “Távola de Palavras e Silêncios” (Foto: Raquel de Souza)

O prefácio do livro é do autor e membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras Rubenio Marcelo, e a contracapa de Carlos Nejar. Outras inspirações são o paraense Antônio Tavernard e escritores clássicos como Casemiro de Abreu, Gonçalves Dias e Castro Alves.

“A poesia em si já é essa dualidade, o que o poeta compreende do que ele faz não é necessariamente o que o leitor compreende quando lê, a poesia moderna, mais metafórica, deixa esses silêncios entre as linhas que precisam ser completados pelo leitor. Os hiatos, os silêncios, serão a complementação do leitor às palavras”, explica o médico.

Aos interessados, o livro “Távola de Palavras e Silêncios” será lançado em Campo Grande na quinta-feira (21) a partir de 18h na Livraria Lê, localizada na Rua Antônio Maria Coelho, 3.862. Protocolos de biossegurança serão seguidos e o uso de máscara é obrigatório no ambiente.

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