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Estudo: 9 a cada 10 mulheres na América Latina sofreram violência

Nove entre cada 10 mulheres da América Latina sofreram algum tipo de violência física ou psicológica. A conclusão é da Plan, uma organização não governamental que atua em 68 países em colaboração com a Organização das Nações Unidas (ONU). Para o hondurenho Daniel Molina, assessor da instituição, conceitos religiosos e ligação com o narcotráfico estão […]

Arquivo Publicado em 18/06/2011, às 20h48

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Nove entre cada 10 mulheres da América Latina sofreram algum tipo de violência física ou psicológica. A conclusão é da Plan, uma organização não governamental que atua em 68 países em colaboração com a Organização das Nações Unidas (ONU). Para o hondurenho Daniel Molina, assessor da instituição, conceitos religiosos e ligação com o narcotráfico estão relacionados ao alto número de ocorrências.

De acordo com Molina, a violência contra a mulher tem muitas causas e se deve principalmente a raízes culturais que “legitimam e estabelecem um domínio predominante do homem sobre a mulher, que se perpetua através das gerações”.

Na América Latina, “a religião desempenha papel fundamental na legitimação da maneira como os homens estabalecem o domínio, poder e violência contra as mulheres”, analisa o especialista. Ele afirma que conceitos como o de que Deus é homem e de que a mulher foi criada de uma costela de Adão ou textos religiosos que trazem a mulher como adúltera estabelecem conceitos “machistas de dominação e hegemonia do homem sobre a mulher”.

Para Molina, o narcotráfico na América Latina, em especial na América Central – uma das regiões mais violentas do mundo, segundo a ONU -, favorece a violência. “O narcotráfico contribui para o aumento do número de mortes entre as mulheres, que cada vez mais entram para este tipo de atividade, onde são usadas com fins comerciais”, explica Molina.

Para reverter este quadro, ele recomenda modificações nos padrões educacionais culturais e religiosos, aplicados desde a infância, e trabalhar com homens já adultos “para que eles vejam que este modelo não é justo”, ainda que eventuais mudanças demorem para acontecer.

“Não estamos dizendo que os homens devem ser iguais às mulheres, mas sim que os direitos devem ser garantidos de maneira igual”, salienta Molina, que ministrou uma conferência no Panamá neste sábado sobre o assunto.

De acordo com a ONU, a violência contra a mulher é a principal causa de morte no mundo na faixa etária entre 15 e 45 anos, superando a soma de doenças como o câncer e malária, acidentes de trânsito e guerras.

Jornal Midiamax