O Ibovespa atingiu ainda pela manhã o inédito nível intradia de 132 mil pontos e voltou a ganhar dinamismo à tarde, após a agência de classificação de risco de crédito S&P ter elevado o rating de escala de longo prazo do Brasil para “BB”, com perspectiva estável.

No fechamento – em máxima histórica pela terceira vez nas últimas quatro sessões, duas delas consecutivas -, o índice mostrava alta de 0,59%, aos 131.850,90 pontos, tendo chegado no melhor momento do dia aos 132.046,93 pontos, saindo de mínima a 131.085,81 e de abertura a 131.087,68 pontos na sessão, com giro a R$ 20,6 bilhões. Na semana, o Ibovespa sobe 1,27% e, no mês, avança 3,55%. No ano, ganha 20,15%.

“Por volta de 15h30 quando veio a notícia da S&P, houve forte ingresso de fluxo que reaproximou o índice das máximas. O principal ETF associado a Brasil em subia em torno de 1,3%. E o dólar foi negociado em baixa perto de 1%, a R$ 4,86. Segue o otimismo em torno da redução de juros e o apetite por ativos de risco”, diz Thiago Lourenço, operador de renda variável da Manchester Investimentos.

“Esta semana é decisiva para que o mercado atinja novos níveis de preço, considerando que o fluxo deve cair muito a partir da próxima semana com a chegada do fim do ano”, acrescenta Lourenço Neste fechamento de 2023, o mercado tem mostrado “força compradora”, observa o operador, que vê espaço para que o Ibovespa teste o nível de 135 mil pontos no que falta para o fim do ano. “Tivemos uma alta bem distribuída pelos ativos da Bolsa hoje, à exceção de poucos papéis. A grande maioria das ações subiu, sejam as de maior liquidez, sejam as small caps ações de menor capitalização de mercado.”

Na ponta ganhadora do Ibovespa nesta terça-feira, destaque para Braskem (+7,15%), Dexco (+3,97%) e Raízen (+3,37%), com Embraer (-2,74%), Pão de Açúcar (-2,70%) e Petz (-2,59%) na fila oposta. Entre as ações de maior liquidez, Petrobras (ON +0,66%; PN +1,14%, na máxima do dia no fechamento) e Vale (ON +0,70%) subiram e, entre os grandes bancos, apenas Bradesco PN (sem variação) não avançou na sessão.

A S&P Global Ratings justificou a perspectiva estável para a nota BB do Brasil citando a expectativa de “progresso lento” na gestão dos desequilíbrios fiscais e a perspectiva fraca para o crescimento econômico. A agência, por outro lado, ressaltou que esses pontos negativos são contrabalançados por posição externa forte e pelo efeito da política monetária na ancoragem das expectativas de inflação.

No comunicado, a instituição acrescentou que a arquitetura institucional da maior economia da deve sustentar uma postura pragmática na formulação de políticas macroeconômicas. “Esperamos uma correção fiscal muito gradual, mas antecipamos que os déficits fiscais irão permanecer elevados”, ressalta.

A agência de rating apontou também que pode elevar a nota brasileira outra vez nos próximos dois anos, caso as reformas fiscais sustentem o crescimento de longo prazo nacional. A S&P avalia que um progresso mais rápido do que o esperado na solução de “desequilíbrios fiscais”, somado a uma estabilização do nível da dívida, também pode resultar em aumento da nota.

Com a elevação do rating da S&P nesta tarde, o Brasil está agora, em todas as principais agências de classificação de risco de crédito, a dois degraus do chamado grau de investimento – na Moody's, o rating está em Ba2 e na Fitch, em BB.

Para o Goldman Sachs, o Brasil ainda tem longo caminho a percorrer – e reformas a fazer – se quiser recuperar o grau de investimento, ou seja, o selo de bom pagador, reporta o jornalista Cícero Cotrim, do Broadcast. “Fora a política monetária, o atual mix macro e microeconômico e a perspectiva de reformas ainda estão abaixo do padrão do grau de investimento”, afirma em relatório o diretor de pesquisa macroeconômica para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos.

Destaque da agenda doméstica pela manhã, a ata do Copom veio em sentido semelhante ao do comunicado da decisão de política monetária da semana passada, sem alterar a perspectiva de que a continuará a ser cortada ao ritmo de meio ponto porcentual nas próximas reuniões.

“Quando a gente olha para o DI, a curva de juros abriu um pouquinho de manhã, principalmente no miolo, com uma ata do Copom que pode ainda ser considerada hawkish”, diz João Vitor Freitas, analista da Toro Investimentos. Ele acrescenta que, na ata, o Copom deu uma “esfriada” na expectativa da parcela do mercado que apostava em sinal mais suave do que o do comunicado, ante a guinada de tom, mais moderado, observada na última reunião do Federal Reserve.