Mato Grosso do Sul terá quebra na safra de 2023/2024, com previsão de queda de 13,89% na produção estimada inicialmente. A redução, aliada ao preço em baixa do grão, deve retirar R$ 5 bilhões da economia sul-mato-grossense, em termos de movimentação do setor.

A estimativa de impacto econômico é do secretário , titular da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Ciência, Tecnologia e Inovação).

“Se a gente fizer uma conta rápida, a redução de preço somada a essa perda significativa de produção, vai deixar de circular na economia sul-mato-grossense algo em torno de R$ 5 bilhões, dinheiro deixou de existir. Então isso é um impacto grande nas atividades econômicas”.

De acordo com a Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja), o Estado deve produzir 12,923 milhões de toneladas do grão, contra os 13,8 milhões de toneladas anteriormente estimados, e alcançar produtividade de 50,5 sacas por hectare – valor que representa queda de 19,12% em relação à estimativa inicial.

A colheita da soja deve encerrar na última semana de abril, período em que os dados de área, produtividade e produção também serão confirmados. Até o momento, foram colhidos 93,8% da área total do Estado, o que equivale a 4,001 milhões de hectares.

Conforme boletim técnico da Aprosoja/MS, a comercialização da soja está em 42,12% com preço de R$ 112,25 por saca.

Preços devem complicar situação econômica de produtores

Para o pesquisador Mauro Osaki, da área de custos agrícolas do Cepea/USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada/Universidade de ), a elevação nos preços da soja no início de abril “vai aliviar um pouco a rentabilidade do produtor”.

“A pequena valorização que está sendo observada agora da soja, claro, vai aliviar um pouco a rentabilidade do produtor, de ficar ‘menos pior', vamos falar assim”, analisou em entrevista ao Jornal Midiamax. No entanto, a conta não é tão simples, como detalha o especialista. 

“O problema maior de todos os efeitos dessa safra, o efeito mais negativo que tem proporcionado a muitos produtores, é que eles não colheram aquilo que eles esperavam. Embora o custo tenha reduzido em relação à safra 2022/23, com grande redução de preço dos fertilizantes e outros insumos, isso não foi suficiente para o conseguir saldar suas contas, porque nós tivemos retração do preço da soja nesse primeiro bimestre em relação à safra passada e uma retração muito forte na produtividade”, finaliza.