Advogados de defesa das ex-funcionárias da clínica de aborto disseram que suas clientes estão sendo acusadas por dedução

Os advogados de defesa das ex-funcionárias da clínica de Neide Mota que estão sendo acusadas por 26 abortos, disseram que suas clientes estão sendo acusadas por dedução. Na ocasião estão sendo julgadas, as três auxiliares de Enfermagem Libertina de Jesus Centurion, Rosângela de Almeida e Maria Nelma de Souza e a psicóloga Simone de Souza.

Segundo o advogado das auxiliares de enfermagem Miguel Sá, não há provas materiais que comprovem a participação das mulheres na prática dos abortos realizados na clínica de Neide Mota Machado. De acordo com ele, os documentos e materiais encontrados na clínica não comprovam que as mulheres realizaram os abortos. Além disso, ele destacou que as funcionárias não sabiam que a clínica realizava abortos, já que recebiam ordens da dona da clínica.

De acordo com o advogado o aborto é um crime realizado por quem fez o ato e quem consentiu. Por isso, ele acredita que as responsáveis pelo crime não são as auxiliares de enfermagem, mas sim Neide Mota e as mulheres que consentiram em realizar o aborto.

“As fichas recolhidas na clínica não demonstram se as mulheres foram fazer um aborto ou apenas uma consulta. Onde está a prova material? Não existe prova material. Elas estão sendo acusadas por dedução. O que existe é uma confissão da doutora Neide, mas elas só recebiam as pacientes, preenchiam fichas e auxiliavam quando eram chamadas; não sabiam o que era combinado entre a médica e as pacientes”, afirma o advogado

O advogado de defesa da psicóloga René Siufi também questionou a falta de provas materiais do crime. Ele também afirma que o processo é um retrato da hipocrisia. O advogado ressaltou que a clínica funcionava há mais de 20 anos e que o Conselho Regional de Medicina sabia da existência da clínica como sendo um local em que havia aborto. Segundo ele, dentre os clientes do local estavam médicos e delegados.

O advogado René Siufi também criticou que o processo surgiu de uma gravação criminosa de uma emissora que preza pela moralidade, mas, que, ao mesmo tempo, também exibe programas como o Big Brother que, segundo comentários dele, é um programa que teria “biscate, boiola e bicha”.

O advogado também criticou o fato dos laudos de 2007 terem sido juntados aos autos do processo somente este ano. De acordo com ele, esse é um caso de se oficiar o Conselho Nacional do Ministério Público.