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Após 3 anos, Argentina libera compra de dólares para poupança

O governo da Argentina anunciou nesta sexta-feira o relaxamento de medidas de restrição à compra de dólares e de outras moedas estrangeiras. A decisão foi tomada dois depois de a moeda do país, o peso argentino, sofrer a maior desvalorização frente à divisa americana nos últimos 12 anos. Desde o início de janeiro deste ano, […]

Arquivo Publicado em 24/01/2014, às 14h59

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O governo da Argentina anunciou nesta sexta-feira o relaxamento de medidas de restrição à compra de dólares e de outras moedas estrangeiras. A decisão foi tomada dois depois de a moeda do país, o peso argentino, sofrer a maior desvalorização frente à divisa americana nos últimos 12 anos. Desde o início de janeiro deste ano, o peso já caiu mais de 20% frente ao dólar.

Na abertura do pregão desta sexta-feira, a moeda americana operava em alta e valia 7,90 pesos argentinos. De acordo com o governo, as medidas de controle, que haviam sido impostas para operações de câmbio, serão flexibilizadas a partir da próxima segunda-feira, dia 27.

O chefe de gabinete da Presidência argentina, Jorge Capitanich, também informou que a taxa adicional que incide sobre a aquisição de mercadorias em doláres seria reduzida e que a compra da moeda americana para fins de poupança voltaria a ser autorizada.

“Decidimos autorizar a aquisição de dólares para fins de poupança”, afirmou Capitanich durante uma coletiva de imprensa, na qual não foram permitidas perguntas. Capitanich, que estava acompanhado pelo ministro da Economia do país, Axel Kicillof, explicou que a compra de dólares seria permitida “de acordo com a renda declarada do indivíduo”. Ele acrescentou que o governo também decidiu reduzir “a alíquota do imposto de 35% para 25% que incide sobre as transações em moeda americana realizadas com cartão de crédito no exterior”.

Críticas

Segundo Ignácio de los Reyes, correspondente da BBC Mundo – , o serviço hispânico da BBC – em Buenos Aires, “a restrição à compra de dólares para a poupança ou ‘armadilha cambial’, como era chamada pelos críticos do governo, foi uma das medidas mais impopulares da gestão da presidente Cristina Kirchner em um país ainda fortemente influenciado pelo dólar”.

Em meio à incerteza da economia do país, milhares de argentinos ainda usam a moeda americana para a aquisição de casas ou para fins de poupança, uma herança dos tempos de paridade entre o peso e o dólar. Até a crise de 2001, que resultou na declaração de moratória da Argentina, a moeda do país tinha o mesmo valor nominal da divisa americana.

Ainda não se sabe, entretanto, se a medida valerá também para a compra de dólar para viagens ao exterior. Várias tentativas do governo para “pesificar” a economia não foram bem recebidas por setores da classe média, que protestaram contra as restrições impostas à compra de moeda estrangeira.

Jornal Midiamax