Esportes

Lais Souza: ‘Eu me vejo trabalhando com esporte. Competindo ou comentando’

A atleta ficou tetraplégica após acidente em treino com esqui

Clayton Neves Publicado em 12/08/2015, às 10h55

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A atleta ficou tetraplégica após acidente em treino com esqui

A ex-ginasta e ex-esquiadora Lais Souza participou nesta terça-feira (11) dos debates olímpicos promovidos pela Abril no Rio, projeto da editora Abril para os Jogos Olímpicos de 2016. Alegre e espontânea, com tiradas cheias de humor, Lais deu detalhes do acidente que a deixou tetraplégica, há um ano e sete meses, durante um treino de esqui nos Estados Unidos. Ela falou sobre as dificuldades de viver em uma cadeira de rodas, da importância do auxílio de seu cuidador e dos familiares, dos avanços em sua recuperação, e do seu futuro, que deve ter o esporte como centro, seja competindo ou como comentarista. “Não tenho muitas opções, mas tenho pensado bastante em ser paratleta, conheci há pouco tempo a bocha adaptada. E também penso em trabalhar como comentarista de ginástica ou esqui, ou os dois né? Por que não?”, disse Laís, em São Paulo.

Ela não se constrange em nenhum momento em falar do acidente. “Aconteceu quando treinava velocidade e freada na neve, a uns 70 km/h, perdi o timing, não sei extamente o que aconteceu…”, contou Lais sobre o momento em que se chocou contra uma árvore, em Salt Lake City, onde treinava para os Jogos de Inverno de Sochi, em 27 de abril de 2014. Aos 26 anos, Lais contou que ter sobrevivido ao acidente foi “a vitória mais importante de sua carreira” e disse estar respondendo bem aos tratamentos. “Depois de aplicação de células-tronco nos Estados Unidos, tenho mais sensibilidade no corpo.”

Lais não recuperou os movimentos dos membros inferiores e superiores, mas não perdeu as esperanças. “Acredito que vou me recuperar, nem que seja apenas num dedo. Acredito nisso”, contou, exibindo a tatuagem em seu braço direito, que representa um cadeirante voltando a andar. Disse ser muito agitada, “espoleta”, e revelou um de seus hobbies no momento – que ainda a ajuda no tratamento. “Para fortalecer o diafragma e respirar sozinha eu cantava muito na UTI.”

Acompanhada de seu curador, Willian Campi, a jovem natural de Ribeirão Preto agradeceu ao apoio dos fãs e das pessoas mais próximas. “Agradeço por tanta gente me ajudar ainda a ser eu mesma novamente. Como não me movimento, minha equipe tem umas dez pessoas. Hoje se eu quiser tomar um banho com calma preciso de três horas, é tudo difícil. Tenho hoje nova relação com minha família. Estamos nos conhecendo novamente.”

Lais disputou as Olimpíadas de Atenas-2004, Pequim-2008 e Londres-2012 como ginasta. Ela disse aguardar um convite da organização dos Jogos do Rio para acompanhar de perto as partidas. “Além da ginástica, sou fã de basquete, vôlei, handebol. Fui a várias Olimpíadas, mas não tinha tempo de ver os jogos, gostaria de aproveitar isso agora.”

Jornal Midiamax