Esportes

Obras continuam inacabadas um ano depois da Copa do Mundo

Brasil também não tem muito do que se orgulhar do legado da Copa

Gerciane Alves Publicado em 12/06/2015, às 14h20

None
estadios2014.jpg

Brasil também não tem muito do que se orgulhar do legado da Copa

Dia 12 de junho. Há exatamente um ano, a bola começou a rolar na Copa do Mundo do Brasil. Dentro de campo, aquele vexame que a gente não gosta nem de lembrar. E longe dos gramados o Brasil também não tem muito do que se orgulhar.

O legado da Copa não resolveu os problemas das cidades-sede. De norte a sul do país, os repórteres do Bom Dia Brasil mostram por que muitas dessas obras estão empacadas até hoje.

A confirmação da Copa do Mundo no Brasil foi uma alegria só. Pelo futebol, é claro. Mas também pelas promessas de obras de infraestrutura que iriam melhorar o dia a dia de milhões de brasileiros.

Um ano depois do mundial, muitas cidades ainda parecem canteiros de obras. A via expressa planejada para ligar a rodoviária de Curitiba ao aeroporto internacional, que fica em São José dos Pinhais, até hoje não foi concluída.

Em Natal, a previsão era de reformar 55 quilômetros de calçadas, mas a prefeitura só reformou 5km. Trezentas paradas de pontos de ônibus cobertos também estavam no projeto, mas não foram feitos. Por causa desses problemas, o contrato antigo teve que ser quebrado e uma nova licitação vai ter que ser feita. Mas depende da autorização do ministério das Cidades que ainda não se posicionou. Até lá, todas as obras não têm nem previsão de termino.

Em Pernambuco, o principal investimento seriam os corredores de transporte. A previsão era de R$ 529 milhões em quatro grandes obras. Mas apenas o terminal integrado ficou pronto. O ramal da Copa, que levaria as pessoas da estação até a arena, não foi concluído. E os dois eixos do BRT também estão incompletos. Ao todo, seriam 55 estações. Mas 20 ainda não foram inauguradas. Por isso, em vez dos 450 mil passageiros previstos, o BRT transporta apenas 100 mil pessoas por dia.

“As obras de dois empreendimentos estão paradas porque teve problemas enfrentados com a empresa. O consórcio construtor por conta de uma das empresas que está envolvida na Operação Lava Jato da Policia Federal”, afirma o gerente de Mobilidade de Pernambuco.

O projeto de Pernambuco foi considerado um dos mais ousados. Imagine que, nesse meio do mato, no meio do nada, seria construída uma cidade inteligente. A cidade da Copa uniria moradia, escola, trabalho e lazer em um mesmo lugar. Pelo que foi prometido, seria assim: 4,5 mil unidades habitacionais, escolas, universidade, torres de escritórios, prédios públicos, centro de convenções e até um shopping. Era muita coisa. Só que, até agora, só a arena saiu do papel. De todo o restante, nem sinal.

No Rio de Janeiro, a cidade que mais recebe turistas no país, ficou faltando justamente a reforma do aeroporto internacional. Depois de dois adiamentos, as obras estão sendo feitas pela concessionária que assumiu o aeroporto em agosto do ano passado.

Um ano depois da Copa, dá para ver que a reforma do aeroporto de Fortaleza ainda está longe de ficar pronta. As obras pararam em maio do ano passado, antes mesmo da competição, justamente porque a empresa estaria demorando demais para fazer o trabalho.

Resultado, só para construir a área de equipamentos de rampa, aumentar o pátio de aviões e fazer uma nova sala de embarque doméstico, o governo gastou R$ 54 milhões. A Infraero diz isso era o que estava previsto mesmo para ficar pronto até a Copa do Mundo e que o restante da obra sempre teve previsão de entrega só para 2017.

Na capital do país, o VLT que ligaria o aeroporto até o fim da Asa Norte também não foi adiante. R$ 30 milhões chegaram a ser investidos no projeto. Mas o governo do Distrito Federal diz que a obra não é mais prioridade. E que só vai fazer uma licitação este ano, se a União liberar recursos.

A obra mais aguardada pelos moradores de Cuiabáe Várzea Grande está totalmente parada. Nem 20% do Veículo Leve sobre Trilhos, que começou a ser construído em 2012, estão prontos. A entrega já foi adiada sete vezes e agora a promessa do governo do estado é que os vagões comecem a circular só em 2018.

Se estivesse pronto, o VLT poderia transportar até 160 mil pessoas por dia. Mas por enquanto, a população vai ter que conviver com o abandono, com blocos de concreto atrapalhando o trânsito e dividindo espaço com os motoristas.

Para a seleção brasileira, o mundial terminou com gosto amargo. E a para a população, o legado da copa também deixou muito a desejar.

O consórcio do VLT de Cuiabá disse que o atraso foi causado por um erro no cronograma de desapropriações que o estado deveria ter feito.

A prefeitura de Natal informou que vai contratar outra empresa para reformar as calçadas.

O governo do Paraná disse que o trecho da via expressa no município de São José dos Pinhais vai ficar pronto até fevereiro do ano que vem.

Sobre a cidade da Copa, nem o governo de Pernambuco, nem a Odebrecht deram uma previsão para a retomada do projeto.

Jornal Midiamax