Com aliados na presidência, Nelsinho pode escapar de responder à CPI na Câmara

Presidente da CPI foi líder de Nelsinho na Câmara, relatora é presidente municipal do PMDB e terceiro integrante é afilhado político de Marquinhos Trad.
| 11/05/2013
- 14:34
Com aliados na presidência, Nelsinho pode escapar de responder à CPI na Câmara

Presidente da CPI foi líder de Nelsinho na Câmara, relatora é presidente municipal do PMDB e terceiro integrante é afilhado político de Marquinhos Trad.

Na primeira reunião, realizada para escolher presidente e relator, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar irregularidades no Hospital do Câncer e Hospital Universitário já deu mostras de que pouco poderá contribuir para apurar o descaso com o dinheiro público e a vida das pessoas, pelo menos do que diz respeito a possível responsabilidade do ex-prefeito (PMDB) e seus secretários.

Com maioria na comissão, aliados de Nelsinho elegeram o ex-líder dele na Câmara, Flávio César (PTdoB), presidente, e afilhada de André Puccinelli (PMDB) e presidente municipal do PMDB, Carla Stephanini, relatora. Para dominar a comissão eles contaram com a colaboração do vereador Coringa (PSD) eles não tiveram coragem de abrir espaço para a base do prefeito Alcides Bernal (PP), boicotando Cazuza (PP) e Alex do PT da relatoria.

A blindagem levanta questionamentos sobre a seriedade da CPI. Ex-líder de Nelsinho, Flávio César tem vários laços com os envolvidos no setor de saúde de Campo Grande. Ele é, por exemplo, do mesmo partido de Otávio Trad (PTdoB), filho do ex-secretário de Saúde e cunhado de Nelsinho, .

O problema é ainda pior se analisar o conjunto da CPI. Dos cinco integrantes, três (Carla, Coringa e Flávio), derrubaram a CPI por duas vezes e os outros dois pouco podem contribuir, já que serão voto vencido, à exemplo, se quiserem convocar Nelsinho ou os ex-secretários. O vereador Coringa, embora se declare independente, tem ligações com a família do ex-prefeito. Ele é afilhado político do irmão de Nelsinho, deputado Marquinhos Trad (PMDB).

O grupo que agora manda na CPI foi responsável, por exemplo, por restringir a atuação dela. A pedido do grupo do PMDB, Flávio César apresentou um requerimento e conseguiu derrubar a solicitação de Luiza Ribeiro (MD), que propôs uma CPI ampla da saúde em Campo Grande.

Os desmandos do grupo do ex-prefeito já foram observados na própria formação da comissão, quando os vereadores, liderados pelo presidente, Mário César (PMDB), barraram a participação de Luiza Ribeiro. O grupo de Nelsinho ficou revoltado quando a vereadora propôs a CPI e eles rejeitaram, sendo apontados pela sociedade como os vilões da saúde em Campo Grande.

O troco não demorou. Com maioria na Casa, o presidente Mário César liderou o boicote a vereadora. O PT até tentou salvar a CPI, lutando para incluir Luiza na comissão, mas o presidente que sempre promete acordo utilizou-se de uma interpretação do regimento para impedi-la.

Com tantas blindagens, a primeira CPI montada na Câmara de Campo Grande mal começou a andar e já caminha para ter resultados mais pífios que as outras duas derrubadas por André Puccinelli na Casa, antes de nascer.

A primeira tentativa de abrir uma CPI aconteceu nos primeiros anos da administração de André Puccinelli em Campo Grande, no escândalo conhecido como “Lixogate”, que envolvia o empresário Moreno Gori. O empresário foi acusado pelo Ministério Público Federal de falsificar carteiras de identidade. Os documentos foram usados para montar a empresa que ficaria encarregada pela coleta e transformação do lixo em energia em Campo Grande, na administração de Puccinelli.

Segundo o Ministério Público Federal, o empresário italiano prometeu investir US$ 128 milhões para tocar o serviço. O então líder de Puccinelli, Athayde Nery (MD), avisou que os vereadores estavam dispostos a abrir a CPI e aconselhou o prefeito a cancelar a licitação.

Acompanhado do então vereador Nelson Trad Filho (PMDB), em 1998 Athayde também tentou fazer a CPI da Santa Casa. Ele chegou a ter as sete assinaturas necessárias para investigar irregularidades no hospital, mas vereadores da base de Puccinelli acabaram retirando as assinaturas.

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