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Artigo que aborda preconceito de brasileiros com paraguaios reacende polêmica

Texto do professor e advogado Tácito Loureiro da Silva (Foto), foi publicado no jornal La Nación

Arquivo Publicado em 30/01/2011, às 15h00

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Texto do professor e advogado Tácito Loureiro da Silva (Foto), foi publicado no jornal La Nación

A polêmica sobre o preconceito que os brasileiros têm com relação ao povo paraguaio reacendeu esta semana no Paraguai com a publicação do artigo La imagen paraguaya en Brasil: el caso del “caballo paraguayo” escrito pelo professor e advogado douradense Tácito Loureiro da Silva Lourenço Baptista e publicado no diário La Nacion editado em Assuncion.

O texto de Tácito foi reproduzido por dezenas de sites de notícias do paraguaio e reacendeu as discussões sobre as relações em os povos dos dois países marcada pela polêmica Guerra da Triplice Aliança conhecido pelos brasileiros como a “Guerra do Paraguai” quando a Nação Guarani foi praticamente dizimada restando apenas e tão somente mulheres e crianças para contar a história.

No artigo o advogado diz que o “jornalismo brasileiro associa o Paraguai com a imoralidade”. Na opinião de Tácito “a televisão relaciona o Paraguai com a falsificação, o contrabando de produtos estrangeiros, a violência, a corrupção, a produção e o tráfico de drogas, o esconderijo de traficantes e o destino de carros roubados”.

Há muitos anos, segundo Tacito, que o Paraguai tem servido para opiniões desfavoráveis e estereotipadas na imprensa brasileira. O articulista acrescenta que “o acesso a uma educação de qualidade é um grande desafio no Brasil. Sem ter o devido conhecimento sobre o Paraguai, os brasileiros são facilmente manipulados, levados a crer em ideias negativas, ofensivas sobre o Paraguai”.

Tácito pensa que “a obrigação e o direito de qualquer governo é cuidar da sua imagem internacional. As autoridades paraguaias podem seguir o exemplo da comunidade judaica, para defender a imagem do Paraguai no exterior”.

O advogado prossegue seu texto afirmando que “o Paraguai, como todos os outros países, tem seus problemas. Mas não justifica a imprensa do Brasil tratá-lo com imoralidade. O caso do “cavalo paraguaio” é apenas um dos muitos casos. Será uma decisão histórica à dignidade e à imagem do povo paraguaio, se o Paraguai ganhar a causa na Justiça”.

“Até quando as autoridades paraguaias estarão caladas? Sem atuar?”, cobra o advogado ao sugerir que dinheiro das indenizações, por exemplo, poderá ser investido na melhoria das condições de vida do povo paraguaio. “Mas se nada se faz, os estereótipos e a discriminação continuarão abalando profundamente a imagem internacional do país”, finalizou Tácito.

REPERCUSSÃO

O artigo de Tácito Loureiro ganhou repercussão nacional no Paraguai e onde foi publicado recebeu dezenas de comentários de paraguaios indignados com o preconceito.

A ALAI (Agencia Latinoamericana de Información) que tem sede no Equador e que distribui conteúdo jornalístico em português, espanhol e inglês para o mundo inteiro deu destaque para o artigo que foi compartilhado pelos internautas.

ORIGEM DA GÍRIA

Conforme a Enciclopédia Livre Wikipédia a expressão Cavalo paraguaio “é uma gíria utilizada no futebol brasileiro para designar equipes ou jogadores que tenham uma boa atuação no começo de um campeonato, ou mesmo em uma partida, e a seguir decaem de modo a serem superados pelos demais”.

A Wikipédia afirma que “a expressão teria origem no turfe, quando em seis de agosto de 1933 foi realizado o primeiro Grande Prêmio Brasil, em que um cavalo chamado Mossoró, do estado de Pernambuco e que teria ascendência paraguaia, contrariando todas as expectativas, arrancou inesperadamente e venceu o páreo”.

Além desta, existem várias outras explicações para a origem do termo pejorativo que persegue brasileiros e paraguaios.

Versão do artigo em português

A imagem paraguaia no Brasil: o caso do “cavalo paraguaio”

Por Tácito Loureiro (*)

O jornalismo brasileiro associa o Paraguai com a imoralidade. A televisão relaciona o Paraguai com a falsificação, o contrabando de produtos estrangeiros, a violência, a corrupção, a produção e o tráfico de drogas, o esconderijo de traficantes, o destino de carros roubados etc. Faz muito tempo que o Paraguai tem servido para opiniões desfavoráveis, estereótipos na imprensa brasileira.

Segundo o Prof. Dr. Mauro César Silveira: “No século XIX, o jornal Paraguay Illustrado, produzido na corte de Dom Pedro II, apresentava charges que disseminavam estereótipos em relação ao país guarani e ao seu povo. Na primeira década do novo milênio, ainda são visíveis as marcas do preconceito no Jornalismo brasileiro.

Uma análise do discurso da mídia nacional mostra que antigas idéias-imagens avançaram através do tempo e, mesmo adquirindo novos contornos e significados, mantêm uma conotação extremamente negativa do Paraguai, na maioria das vezes, associado à falsificação e aos negócios escusos e apresentado como o país sul-americano menos qualificado – o indesejado e autêntico fundo do poço” (web: http://revcom2.portcom.intercom.org.br/index.php/rbcc/article/viewFile/3313/3122).

Conforme a informação disponível na Internet: “Cavalo paraguaio é uma gíria utilizada no futebol brasileiro para designar equipes ou jogadores que tenham uma boa atuação no começo de um campeonato, ou mesmo em uma partida, e a seguir decaem de modo a serem superados pelos demais” (web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cavalo_paraguaio).

No futebol, o jornalismo desportivo parece discriminar o Paraguai pelo uso de alguns termos. Alguns exemplos retirados das páginas brasileiras mais respeitadas dos maiores veículos de comunicação da imprensa brasileira: FOLHA DE SÃO PAULO (web: http://search.folha.com.br/search?q=cavalo%20paraguaio&site=online); Grupo Abril (responsável pela publicação da Revista Veja, a mais famosa do Brasil): “O volante Chico acredita que foi mais uma boa atuação de todo o time, mostrando que o Atlético-PR não é um ‘cavalo paraguaio’ nessa arrancada após a Copa do Mundo. (…).” (web: http://placar.abril.com.br/brasileiro/atletico-pr/noticias/mesmo-buscando-tres-pontos-furacao-se-contenta-com-empate.html); O ESTADO DE SÃO PAULO: Ponte espera provar que não é ””cavalo paraguaio”” (web: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080302/not_imp133532,0.php).

O acesso a uma educação de qualidade é um grande desafio no Brasil. Sem ter o devido connhecimento sobre o Paraguai, os brasileiros são facilmente manipulados, levados a crer em idéias negativas, ofensivas sobre o Paraguai.

Para o Supremo Tribunal Federal (STF), do Brasil: “As liberdades públicas não são incondicionais, por isso devem ser exercidas de maneira harmônica, observados os limites definidos na própria CF (CF, art. 5º, § 2º, primeira parte). O preceito fundamental de liberdade de expressão não consagra o ‘direito à incitação ao racismo’, dado que um direito individual não pode constituir-se em salvaguarda de condutas ilícitas, como sucede com os delitos contra a honra. Prevalência dos princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade jurídica.” (HC 82.424, Rel. p/ o ac. Min. Presidente Maurício Corrêa, julgamento em 17-9-2003, Plenário, DJ de 19-3-2004.) (web: http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/constituicao.asp).

Os judeus conseguiram no STF a seguinte decisão judicial: “Habeas corpus. Publicação de livros: antissemitismo. Racismo. Crime imprescritível. Conceituação. Abrangência constitucional. Liberdade de expressão. Limites. Ordem denegada. Escrever, editar, divulgar e comerciar livros ‘fazendo apologia de ideias preconceituosas e discriminatórias’ contra a comunidade judaica (Lei 7.716/1989, art. 20, na redação dada pela Lei 8.081/1990) constitui crime de racismo sujeito às cláusulas de inafiançabilidade e imprescritibilidade (CF, art. 5º, XLII).” (HC 82.424, Rel. p/ o ac. Min. Presidente Maurício Corrêa, julgamento em 17-9-2003, Plenário, DJ de 19-3-2004.) (web: http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/artigoBd.asp?item=31 ).

A obrigação e o direito de qualquer governo é cuidar da sua imagem internacional. As autoridades paraguaias podem seguir o exemplo da comunidade judaica, para defender a imagem do Paraguai no exterior.

Com respeito à dignidade e à honra do país guarani, sugere-se ao Governo do Paraguai: 1) exigir que o Brasil cumpra as leis e os tratados internacionais de Direitos Humanos, e punir a imprensa que faz apologia a idéias ofensivas e discriminatórias contra a comunidade paraguaia; 2) retirar conteúdos discriminatórios vinculados em Internet (exemplo na web: http://desciclo.pedia.ws/wiki/Paraguai); 3) acionar na justiça a imprensa responsável por violações, na área cível (direitos à indenização, à imagem, à honra, à resposta, do Estado Paraguaio); e criminal (o crime de racismo é inafiançável e imprescritível, segundo o Art. 5.º, XLII, da Constituição do Brasil); 4) recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Corte Suprema do Brasil, à Diplomacia, e se ainda for necessário denunciar o caso do “cavalo paraguaio”, e outras violações jornalísticas, à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

O Paraguai, como todos os outros países, tem seus problemas. Mas não justifica a imprensa do Brasil tratá-lo com imoralidade. O caso do “cavalo paraguaio” é apenas um dos muitos casos. Será uma decisão histórica à dignidade e à imagem do povo paraguaio, se o Paraguai ganhar a causa na Justiça.

Até quando as autoridades paraguaias estarão caladas? Sem atuar? Ficam aqui registradas estas perguntas. O dinheiro das indenizações, por exemplo, poderá ser investido na melhoria das condições de vida do povo paraguaio. Mas se nada se faz, os esteriótipos e a discriminação continuarão abalando profundamente a imagem internacional do país.

(*)Tácito Loureiro é advogado e licenciado em Letras.

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2. Versão do artigo em espanhol

La imagen paraguaya en Brasil: el caso del “caballo paraguayo”

Tácito Loureiro*

El periodismo brasileño asocia a Paraguay con la inmoralidad. La televisión relaciona a Paraguay con la falsificación, con el contrabando de productos extranjeros, con la violencia, la corrupción, la producción y el tráfico de drogas, escondites de traficantes, destinos de autos robados etc. Ya hace mucho tiempo que Paraguay ha servido para opiniones desfavorables, en los esteriotipos por la prensa brasileña.

Según el Prof. Dr. Mauro César Silveira: “En el siglo XIX, el periódico Paraguay Illustrado, producido en la corte de D. Pedro II, mostraba caricaturas que diseminaban preconceptos sobre el país guaraní y su pueblo. En la primera década del nuevo milenio, aún son visibles las marcas del preconcepto en el Periodismo brasileño. Un análisis del discurso de los medios de comunicación nacionales muestra que antíguas ideas-imágenes avanzaron a través del tiempo y, mismo que hayan recibido nuevos contornos y significados, mantienen una connotación extremamente negativa del Paraguay, en la mayoria de los casos, asociado a falsificación y a los negocios escusos y presentado como el país sudamericano menos calificado – el indeseado y auténtico fondo del pozo” (web: http://revcom2.portcom.intercom.org.br/index.php/rbcc/article/viewFile/3313/3122).

Conforme la información disponible en Internet: “Caballo Paraguayo” es un dicho conocido en el fútbol brasileño. Se usa ese termino para designar a los equipos que comienzan bien el campeonato, pero con el pasar del tiempo pierden los partidos hasta terminar en el ultimo lugar de la competicion. (…).” (web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cavalo_paraguaio).

En el fútbol, el periodosmo deportivo parece discriminar a Paraguay por el uso de algunos terminos. Algunos ejemplos retirados de las paginas brasileñas mas respetadas y con mayores vinculos de comunicación de la prensa brasileña: Diario FOLHA DE SÃO PAULO (web: http://search.folha.com.br/search?q=cavalo%20paraguaio&site=online); Grupo Abril (responsable de la publicación de la Revista Veja, la mas famosa de Brasil): “El volante Chico cree que fue más una buena actuación de todo el equipo, mostrando que el Atlético-PR no es un ‘caballo paraguayo’ en esa arrancada después de la Copa del Mundo. (…).” (Web: http://placar.abril.com.br/brasileiro/atletico-pr/noticias/mesmo-buscando-tres-pontos-furacao-se-contenta-com-empate.html); Diario O ESTADO DE SÃO PAULO: (Ponte) espera probar que no es ““caballo paraguayo”” (web: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080302/not_imp133532,0.php).

El acceso a una educación de calidad es un gran desafio en Brasil. Sin tener el debido conocimiento sobre Paraguay, los brasileños son facilmente manipulados, llevados a creer en ideias negativas, ofensivas sobre Paraguay.

Para el Supremo Tribunal Federal (STF), de Brasil: “(…) El preconcepto fundamental de la libertad de expresion no consagra “el derecho a la incitación al racismo” dado que es un derecho individual no puede ser en la salvaguardia de la conducta ilegal, como sucede con los delitos contra la honra, La prevalencia de los principios de la dignidad humana y la igualdad jurídica (web: http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/constituicao.asp).

Los judios han conseguido en STF la siguiente ley: “Escribir, editar, divulgar e comercializar libros destacando ideas ofensivas y discrminatorias contra la comunidad judia (…) consituye un delito sujeto a las normas sobre imprescriptibilidad y no la libertad bajo fianza (…).” (web: http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/constituicao.asp).

La obligación y derecho de qualquier govierno es de cuidar su imagen internacional. Las autoridades paraguayas pueden seguir el ejemplo de la comunidad judia, para defender la imagen de Paraguay en el exterior.

Con respecto a la dignidad e la honra del pais guarani, se sugiere al gobierno de Paraguay: 1) Exigir a Brasil para cumplir las leyes y los tratados internacionales de los Derechos Humanos, y sancionar a la prensa que hace apologia de ideas ofensivas y discrinativas contra la comunidad paraguaya (por ejemplo: prohibir el uso del dicho termino “caballo paraguayo”); 2) retirar Contenidos descriminativos vinculados en Internet (ejemplo en web: http://desciclo.pedia.ws/wiki/Paraguai); 3) accionar en la justicia a la prensa responsable por violaciones, en el área civil (derechos a la indemnización, a la imagen, a la honra, a la respuesta, del Estado Paraguayo); y criminal (el crimen de racismo es inafiançable y imprescriptible, según el Art. 5.º, XLII, de la Constitución de Brasil; 4) recorrer lo Supremo Tribunal Federal (STF), la Corte Mayor del Brasil; a la Diplomacia, y si aun es necesario denunciar el caso del “caballo paraguayo”, y otras violacionas periodisticas, a la Comisión Interamericana de Derechos Humanos (CIDH).

El Paraguay como todos los otros países tiene sus problemas, pero no justifica la prensa del Brasil tratarlo con inmoralidad. El caso del “caballo paraguayo” es apenas uno de los muchos casos. Sera una decisión histórica a la dignidad y imagen del pueblo paraguayo, si gana el caso de Paraguay.

¿Hasta cuando las autoridades paraguayas estaran calladas? ¿Sin actuar? Se quedan aca registradas estas preguntas. El dinero de las indenizaciones, por ejemplo, podera ser invertido en la mejoria de las condiciones de vida del pueblo paraguayo. Pero, si nada se hace los esterotipos, la discriminación continuaran abalando profundamente la imagen internacional del pais.

Escribí un artículo y envío a todas las personas que forman hoy día La Nación. Espero que alguien pueda leer el artículo y pensar acerca del asunto que él establece una crítica.

*Abogado (OAB-SP n. 283455) en Estado de San Pablo, Brasil. Licenciado en Letras y Bacharel en Derecho. E-mail: [email protected]

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