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Argentina leva reivindicação pelas Malvinas à ONU

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, fez uma rara aparição nesta quinta-feira no Comitê de Descolonização da Organização das Nações Unidas (ONU) para defender que as ilhas Malvinas são território argentino e não devem ficar sob domínio britânico. O comitê normalmente é frequentado por diplomatas de médio escalão, e a presença da presidente por lá […]

Arquivo Publicado em 14/06/2012, às 22h43

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A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, fez uma rara aparição nesta quinta-feira no Comitê de Descolonização da Organização das Nações Unidas (ONU) para defender que as ilhas Malvinas são território argentino e não devem ficar sob domínio britânico.


O comitê normalmente é frequentado por diplomatas de médio escalão, e a presença da presidente por lá é mais uma jogada na ampla ofensiva diplomática do governo dela para reafirmar a reivindicação argentina sobre as ilhas do Atlântico Sul, que os britânicos chamam de Falklands.


Diplomatas disseram que Cristina solicitou a realização dessa sessão neste 14 de junho por se tratar do trigésimo aniversário da vitória britânica numa guerra entre os dois países pela posse do arquipélago.


Ela disse ao comitê que a permanência das Malvinas sob controle britânico é “uma afronta ao mundo com o qual sonhamos”.


“Como pode que seja parte do território britânico quando está a 14 mil milhas de distância?”, perguntou Cristina, que falou por quase uma hora e repetiu a acusação argentina de que Londres estaria militarizando o entorno das ilhas, algo que a Grã-Bretanha nega.


Antes, ela se reuniu com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que reiterou sua oferta para mediar a disputa caso os dois lados assim solicitem, segundo a assessoria de imprensa de Ban.


A Grã-Bretanha alega que só aceita negociar a soberania das ilhas se os seus 3.000 habitantes se pronunciarem nesse sentido, algo que parece improvável.


Roger Edwards, membro da Assembleia Legislativa das ilhas, disse ao comitê que os “kelpers”, como são chamados os ilhéus, têm direito à autodeterminação e vão exercê-la num referendo no começo de 2013.


“Hoje, portanto, tudo o que pedimos é o direito a determinar nosso próprio futuro sem ter de suportar as táticas beligerantes e provocativas de um país vizinho”, afirmou. Ele também citou uma pesquisa segundo a qual 96 por cento dos ilhéus querem manter o controle britânico.


Como parte da pressão contra as ilhas, o governo de Cristina proibiu voos fretados entre as Malvinas e a Argentina, e os países do Mercosul passaram a impedir barcos com bandeira das Malvinas de atracar em seus portos. Buenos Aires se queixa da prospecção de petróleo no entorno das ilhas.


Edwards acusou a Argentina de tentar prejudicar a “nossa indústria de hidrocarbonetos” e de danificar as indústrias de turismo e pesca.


O Comitê de Descolonização aprovou uma resolução sem valor de lei, patrocinada por vários países latino-americanos, que é semelhante a outros textos adotados em anos anteriores, solicitando que Argentina e Grã-Bretanha entrem em negociações sobre as ilhas.


Mas, no mesmo dia, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que o Reino Unido está “preparado e disposto” a defender sua soberania.


Jornal Midiamax