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Excesso de carga de bitrens canavieiros destrói BR-463, após investimentos de R$ 23 milhões na recuperação

Como centopeias alopradas os gigantescos caminhões apelidados de Bitrens serpenteiam ao longo da rodovia BR 463 entre Dourados e Ponta abarrotados de cana-de-açúcar picada com destino a duas usinas da região. Até ai tudo bem, muito poético. É até bonito de ser ver estes caminhões transportando a “riqueza” da região, gerando empregos e todas as […]

Arquivo Publicado em 29/08/2012, às 18h39

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Como centopeias alopradas os gigantescos caminhões apelidados de Bitrens serpenteiam ao longo da rodovia BR 463 entre Dourados e Ponta abarrotados de cana-de-açúcar picada com destino a duas usinas da região.

Até ai tudo bem, muito poético. É até bonito de ser ver estes caminhões transportando a “riqueza” da região, gerando empregos e todas as polissemias que a palavra desenvolvimento pode nos oferecer.

Acontece que por trás deste progresso vemos que os veículos de nove eixos e seus 34 pneus trafegam com cargas acima do permitido por lei e acabam danificando o asfalto que foi reformado recentemente.

O que era para ser uma estrada de primeira qualidade hoje não passa de um verdadeiro “caminho de rato” cheio de sulcos e abaulados que resultam num treme-treme frenético nos veículos de passeio.

Quando as “centopeias de ferro” saem da roça de cana e adejam a BR 463, num trecho de cerca de oitocentos metros criam-se dois sulcos no asfalto no lugar por onde as rodas passam. A cada viagem do bitrem o asfalto vai afundando transformando-se num trilheiro de formigas cortadeiras.

Em cada entrada e saída de canavial a história é a mesma: o asfalto sofre e a rodovia vira uma “estrada de fazenda”. Estes sulcos permanecem e quando chove pode acontecer a aquaplanagem dos pequenos veículos mesmo que estejam em velocidade considerada baixa. Quando está seco os carros bailam na pista e como maestros os motoristas são obrigados a reger uma sinfonia de perigos.

Em alguns trechos os sulcos e os buracos foram “recuperados”, mas a situação se agrava e quem gosta de viajar acima dos 100 quilômetros por hora que se cuide. Soma-se a tudo isso o poeirão vermelho provocado pelos bitrens que entram e saem na 463 incessantemente.

Pelo menos umas dez multas por semana são lavradas pela Polícia Rodoviária Federal em caminhões que estão trafegando acima do peso. E adianta multar? Nada! As transportadoras continuam carregando mais de 120 mil quilos onde é permitido apenas 70 toneladas.

Vale lembrar que há menos de três anos o Ministério dos Transportes investiu R$ 24.203.780,79 na “revitalização, conservação e recuperação” da BR 463 que além de transportar o desenvolvimento, a soja, o milho, a cana-de-açúcar, outros víveres também serve de trajeto para as narco-substâncias e outros “descaminhos” das classes média e política douradenses que “nem tchum” para o problema da estrada.

Jornal Midiamax