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Família enfrenta máquinas da prefeitura e Guarda Municipal para resistir a desocupação

Famílias enfrentaram momentos de tensão, na tarde desta quinta-feira (6), quando equipes da Guarda Municipal, com duas pás carregadeiras, chegaram à área localizada na Rua Carriça, no bairro Alves Pereira, na região sul de Campo Grande, ameaçando demolir casas do local. Os moradores foram notificados da desocupação na quarta-feira (6), mas resistiam por não terem […]

Arquivo Publicado em 06/03/2014, às 19h58

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Famílias enfrentaram momentos de tensão, na tarde desta quinta-feira (6), quando equipes da Guarda Municipal, com duas pás carregadeiras, chegaram à área localizada na Rua Carriça, no bairro Alves Pereira, na região sul de Campo Grande, ameaçando demolir casas do local. Os moradores foram notificados da desocupação na quarta-feira (6), mas resistiam por não terem para onde ir.

A área, equivalente a cinco lotes do bairro, abriga três famílias que começaram a levantar suas casas após verem durante anos o local tomado pelo lixo. “Antes aqui era um mato, tinha cachorro morto e até moto roubada foi encontrada aí dentro. Um perigo”, afirma João Filho dos Santos Souza, de 24 anos, que desde que saiu do último emprego vive de ‘bicos’ como pedreiro.

O caso de João é o mais delicado. Na notificação que recebeu a prefeitura não deu prazo para desocupação do terreno, determinando a retirada imediata dele e da mulher, Lidiane Mendes Torres, de 21 anos, grávida de nove meses, da casa de três cômodos que construíram. Apesar do chão ainda ser batido, os poucos móveis que possuem estavam na residência.

A casa da família está inteiramente dentro da medição da área determinada como pública. No momento em que a reportagem do Midiamax estava no local, assistentes sociais tentavam convencer o casal da retirada. Durante a conversa, Lidiane passou mal.

Emha e Agehab

As outras famílias estão com pelo menos metade da casa dentro do terreno, que é rodeado por outras casas populares. “Falaram para gente que isto aqui era sobra de terreno da obra feita pela Caixa Econômica Federal”, afirma a Claudemira Ferreira Alves, de 38 anos, que está com a casa sete metros para dentro da área.

A zeladora afirma que há cinco anos está cadastrada para receber uma casa por meio da Agência Municipal de Habitação (Emha) e há mais de dez anos na Agência Estadual de Habitação (Agehab), mas ainda não foi contemplada. No seu caso, foi dado prazo de cinco dias para que saísse da casa que divide com o marido e o filho.

A mãe da gestante Lidiane, a diarista Janete Mendes Torres, de 40 anos, morada perto ao local, afirma que esperou o máximo que pode para que tivesse uma casa para abrigar o casal. “Tenho inscrição na Emha desde 2002. Renovo todos os anos e até agora nada”, afirma. Moradora antiga do bairro, ela afirma que o local ficou vazio por pelo menos 20 anos. O casal afirma já ter gasto R$ 3 mil com as melhorias feitas no local.

Os funcionários da prefeitura que estavam no local afirmaram que não estavam autorizados a falar com a imprensa. A reportagem do Midiamax entrou em contato com a assessoria de imprensa da prefeitura, mas não recebeu retorno até o fechamento da reportagem.

Jornal Midiamax