Criado por campo-grandense, projeto mostra quem são as ‘minas’ que fizeram história
‘As Mina na História’ reúne mais de 150 mil seguidores
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‘As Mina na História’ reúne mais de 150 mil seguidores
Dandara dos palmares. Antonieta de Barros. Fatima Al Fihri. Você sabe quem foram essas mulheres? Se não, saiba que Dandara foi uma mulher negra, guerreira, lutadora e esposa de Zumbi dos Palmares, Antonieta foi a primeira mulher a ter um cargo no governo brasileiro em 1901, e Fatima criou a primeira universidade do mundo. Quem conta essas histórias e muitas outras é a página “As Mina na História”, criada por uma jovem campo-grandense, e que hoje tem mais de 150 mil seguidores nas redes sociais.
São milhares de mulheres que contribuíram com a história mundial e que acabaram esquecidas. Muitas, como a atriz Hedy Lamar, criaram ou foram responsáveis pelo desenvolvimento de tecnologias que utilizamos hoje. Hedy ajudou a criar bases para sistemas que hoje são conhecidas como Bluetooth, GPS e Wi-Fi, durante a Segunda Guerra Mundial, mas só foi lembrada por sua beleza. Elas também estiveram presentes nas artes, nas guerras, na ciência e lutas políticas e em diversos outros departamentos, mas muitas vezes não levaram os créditos.
Isso incomodava a jovem Sigrid Beatriz Varanis Ortega. Aos 18 anos, ela é aficionada por história. “Eu estava participando da Olimpíada Nacional de História do Brasil e vi uma foto da Maria Bonita em meio as questões, uma foto que eu nunca tinha visto na minha vida. Assim fui pesquisar sobre a vida da Maria Bonita e fiquei com vontade de criar um projeto que envolvesse história”, relembra. Assim surgiu a página “As Mina na História”, que, com quase 150 mil seguidores, se dedica a mostrar que as mulheres impactaram a história tanto quanto os homens, porém, em virtude de discriminação e machismo, jamais tiveram os devidos créditos. “As histórias possuem uma força muito grande, elas inspiram e empoderam mulheres, elas mostram a resistência que trazemos no nosso corpo”, pontua.
Ampla pesquisa
Junto com as colaboradoras da página, Sigrid pesquisa amplamente sobre as personagens que muitas vezes não são lembradas por suas contribuições, mesmo sendo, de certa forma, famosas. Em um dos posts da página, Chiquinha Gonzaga é lembrada como a primeira pianista de choro, autora da primeira marcha carnavalesca com a letra de “Ó Abre Alas”, 1899, e também a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. Em outra postagem, é mostrado que Benedita da Silva foi a primeira senadora negra do Brasil. Política ativista do Movimento Negro e Feminista, ela era filha de lavradores.
Mas nem só de nomes históricos da sociedade brasileira vive o conteúdo de “As Minas na História”. Histórias como a da rapper afegã que aos dez anos de idade quase foi vendida para uma casamento arranjado e hoje usa o rap como protesto nas sociedades radicais, e também de Marina Abramovic, artista que se destacou por ser pioneira nas intervenções que levavam à uma ampla reflexão sobre a natureza humana, são mostradas. O nome “Mina”, uma gíria para designar mulher, é intencional, e segundo Sigrid, a recepção do público tem sido muito interessante. “‘Mina’ é justamente para ser algo informal. Recebemos bastante sugestões por mensagem, o que é bem legal pois acaba sendo uma troca de informações”, acredita.
Dentro da concepção do projeto, Sigrid e as “minas” têm vontade de levar o conceito para além do ambiente online. “Queremos sair do virtual e ser algo mais ativo, realizar palestras, lambes pelas ruas, sarais, oficinas. Nós pensamos em fazer um livro, mas como somos um projeto independente, essas coisas vão demorar um pouco para acontecer. Nós vendemos marca página da Maria Bonita e cadernetas com foto de algumas mulheres. Já fizemos zines e pretendemos fazer camisetas também”, enumera.
Conheça a página: As Mina na História.
Fotos: As Mina na História/Divulgação.
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